Após cão matar bebê em SC, veterinária aponta causas para agressividade e cuidados

Especialista defende a criação de vínculo afetivo entre cachorro e bebê para evitar riscos de ataques

O caso de ataque de cachorro a um recém-nascido no último sábado (14), repercutiu na Grande Florianópolis. O bebê de apenas 23 dias morreu após ser mordido pelo cachorro da família enquanto estava no colo da mãe. O fato ocorreu em Biguaçu.

Após cão matar bebê em SC, veterinária aponta causas para agressividade e cuidados – Foto: Pixabay/DivulgaçãoApós cão matar bebê em SC, veterinária aponta causas para agressividade e cuidados – Foto: Pixabay/Divulgação

Diante disso, o ND+ procurou um especialista para entender o que pode levar os cães a um comportamento agressivo e quais cuidados os donos de animal de estimação devem ter com as crianças.

A médica veterinária Katia Chubaci, que atua na Grande Florianópolis, diz que a família deve criar um vínculo afetivo entre o cachorro e o bebê para evitar riscos. Além disso, ela aponta que o sacrifício do animal deve ser a última alternativa a ser adotada após um ataque.

Criação influencia no comportamento

A especialista aponta que a criação do animal de estimação influencia diretamente em seu comportamento. A causa de ataques de cachorro gerado por medo, desconforto ou porque o animal não sabe como reagir a determinadas situações, geralmente, está ligada a uma socialização ineficiente do animal ao longo da vida.

“Um cão criado acorrentado e excluído da convivência familiar, não sabe distinguir as situações. Sem o vínculo afetivo, o animal pode entender que o recém-nascido representa um risco ao dono e isso pode levar ao ataque”, explica a veterinária.

Kátia acrescenta que os donos de cães de grande porte devem estar preparados para certas intercorrências que podem acontecer. Se o animal for criado na corrente, por exemplo, poderá se tornar agressivo e atacar uma pessoa de forma grave e até fatal, uma vez que tem potencial físico para isso.

“Fatalidades podem ser evitadas se o animal de estimação for criado da forma correta, independente do tamanho ou da raça”, complementa.

Adaptação para chegada do bebê

Kátia Chubaci defende que a família crie uma relação de proximidade entre o cachorro e o bebê já durante a gestação. Dessa forma, o animal de estimação irá entender que se trata de um novo membro da família que está chegando.

“Indico para todas as famílias que possuem cachorro, que o deixem acompanhar a gravidez. O animal deve fazer parte desse período tanto quanto os familiares. Esse vínculo afetivo deve ser construído o mais cedo possível”, avalia.

Chubaci recomenda que, desde a gestação, os donos façam um controle comportamental do animal. “É importante mostrar o quarto da criança, os objetos que serão usados pelo bebê, o carrinho. O animal de estimação deve ser incluído na adaptação para a chegada do bebê, da mesma forma que ocorre com os familiares”, afirma.

Relação de proximidade

A médica veterinária sugere que o bebê seja apresentado ao animal de estimação logo após o nascimento. Isso estimula uma relação de proximidade entre o cachorro e o recém-nascido.

“Através de um canil ou com o auxílio da guia, a família deve tentar aproximar o bebê do cachorro. O animal deve se acostumar com o choro e com aquela presença nova dentro de casa. Claro, sempre com cautela. Com isso, o cachorro vai entender que o bebê não representa um risco ao dono”, diz.

O que fazer com o animal

A especialista afirma que a culpa de ataques não é do cachorro. Conforme Chubaci, após uma situação de ataque o cão deve ser encaminhado para adestramento.  “Não importa a idade ou a raça do animal. Qualquer um pode passar pelo adestramento”, esclarece.

Na sequência, ela recomenda que o cachorro seja encaminhado para a adoção ou seja doado para outra família. A médica é contra sacrificar o animal. “O cachorro pode ir para outra família, desde que adestrado. A eutanásia deve ser a última alternativa a ser adotada”, avalia.

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