Abandono de pit bulls em Joinville acende um alerta

Por causa do estigma que se criou de que são agressivos, há dificuldade na adoção de pit bulls

É comum eles ganharem espaço na mídia por causa de notícias negativas como ataques e abandono. Mas por traz da raça pit bull, existe um tutor que é o verdadeiro responsável pela agressividade ou ternura do animal.

pit bullNegligenciados e vítimas de maus tratos, os animais acabam nas ruas e dificilmente conseguem um novo lar. – Foto: Pixabay/Divulgação ND

Desde desde 2007, a lei 14.204, proíbe a criação e comercialização de cães da raça  pit bull em Santa Catarina, mas eles continuam se reproduzindo em criadouros clandestinos, e consequentemente, continuam sendo abandonados.

Negligenciados e vítimas de maus tratos, os animais acabam nas ruas e dificilmente conseguem um novo lar. O reflexo dessa cadeia de imprudência esta no Centro de Bem-estar animal que hoje acumula seis cães da raça para adoção. Os pedidos de resgate não param de chegar. Por semana, são entre oito e dez.

Dificuldade na adoção

“Temos muita dificuldade de quem adote esse animal. As pessoas têm medo, pois já se criou um tabu que todo pit bull é agressivo, mas sabemos que não são, sabemos que o cão se torna agressivo pelo jeito como ele é e foi tratado, criado, desde pequeno. Temos muitos cães aqui que não são pit bulls, são sem raça definida, que são agressivos. Tudo depende do que esse animal passou, dos traumas que ele passou”, explica Marisa Fock, gerente do Centro de Bem-estar Animal de Joinville.

Marisa Fock, gerente do Centro de Bem-estar Animal de JoinvilleMarisa Fock, gerente do Centro de Bem-estar Animal de Joinville – Foto: Reprodução vídeo/ND

Outra questão de maus tratos envolvendo o pit bull é o corte das orelhas. Ao retirar a cartilagem que protege a orelha é como se deixasse o animal exposto ao som e isso o torna estressado, sendo um dos principais fatores que faz com que as pessoas não queiram adotar o cachorro dessa raça.

As denúncias de criadores clandestinos de cães da raça pit bull devem ser feitas pelo site da Prefeitura, telefone 156, ou para a Polícia Militar pelo 190.

um dos cães que estão para adoção em JoinvilleUm dos cães que estão para a adoção no Centro de Bem-estar Animal – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND

O CBEA hoje tem uma feira virtual onde os animais disponíveis para adoção podem ser encontrados. Entre os candidatos, há o Brutus que há anos espera por uma nova chance de ser feliz; o Pirata, o Viajante, a Zara e a Ida também estão na fila. São animais que já sofreram muito e precisam de uma nova chance para amar e serem amados.

E justamente pelo histórico de maus tratos e pela raça não é qualquer um que pode adotar. O candidato passa por uma triagem.

“Nós vamos na residência ver se essa pessoa tem condições de receber um animal desses porque é muito difícil pra nós darmos em adoção sendo que a o local não é adequado”, comenta Marisa.

Inclusive, uma das exigências é que a casa seja própria porque muitas pessoas  mudam de endereço e querem se livrar do bichinho.

“O que mais a gente vê nas redes sociais é: ‘estou me mudando e não tenho como levar meu cachorro porque o proprietário não aceita, não tem espaço’. Na melhor das hipóteses, essas pessoas entram em contato com  a gente e devolvem o cão, mas em muitos casos o cão é largado à própria sorte. A gente vê muito isso aqui em Joinville”, testemunha a gerente do CBEA.

Muita energia para gastar

Edi Pereira dos Santos é adestrador e confirma: não é qualquer pessoa que pode ter um pit bull. O animal, além de ser forte, tem muita energia, e precisa de uma rotina de cuidados.

Edi Pereira dos Santos, adestradorEdi Pereira dos Santos, adestrador, explica que o pit bull precisa de exercícios, precisa gastar energia.  – Foto: Divulgação ND

“Ele é um cão de energia alta, precisa de uma boa rotina de exercícios, de adestramento, precisa de caminhada longa, todos os dias. Se a pessoa for sedentária, que gosta de chegar do trabalho e ficar em casa, o pit bull não é um cão ideal para essa pessoa”, explica Edi.

“Qualquer cão que fica aprisionado na corrente fica estressado. Então, ele não vai ter a oportunidade de socializar com outras pessoas, com outros cães. Esse é o grande mal. Esses cães que gente vê agredindo outra pessoa, outros animais é porque eles foram privados desde a infância de uma socialização, conviver com pessoas, e outros animais. Ele simplesmente não sabe como reagir porque ele não foi ensinado”, acrescenta Edi.

Pelo menos na casa da Lucila Gatz e do Fábio Correia, um pit bull teve um final feliz.

Fábio Correia com os pets: lar seguro e muito amorFábio Correia com os pets: lar seguro e muito amor- Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND

O cão passou maus bocados antes de ser resgatado pela ONG Frada.  Já na casa nova, expressão já dizia que finalmente ele tinha encontrado um lar seguro para chamar de seu. Para adaptar o novo integrante da família na matilha, os donos tiveram alguns cuidados, mas hoje é só amor.

lucila gatzLucila Gatz tem cinco cães: afeto e exemplo de tutora – Foto: Reprodução vídeo/ND

Lucila cuidou da adaptação, não cansa de passear e dar carinho aos cinco pets.

*Com informações de Dani Lando, repórter da NDTV Record Joinville. 

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