Casal que administrava canil clandestino já teve outros dois em SC

Segundo MP, os locais ficavam em Rancho Queimado e Santo Amaro da Imperatriz; diante da acusação, Justiça, então, determinou que eles continuem presos

A Justiça de Santa Catarina negou habeas corpus e manteve a prisão preventiva de dois homens, de 67 e 27 anos, acusados de administrar um canil clandestino em Jaguaruna, no Sul catarinense, e outros dois no Estado.

Um dos cachorros encontrados em situação de maus-tratos no canil clandestino em Jaguaruna, no Sul de SC, pela polícia – Foto: Divulgação/Polícia Civil/NDUm dos cachorros encontrados em situação de maus-tratos no canil clandestino em Jaguaruna, no Sul de SC, pela polícia – Foto: Divulgação/Polícia Civil/ND

No último, segundo a denúncia do MP (Ministério Público), o casal sujeitava 48 animais a diversas situações de maus-tratos, desde escassez de alimentos e ausência de higiene até a falta de veterinários para acompanhamento de verminoses e zoonoses.

Eles também foram denunciados pelo crime de poluição na área de cinco mil metros quadrados, às margens da BR-101, em Jaguaruna.

Desde a ação da Polícia Civil em 19 de outubro no local, administrado pelo casal, dois cachorros já morreram em seguida por estarem muito debilitados e o terceiro no fim de semana passado.

Os animais ainda seguem há mais de dois meses no local – Foto: Divulgação/Polícia Civil/NDOs animais ainda seguem há mais de dois meses no local – Foto: Divulgação/Polícia Civil/ND

Entre os animais sob guarda agora do município, estão cães de raças como Spitz Alemão, Akita, Pastor Malinois, Border Collie. Husky Siberiano, Cane Corso e Samoieda, além de outros sem raça definida.

Trechos de relatórios produzidos por veterinários após inspeções ao local, anexados aos autos, assim como a morte de pelo menos três animais, contribuíram para a manutenção da prisão dos envolvidos.

O MP sustenta ainda que o casal em união estável já teria administrado outros canis no Estado, em Rancho Queimado e Santo Amaro da Imperatriz, de onde saíram após as primeiras denúncias sobre maus-tratos de animais.

Animais seguem no local há dois meses

No dia 1º deste mês, a Justiça chegou a autorizar o pedido do MP para conceder a guarda provisória dos cachorros a pessoas interessadas, já que a retirada deles do local não foi possível, devido à falta de abrigos na região.

Eram 48 cachorros, agora são 45 – Foto: Divulgação/Polícia Civil/NDEram 48 cachorros, agora são 45 – Foto: Divulgação/Polícia Civil/ND

Diante da situação, o cartório da 2ª Vara de Jaguaruna, então, abriu um pré-cadastro para os interessados em adotá-los, que no momento já conta com 59 inscritos.

Apesar do interesse da população em dar um lar aos cães, eles seguem no canil. A justificativa para a permanência deles é a falta de um relatório, a ser elaborado por um médico veterinário, sob a situação de cada um deles.

Segundo a Justiça de Jaguaruna, após a apresentação desse documento, a entrega dos animais será providenciada com a maior celeridade possível.

Adoção responsável

Interessados em adotá-los ainda podem entrar em contato com a Justiça pelo WhatsApp (48) 3622-7728 e se candidatar. Ao todo, são 45 cachorros de raça.

Relembre o caso

No dia 19 de outubro, a Polícia Civil, com apoio de um agente municipal sanitarista e um médico veterinário da Cidasc (Companhia Integrada Desenvolvimento Agrícola de SC), realizou uma vistoria em um canil clandestino, em Jaguaruna, no Sul catarinense.

No local, os profissionais atestaram que 48 animais estariam submetidos a intenso sofrimento físico e emocional. Segundo os laudos apresentados, os animais estariam em local insalubre, expostos a grande quantidade de fezes e urina e submetidos ao sol e à chuva.

Alguns deles teriam apresentado quadro de anemia, fraturas ósseas, deficiência endócrina e infecções por fungos, além de infestação por pulgas e dermatite severa.

Um dos cachorros morreu após ser examinado e os outros 47 continuaram no local, sob os cuidados de pessoas que conviviam com o proprietário e a supervisão da Vigilância Sanitária e do IMAJ (Instituto do Meio Ambiente de Jaguaruna).

Porém, diante da morte de mais um cachorro, o MP ingressou com o pedido na Justiça, a fim de resguardar o direito dos animais. A solicitação foi atendida e a decisão judicial publicada em 1º de novembro, autorizando a guarda provisória, com custos podendo ser de responsabilidade dos donos do canil.

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