VÍDEO: Possível ‘vômito de baleia’ é achado em Florianópolis e UFSC avalia análise inédita

Material encontrado em praia de Florianópolis passou por dois testes caseiros e pode ser submetido à análise; laboratório da UFSC avalia viabilidade

Alexandre era uma dos inúmeros praieiros ansiosos que visitaram as praias de Florianópolis com o retorno dos dias ensolarados na última semana. No domingo (21) encontrou na praia do Campeche uma substância que desconfia ser o âmbar cinza, popularmente conhecido como ‘vômito de baleia’.

Ele contatou a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que agora avalia a possibilidade de análise do material. O âmbar cinza é de extremo valor pois é usado para a fabricação de perfumes de luxo. Pelo menos três pessoas ficaram milionárias na Tailândia ao encontrá-lo.

Suposto vômito de baleia encontrado em Florianópolis pode ser analisado pela UFSCSuposto ‘vômito de baleia’, objeto encontrado por Alexandre passará por análise na UFSC – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Alexandre, morador da região continental de Florianópolis e que pediu para não divulgar o sobrenome por segurança, tomou conhecimento da ‘loteria do vômito de baleia’ ao ler as inúmeras histórias de possíveis sortudos no ND+. 

Quando chegou ao Campeche com os filhos colocou a cadeira na areia e ficou curtindo o sol. “A praia estava lotada mas ninguém tinha percebido o objeto. Parece que algumas pessoas passaram por cima dele porque ele estava meio enterrado”, contou.

A localização privilegiou: o material estava ao lado de onde sentou. Ao lembrar das histórias, decidiu levar o possível vômito de baleia para casa.

Entre segunda e quinta-feira (25) Alexandre realizou dois testes caseiros que achou em uma página específica sobre o âmbar cinza. O objetivo é certificar se um material ainda não identificado tem as características físicas da substância cobiçada.

Testes

O primeiro teste consistia em verificar se o objeto flutuava na água. Alexandre colocou o suposto vômito de baleia para boiar no mar e deu certo: o material achado na praia de Florianópolis não afunda, tal como o âmbar cinza.

Já o segundo recomendava encostar um alfinete quente para ver se o objeto “derrete” com facilidade – o ‘vômito de baleia’ (que, aliás, não é de fato um vômito) vira líquido em temperaturas não muito altas. O resultado está no vídeo abaixo. “Parece uma cera”, conta Alexandre.

Morador fez teste com material encontrado em praia – Vídeo: Arquivo Pessoal/ND

Como a comprovação final depende de análise técnica, o morador contatou o laboratório de Via Úmida, do departamento de Química da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Uso de equipamentos, forma de análise e período são agora estudados pela instituição.

“A UFSC informa que recebeu o pedido de análise da substância e declara neste momento que está analisando a possibilidade de realizar os testes em sua Central de Análises, do Departamento de Química”, informou a universidade em nota.

Apesar de estar animado com o possível presente de Natal, Alexandre também está desconfiado. “Eu não boto muita fé, apesar de ter muitas características semelhantes”,  conta o morador. O produto tinha cerca de 800g quando foi coletado por Alexandre.

‘Vômito de baleia’ é difícil de ser encontrado

O receio faz sentido pois não é comum encontrar a substância no Brasil. Ela é produzida no intestino da baleia cachalotes, espécie que também vive na costa brasileira. Mas, como explicou reportagem do ND+, as espécies estão muito longes da costa brasileira – a cerca de 180km.

O cardápio das cachalotes favorece a produção do âmbar cinza: o animal se alimenta de lulas gigantes, que proporcionam a criação da substância. Isso porque o biquinho das lulas não é totalmente digerido pelas baleias.

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