“A Kimi trouxe de volta minha determinação e fez com que tudo voltasse a ser colorido”

O depoimento é de Márcia, uma das pessoas que adotaram um animal na Dibea, na Capital; confira as histórias emocionantes de quem escolheu um amigo de quatro patas que aguardava para ter uma família

“Quando eu vi a Kimi foi amor à primeira vista, fiquei encantada e senti uma conexão muito forte com ela, mas a veterinária que nos levou ao gatil disse que outra pessoa já tinha preenchido uma ficha de adoção para a gatinha. Então eu fiquei bem desanimada, porque tinha certeza que essa pessoa ficaria com ela, mas decidi preencher uma ficha mesmo assim”, conta Márcia B., 51 anos, aposentada, sobre a visita que fez à Dibea (Diretoria de Bem-Estar Animal) de Florianópolis, ao procurar por uma gata de estimação, em janeiro deste ano.

Márcia conheceu Kimi e disse que foi amor à primeira vista – Foto: Acervo Pessoal/NDMárcia conheceu Kimi e disse que foi amor à primeira vista – Foto: Acervo Pessoal/ND

Ela ainda não sabia, mas sua história com Kimi mal havia começado. Um laço que começou naquele primeiro encontro e que mudaria mais tarde a vida das duas. “Depois de um tempo, eu já não tinha mais esperança nenhuma de conseguir adotar a Kimi, mas em dia 26 de janeiro, dia do meu aniversário, a equipe da Dibea me ligou dizendo que minha ficha havia sido aprovada e que a trariam para mim naquele mesmo dia. Quando ela chegou eu não poderia estar mais feliz. Eu passei pelo meu segundo câncer no ano passado e estou fazendo quimioterapia neste ano,  então eu estava em um momento de muita fragilidade, física e emocional. Em meio a tantas coisas negativas, aquela coisinha pequenininha apareceu e, parece que junto com ela, a minha determinação voltou. A Kimi fez com que tudo voltasse a ser colorido para mim, foi como se ela tivesse trazido a minha essência de volta”, explica Márcia.

Para quem pensa em adotar um animal e ainda tem dúvidas, ela deixa um recado sobre a importância da iniciativa. “Acho que nós ganhamos muito mais com a adoção do que o animalzinho em si, é claro que ajudamos eles também, mas o retorno que recebemos da parte deles é muito maior. Eles nos amam incondicionalmente pelo que somos. Acho que eles só têm a acrescentar a nós como indivíduos, e posso afirmar com toda a certeza de que uma vida na companhia de animais é infinitamente mais brilhante”, afirma.

Kimi se adaptou muito bem à casa e aos outros animais de estimação, como a gata Sophie, que brinca com ela no vídeo acima – Acervo Pessoal/ND

Mais vida e alegria no lar

Assim como na casa da Márcia, os irmãos caramelo Paçoca e Bisteca alegram o lar de Iran Leite de Abreu Filho e Daniel Orlando da Silva, em Caiacanga, no Sul da Ilha, em, Florianópolis há cerca de dois meses. Iran conta que a vida toda teve animais e, como já estava há algum tempo sem um companheiro de quatro patas, sentia muita falta de ter um animal de estimação quando morava em São Paulo.

Quando ele e Daniel resolveram que se mudariam definitivamente para a capital catarinense em 2020, durante a pandemia, veio a decisão de, finalmente, adotar um cachorro.

“A gente pesquisou, encontrou a Dibea e foi lá ver os animais. A equipe nos levou para uma visita e nos encantamos muito quando chegamos lá, nossa vontade era levar pelo menos metade dos cachorros que conhecemos. Pensamos bem e decidimos adotar dois, porque cachorro gosta de companhia, de viver em matilha. E, como havíamos nos apaixonado por quatro filhotes da mesma ninhada, resolvemos adotar dois, o Paçoca e a Bisteca”, conta ele.

Bisteca e Paçoca no novo lar – Acervo Pessoal/ND

Adaptação tranquila

Iran conta que a adaptação dos dois em casa foi muito tranquila. “Foi ótimo, um funcionário da Dibea trouxe os dois, mas eles têm personalidades bem diferentes. A Bisteca veio correndo, lambendo e pulando, o Paçoca já é mais na dele, mais tranquilo, então ficou meio ressabiado assim que chegou, mas aí a gente foi mostrando que ele não precisa ter medo, fazendo carinho na Bisteca e nos aproximando. A partir daí foi só alegria. Hoje os dois sempre querem dormir encostados em nós dois, veem que estamos no sofá e já querem subir e ficar junto. O Paçoca até hoje gosta de ficar largadão, ele deita de barriga para cima e fica esperando a gente fazer carinho. A Bisteca é danada, gosta de agitar e não para um minuto”, conta Iran.

Os irmãos Bisteca e Paçoca felizes no novo lar – Acervo Pessoal/NDOs irmãos Bisteca e Paçoca felizes no novo lar – Acervo Pessoal/ND

Os dois afirmam que a adoção é um laço muito forte. “Os animais têm tanto a oferecer para a gente, a alegria, o companheirismo, a amizade. Para nós mudou toda a energia da casa, agora existe movimento, vida… a gente vê o crescimento, o aprendizado deles e se apaixona cada dia mais. Em troca eles nos dão carinho, atenção, cuidado”, diz Iran.

