Novo milionário em SC? Ex-garçom acredita que achou ‘vômito de baleia’ em praia; FOTOS

Odair de Souza, de 46 anos, conta que resgatou a substância valiosa enquanto caminhava pela praia de Imbituba, no Sul do Estado; profissionais avaliam chances

Santa Catarina tem mais um candidato a milionário na “loteria do vômito de baleia”. Depois das notícias dos sortudos que encontraram a substância valiosa na Tailândia, um leitor entrou em contato com o ND+ afirmando ter encontrado o âmbar cinza em praia catarinense.

Odair de Souza, de 46 anos, é morador de Imbituba, no Sul do Estado. Ele conta que encontrou o objeto enquanto caminhava pela praia de Itapirubá e chegou à conclusão de que seria o “vômito de ouro” após testes e comparações.

Garçom de Imbituba afirma ter encontrado “vômito de baleia” na praia de Itapirubá – Foto: Arquivo Pessoal/NDGarçom de Imbituba afirma ter encontrado “vômito de baleia” na praia de Itapirubá – Foto: Arquivo Pessoal/ND

“Após pesquisar bastante na internet sobre isso, fazer os testes para ver se era real mesmo, eu mesmo cheguei à conclusão de que era, não levei a profissional nenhum. Porque tem todas as semelhanças, então eu concluí”, diz Odair.

O homem que trabalhava como garçom até o início da pandemia relata que se deparou com o objeto em uma rotineira caminhada pela praia. “Estava só passeando”.

Odair de Souza complementa que já havia lido sobre o assunto em matérias do ND+, e logo teve a suspeita de que se tratava do âmbar cinza.

“Quando eu vi, eu já tinha conhecimento do que era porque já tinha lido sobre. Então eu peguei e trouxe para casa, já sabendo o que era. Só não sabia sobre valores”.

Confira as fotos:

Morador do Sul do Estado suspeita que encontrou o âmbar gris - Arquivo Pessoal/ND
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Morador do Sul do Estado suspeita que encontrou o âmbar gris - Arquivo Pessoal/ND
Segundo ele, a substância estava na praia de Itapirubá, próximo às dunas - Arquivo Pessoal/ND
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Segundo ele, a substância estava na praia de Itapirubá, próximo às dunas - Arquivo Pessoal/ND
Ele teria comparado o objeto que encontrou com imagens da internet - Arquivo Pessoal/ND
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Ele teria comparado o objeto que encontrou com imagens da internet - Arquivo Pessoal/ND
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"Após pesquisar bastante na internet sobre isso, fazer os testes para ver se era real mesmo, eu mesmo cheguei a conclusão de que era, não levei a profissional nenhum. Porque tem todas as semelhanças, então eu concluí", disse - Arquivo Pessoal/ND

O que dizem os profissionais sobre a suspeita?

O pesquisador e professor de Oceanografia da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) André Barreto foi consultado pela reportagem para analisar o objeto.

“Por causa da veiculação de notícias sobre pessoas que possivelmente encontraram pedaços de âmbar cinza [ou ‘ambergris’], muitas pessoas acabam por achar que todo material diferente encontrado nas praias pode ser isso”, alerta o profissional.

Segundo ele, uma análise inicial somente pelas imagens não possibilita nenhuma confirmação de que se trata realmente do âmbar cinza.

“O material que foi apresentado nas fotos não tem características de âmbar cinza, pois tem uma serie de blocos negros no interior. O que se relata do âmbar cinza é que é algo mais homogêneo e que no máximo terá bicos de lula em seu interior”.

Ele ressalta, porém, que a principal dica neste caso é realizar alguns testes.

“Eu nunca vi pessoalmente um pedaço de âmbar cinza e meu conhecimento vem de artigos publicados sobre o material. O que se relata é que é um material que flutua na água, com textura que parece de argila quase seca, e que possui um odor que pode ser desagradável (quando fresco), mas que se torna agradável na medida em que vai maturando”, explica.

“Como é um material oleoso, um teste que pode ser feito é aquecer um pedaço de arame e encostar no material. O âmbar cinza verdadeiro tem de derreter e virar um líquido opaco, que ao secar ficaria grudento”, complementa.

Laboratórios para testes

André Barreto reforça que existem laboratórios no Brasil para a identificação da substância, inclusive em Santa Catarina.

“A identificação do âmbar cinza pode ser feita através de uma técnica chamada espectrometria de massa e existem diversos laboratórios no Brasil que poderiam fazer isso, incluindo a Univali”, conta.

Confirmar que realmente se trata do âmbar gris, no entanto, pode ser um desafio. Paulo Simões Lopes, professor de Ecologia e Zoologia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), ressalta que o âmbar gris não é facilmente reconhecido.

