Enxame de abelhas ataca trabalhadores em Concórdia

Profissionais se abrigaram embaixo da carroceria do caminhão e a obra foi suspensa

André Giordani motorista de uma empresa de pré-moldados de Concórdia, estava descarregando tubos de concreto em uma obra no Loteamento Piolla, em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, quando viu um enxame de abelhas vir em sua direção e do colega de trabalho.

“Foi tudo rápido, quando notamos elas estavam muito próximas. Nos escondemos embaixo da carroceria do caminhão e as abelhas entraram dentro da cabine. Ninguém ficou ferido, mas nos assustamos”, conta Giordani.

O ataque do enxame parou a obra e assustou quem trabalhava no local. O Corpo de Bombeiros Militar do município foi acionado e recolheu os animais sem danos aos trabalhadores e as abelhas. 

Veja o vídeo:

Saiba o que fazer

Apesar de causarem medo, as abelhas desempenham um papel fundamental na natureza. Cerca de 70% dos alimentos provém da polinização de abelhas. A auto sustentabilidade do planeta depende delas. Segundo o presidente da AAMQ (Associação de Apicultores e Meliponicultores de Quilombo) e vice-presidente da FAASC (Federação Catarinense de Apicultores e Meliponicultores), Julcemar Toazza, as abelhas surgem no perímetro urbano em busca de abrigo. 

“Elas também pedem socorro. O habitat natural das abelhas está sendo atingido e, por isso, elas buscam outros espaços para se esconder como beirais de casas, embaixo de telhados e pneus, por exemplo. Mas, a maioria das pessoas não sabe lidar com a presença desses animais e acaba se defendendo de forma errada e causando estresse nelas o que faz com que elas ataquem como forma de defesa”, esclarece Toazza.

Abelhas procuram locais para se esconder e atacam quando estão ameaçadas – Foto: FAASC/Divulgação/ND

Fique em local seguro

Segundo ele, o adequado é se abrigar em local seguro como ambientes escuros ou locais com água. Jogar água nas abelhas também faz com que elas se afastem. A orientação é, em hipótese algum, se defender atacando. “Abelhas são animais sensíveis a odores, movimentos e sons estranhos. Em geral, elas atacam em situações adversas”, salienta. 

Tozza explica que o correto é chamar o Corpo de Bombeiros ou um apicultor, profissional habilitado para o manejo correto com as abelhas. Em caso de ferroadas, a indicação do apicultor é de não retirar o ferrão com a mão. “Quando a abelha solta o ferrão uma bolsa de veneno fica acoplado junto a ele, se for retirado com a mão o veneno pode se espalhar ainda mais pela corrente sanguínea. O correto é retirar com um material com lâmina lisa, passando próximo ao local e esfregando lentamente para retirar o ferrão”, orienta.

Manuseio correto das abelhas deve ser feito por apicultores ou profissionais habilitados – Foto: Arquivo/ND

Procure atendimento médico

Em caso de pessoas alérgicas o correto é buscar imediatamente atendimento médico, uma vez que em casos de alergias o veneno vai para a corrente sanguínea, inflama os brônquios e dificulta a respiração, podendo levar a morte. “Se a defesa for correta ninguém sairá ferido. Precisamos entender que assim como nós as abelhas também têm o instinto de se defender. O adequado é sempre buscar ajuda de profissionais que entendem do assunto”, complementa. 

Produção expressiva

Santa Catarina conta com aproximadamente 8.700 apicultores e 6.500 meliponicultores. Somente no Oeste do Estado são cerca de 3.800 apicultores. A região é responsável por 30% da produção de mel catarinense. Segundo Toazza, é o Estado que mais produz mel por m² (metro quadrado). São 68 kg por m², enquanto a média brasileira é de 5 kg por m².

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