Ele conta que uma situação em particular fez com que eles se emocionassem muito. “O Paçoca e a Bisteca até já quiseram nos defender, um dia estávamos no quintal, perto da porta da frente, e passou uma pessoa estranha na rua. Eles ficaram com o pelo eriçado, olhando, como se dissessem ‘aqui vocês não podem entrar’. Aquilo me trouxe uma emoção, eu pensei, que coisa, a gente cuida direitinho, faz tudo direitinho, mas isso é pouco perto de tudo que eles nos dão, eles nem piscaram nessa situação, não tiveram o menor medo, eles estavam mostrando que estavam nos defendendo e cuidando da gente”, diz.

Iran destaca que essa é uma situação que mostra apenas uma das qualidades dos animais. “Esse amor deles, a alegria quando a gente chega, o cuidado, tudo isso é encantador, amolece o coração, a gente fica mais feliz. Nesta época de pandemia a gente ter quem ama a gente assim, sem nenhuma regra, nenhum requisito, ama porque ama, a gente sente esse amor do animal, isso é incrível, nossa vida é muito melhor agora com eles”, afirma Iran.

Kimi, Paçoca e Bisteca são alguns dos quase mil animais que foram adotados na Dibea nos últimos três anos. Ao todo, no período, o órgão resgatou mais de 1.100 animais, atendeu mais de 2.600 denúncias de maus tratos, realizou cerca de 10 mil atendimentos médicos veterinários e mais de 17.100 castrações.

Ainda aguardam por adoção hoje, na Dibea, 24 gatos e 143 cachorros – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/NDAinda aguardam por adoção hoje, na Dibea, 24 gatos e 143 cachorros – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Referência nacional em atenção à saúde animal

No último ano, a Dibea foi totalmente revitalizada e ampliada e, no dia 13 de maio de 2020, foi inaugurado o Casa (Centro de Atenção à Saúde Animal). Com 5.720,38 m², o espaço é uma das maiores estruturas do Brasil de atenção à saúde dos animais e conta com área de soltura animal, bloco cirúrgico, banho e tosa, além de espaço para administração e atuação do Centro de Controle de Zoonoses.

A nova estrutura possibilita também o aumento do número de castrações, por meio da ampliação dos centros cirúrgicos e canis, com novos equipamentos e melhores condições para a execução dos trabalhos diários. São ainda atendidos no local animais de pessoas com baixa renda.

O novo bloco cirúrgico, por exemplo, onde são realizadas as castrações e outros procedimentos, tem área total de cerca de 304 m². Os dois canis e um gatil têm aproximadamente 341 m².

Desde o ano passado também, os animais resgatados pela Dibea contam com um amplo espaço com mais de 200m² para uma área de soltura animal, onde podem ressocializar uns com os outros e se exercitar.

Iran Leite de Abreu Filho diz que foi muito bem atendido pelas equipes da Dibea. “Gostei muito do atendimento, são super atenciosos. O pessoal que lida com os bichos mostravam carinho pelos animais, não estavam ali só para cumprir suas funções”, afirma.

Tanto Iran Leite de Abreu Filho como Márcia B. afirmam terem sido muito bem atendidos pelas equipes da Dibea. “Gostei muito do atendimento. O pessoal é super atencioso e mostrava carinho pelos animais. Não era só cumprir a função”, afirma Iran.

“Eles são muito cuidadosos e atenciosos com os gatos e o ambiente é bem limpinho. Os gatos são todos socializados e os tratadores dedicam bastante tempo a eles”, acrescenta Márcia.

Kimi, Paçoca e Bisteca são alguns dos quase mil animais que foram adotados na Dibea nos últimos três anos – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/NDKimi, Paçoca e Bisteca são alguns dos quase mil animais que foram adotados na Dibea nos últimos três anos – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Projetos educativos e controle de zoonoses

O Casa também conta agora com um auditório reformado, onde projetos educativos para crianças, jovens e adultos, poderão ser retomados conforme os protocolos sanitários referentes à pandemia da Covid-19 permitirem o retorno das atividades.

No CCZ (Centro de Controle de Zoonoses, anexo ao Casa, os espaços também foram ampliados para atuação das equipes. O CCZ atua  no combate à proliferação de dengue, caramujos africanos, leishmaniose e raiva, por exemplo. A ampliação reflete ativamente no controle das zoonoses (doenças que podem ser transmitidas de animais para seres humanos) e na prevenção de epidemias.

Como adotar um animal

Ainda aguardam por adoção hoje, na Dibea, 24 gatos e 143 cachorros. Para adotar um animal é preciso cumprir os requisitos:

  • Ser maior de 18 anos;
  • RG e CPF – Ser morador de Florianópolis
  • Iniciar o processo de adoção na DIBEA
  • Os animais são entregues na residência, após vistoria no local.

*** Mais informações sobre a adoção podem ser obtidas pelo número: (48) 3234-5677.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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