“Não dá para extrair DNA disso. É difícil de identificar esse material, porque é muito raro, ninguém tem outro para comparar. E hoje em dia é mais difícil ainda, depois da caça das baleias, tem cada vez menos”.

Mas Simões ressalta que na própria UFSC, em Florianópolis, também há laboratórios químicos “bem avançados” para realizar uma análise.

Odair de Souza afirma que até o momento não consultou profissionais, mas está disposto a enviar amostras do objeto para identificá-lo.

Suposto “vômito de baleia” encontrado em Itajaí

No início do mês, um morador de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, apareceu informando que acreditava ter encontrado âmbar cinza na praia de Cabeçudas.

O homem, que prefere não se identificar, contou que pratica detectorismo como hobby, prática de encontrar objetos com o auxílio de detector de metais, e que encontrou o material há alguns meses.

Pesquisador da Univali diz que é possível ser o âmbar cinza, “vômito” valioso de baleia, mas é necessário mais pesquisas – Foto: Arquivo Pessoal/NDPesquisador da Univali diz que é possível ser o âmbar cinza, “vômito” valioso de baleia, mas é necessário mais pesquisas – Foto: Arquivo Pessoal/ND

“O mar estava bem agitado, tinha ressaca, e eu estava bem perto das ondas. Do nada o mar jogou a pedra praticamente nos meus pés. Era uma pedra diferente, mais leve, e na hora pensei que poderia ser o vômito de baleia”, disse o rapaz.

O material foi levado ao laboratório da Univali, onde o próprio professor André Barreto chegou a verificá-lo brevemente.

“Ele trouxe esse material aqui no laboratório. É possível que seja, mas precisaria de uma análise por alguém que tivesse mais experiência para ter certeza”, destacou o pesquisador.

No entanto, o morador de Itajaí não voltou a enviar a substância para mais análises. Ele mantém o objeto em sua casa.

Existem chances do ‘vômito de baleia’ aparecer em SC?

De acordo com o professor de Ecologia e Zoologia Paulo Simões Lopes, até existem baleias cachalotes, responsáveis por expelir o âmbar cinza, na costa brasileira, mas há um fator geográfico que tem grande influência no assunto.

“Em toda aquela costa entre a Tailândia e o Japão há uma costa abissal, ou seja, o oceano é muito fundo pertinho da praia, desce verticalmente. E as baleias cachalotes gostam desse oceano fundo, então por lá elas acabam transitando muito perto da areia. Dessa forma, quando o âmbar cinza flutua, ele acaba por vezes indo parar na praia”, salienta Simões.

O caso de Santa Catarina é diferente:

“Aqui é muito mais difícil de a substância aparecer. Isso porque elas ficam a uma distância de mais de 180 km da costa, não tem baleias cachalotes mais perto. É uma viagem grande, o que torna essa chegada muito mais difícil”, conclui.

Relembre os sortudos na Tailândia

O caso mais recente foi da dona de casa Siriporn Niamrin, de 49 anos. Ela encontrou um grande bloco de vômito de baleia na província de Nakhon Si Thammarat, na Tailândia.

“Foi sorte encontrar uma peça tão grande. Espero que me traga dinheiro. Estou mantendo-o seguro em minha casa e pedi ao conselho local uma visita para verificá-lo”, disse Siriporn ao site The Sun.

Vômito de baleia faz de uma dona de casa milionária – Foto: ReproduçãoVômito de baleia faz de uma dona de casa milionária – Foto: Reprodução

Em 2019, o sortudo da vez foi um catador de lixo, que encontrou o vômito enquanto “garimpava a praia”.

Catador de lixo mostra a fonte de sua fortuna – Foto: ReproduçãoCatador de lixo mostra a fonte de sua fortuna – Foto: Reprodução

Já no início de 2021, um grupo de pescadores de tainha percebeu uma forma branca no meio das ondas, em direção à praia, enquanto empurrava o barco para a doca. Chalermchai Mahapan encontrou um pedaço de vômito de baleia avaliado em até R$ 1,2 milhão.

“Eu não tinha ideia do que era essa coisa até que perguntei aos aldeões idosos aqui, que me informaram sobre o âmbar gris”, disse Mahapan ao Daily Mail.

Uma amostra da pedra foi enviada a um laboratório, que confirmou a composição da matéria. “Sinto-me muito sortudo por tê-lo encontrado”, celebrou o agora milionário Mahapan.

Chalermchai Mahapan, de apenas 22 anos, ficou rico de dar nojo – Foto: ReproduçãoChalermchai Mahapan, de apenas 22 anos, ficou rico de dar nojo – Foto: Reprodução
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