Especialista explica os motivos para não matar o Tipula, inseto ‘gigante’ comum em SC

Biólogo garantiu que os bichinhos não se alimentam de sangue, como os pernilongos, e não causam mal algum

Uma publicação tem chamado a atenção de internautas no Facebook. Isso porque a postagem de Giane Jacques na rede social traz um alerta sobre o “Tipula” – inseto conhecido como mosquito gigante. “Eu sei que sou grande, mas não faço mal a ninguém”, escreveu ela.

Para entender mais sobre o inseto, o ND+ conversou com um especialista, que esclareceu dúvidas e pontuou motivos para não matar os grandalhões.

Inseto conhecido como “mosquito gigante” não precisa morrer – Foto: Divulgação/NDInseto conhecido como “mosquito gigante” não precisa morrer – Foto: Divulgação/ND

Giane Jacques contou que a ideia de fazer a publicação foi por curiosidade e amor à natureza. “Eu publiquei porque desconhecia e acredito muito na não necessidade de sair matando tudo o que se vê pela frente”, disse ela.

A publicação

“Eu sou uma tipula, conhecida como um mosquito gigante e às vezes erradamente apelidada de melga. Eu sei que sou grande, mas não faço mal a ninguém”, escreveu Giane Jacques. “Por ignorância ou desconhecimento, matam-me sem que eu seja um perigo… Eu não sugo sangue, não sou hematófago. Alimento-me do néctar das flores auxiliando na polinização”, explicou na publicação.

“Agora que me ficou a conhecer um pouco melhor, por favor, não me mate! Se me encontrar em sua casa, ajude- me a encontrar a saída! Eu só quero viver em paz e desempenhar a função para a qual o Criador me concebeu”, defendeu. “Não é necessário destruir e matar tudo o que não entendemos, combinado? A minha vida também é importante! Obrigado!”, finalizou.

Detalhes sobre o inseto

O biólogo Luiz Carlos de Pinho, especialista em entomologia – insetos, moscas, mosquitos e insetos aquáticos, explica um pouco sobre a espécie.

“Esse mosquito é bem comum, ele aparece em qualquer área e tem várias espécies, há uma família inteira do tipulidae, então há vários tipos diferentes, mas todos são assim, bem grandões”, explica.

O biólogo conta que esses mosquitos podem se proliferar em diversos tipos de ambientes, já que são uma espécie que se adapta facilmente.

Eles são vistos frequentemente dentro das casas, e o motivo não é um mistério – eles são atraídos pela luz. “Eles se atraem pela luz e encontram abrigo, mas no máximo vão se alimentar da seiva das plantas”, afirma Luiz Carlos. “Eles estão ali, só repousando”, afirma. “É um bicho que assusta um pouco pelo tamanho, mas não tem problema nenhum”, conta.

O especialista garante que os bichinhos não se alimentam de sangue, como os pernilongos, e não trazem problemas à saúde humana – pelo contrário, ajudam a eliminar as larvas de outros mosquitos.

Enquanto ainda são larvas, os tipulideos têm uma dieta variada e se alimentam de matérias orgânicas em decomposição em ambientes aquáticos. Alguns até são predatórios e comem outras larvas.

Como um grupo grande e variado, a família dos tipulideos possui diversos tipos de habitats naturais. “As larvas são frequentemente encontradas em ambientes úmidos, desde terra úmida, até rios e lagos”, esclarece. “Já o adulto, tem uma vida mais curta, e geralmente vive próximo a esses criadouros [lugar suscetível a se criarem bem]”, afirma.

Luiz Carlos ressalta que, se há um mosquito dentro de casa, tem grande chance de que ele venha de um criadouro próximo à residência.

Mas afinal, o que devemos fazer quando encontramos esse mosquito?

O especialista Luiz Carlos responde. “Deixa ele, pode até tentar colocar para fora de casa, mas não vale a pena matar. O importante é deixar claro que não oferece perigo algum”, ressalta.

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