Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Entrevista: Francis Bernardo

Ela deixou a medicina veterinária para assumir com o marido, Luiz Bernardo, a direção da Casacor SC, em 2016, e já soma sete mostras de arquitetura, paisagismo e design de interiores no Estado

Foto: Carlos Alves/Divulgação/NDFoto: Carlos Alves/Divulgação/ND

Filha de médico, nascida em Tenente Portela (RS) e criada em Porto Alegre desde os três anos, ela praticava hipismo à tarde enquanto frequentava a escola pela manhã. Já estudando economia à noite, na PUC (Pontifícia Universidade Católica), passou a auxiliar a mãe no administrativo de sua loja de decoração, em horário comercial.

Porém, depois de concluir mais metade do curso, rendeu-se à paixão pelos animais e entrou para a faculdade de medicina veterinária na Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), em Canoas, região metropolitana da capital gaúcha. Formada em 2002, abriu uma clínica no ano seguinte, tendo se dedicado por 13 anos a este ramo.

Em 2016, Francis vendeu o estabelecimento que atendia cães e gatos e se mudou com o marido, Luiz Bernardo, e as filhas, Isabella (21) e Paola (13), para Florianópolis, onde, desde então, são franqueados da Casacor SC, a maior mostra de arquitetura, paisagismo e design de interiores das Américas.

Foste atleta premiada de hipismo na adolescência. Ainda praticas o esporte em Florianópolis?

Fiz hipismo dos 12 aos 18 anos. Cheguei a ser campeã na categoria Junior 3, saltava um metro. Amo animais, mas cavalos são minha verdadeira paixão. Em 2018, minhas filhas começaram a montar na Sociedade Hípica Catarinense. Então, voltei a ter contato com cavalos. No ano seguinte, passaram a ter um professor particular, mas a Paola acabou desistindo do hipismo (monta só eventualmente). Já a Isabella é tão apaixonada quanto eu. No início deste ano, comecei a montar também, e estou adorando.

Tens cavalos e outros animais?

Atualmente, temos dois cavalos na hípica, vários cães, dois gatos, além de passarinhos e peixes (risos).

A veterinária ficou definitivamente para trás? Existe a possibilidade de voltares a exercê-la, ainda que de outra forma?

Desde 2016, a veterinária ficou para trás. Eventualmente, faço algum procedimento em algum dos nossos animais ou auxilio algum amigo com seu animalzinho. Minha filha Isabella está cursando veterinária. Então, às vezes, ajudo com alguma coisa nos estudos.

Foto: Carlos Alves/Divulgação/NDFoto: Carlos Alves/Divulgação/ND

Como a franquia da Casacor SC chegou às suas mãos?

Nossa família conhecia o Lucas Petrelli, franqueado anterior a nós. Numa ocasião (metade de 2015, mais ou menos), o Luiz voltava de Curitiba e parou para almoçar em um restaurante de Itapema, onde encontrou o Lucas, o qual comentou que iria mudar de vida, etc. Foi então que nos “candidatamos” a assumir a franquia em Santa Catarina. Passamos por uma seleção com o franqueador (Editora Abril) e, em janeiro de 2016, fomos “nomeados” franqueados.

Então, vocês se mudaram especificamente para assumir a franquia?

Todo gaúcho ama Santa Catarina. Nós sempre passamos as férias de verão aqui e sempre sonhamos em mudar para cá. Lembro bem que era nosso primeiro dia de férias, estávamos indo para a praia, quando recebemos o telefonema informando que seríamos os franqueados. Na mesma hora, mudamos de roupa e já fomos procurar casas para morar e para fazer a Casacor, ficamos muito empolgados. No primeiro semestre de 2016, ficamos indo e voltando de Porto Alegre e, nesse mesmo período, vendi minha clínica, vendemos nossa casa e compramos uma em Santo Antônio de Lisboa. Tudo deu muito certo!

Luiz Bernardo e Francis – Foto: Carlos Alves/Divulgação/NDLuiz Bernardo e Francis – Foto: Carlos Alves/Divulgação/ND

Mas a Casacor já fazia parte das vidas de vocês por intermédio de tua mãe, Marina Nessi.

Ela iniciou como franqueada no Rio Grande do Sul, em 1992 (foi até 2006); em 1994, assumiu no Paraná (é até hoje); e, em 1996 e 1997, foi franqueada de Santa Catarina. Em 1997, ela também fez Casacor Punta Del Este. Nesse ano, chegamos a ter quatro edições da mostra (Porto Alegre, Santa Catarina, Curitiba e Punta). Era uma loucura (risos). Luiz começou a trabalhar com ela em 1994/1995, e se apaixonou por Casacor.

Dizes que não imaginavas entrar nesta área, tão distinta da qual atuavas, apesar da proximidade. Como foi a adaptação a este universo na prática?

Apesar de ser uma área distinta da veterinária, sempre convivi com Casacor. Nos nossos almoços de domingo, sempre se falou em Casacor. Na verdade, a todo momento se falava em Casacor (mãe e marido trabalhando juntos não poderia ser diferente). Casacor está envolvida na minha vida há quase 30 anos. Outro ponto é que, desde a loja da mãe, onde eu auxiliava no administrativo, mais tarde na minha clínica, onde eu, além de veterinária, administrava totalmente, isso me deu “cancha” para hoje administrar a Casacor SC.

Da esq. para dir.: Marina Nessi, Luiz Bernardo e Francis (diretores da Casacor SC), Paola Bernardo (sentada), Isabella Bernardo e Samer Kayali – Foto: Carlos Alves/Divulgação/NDDa esq. para dir.: Marina Nessi, Luiz Bernardo e Francis (diretores da Casacor SC), Paola Bernardo (sentada), Isabella Bernardo e Samer Kayali – Foto: Carlos Alves/Divulgação/ND

Já houve sob tua direção quatro edições em Florianópolis (2016-2019), duas em Balneário Camboriú (2017 e 2019) e uma em Itapema (2018). Há prospecção de levar o evento a outras regiões do Estado?

Nosso compromisso contratual contempla atender a Capital e também alguma cidade que apresente um mercado imobiliário pujante. Nesses últimos anos, focamos na Costa Verde Mar.

As mostras 2020 ocorreriam, inicialmente, de julho a agosto, em Itapema, e de setembro a novembro, na Capital. Com a pandemia, os eventos precisaram ser repensados. O que ficou definido?

Certamente, o projeto Casacor está sendo repensado, mantendo a sua vocação e missão originais e buscando as adaptações necessárias para se apresentar como uma mostra que ofereça segurança ao seu público. Da mesma forma, estão sendo estudadas novas plataformas digitais para ampliar o alcance da mostra e facilitar as vendas dos nossos fornecedores e apoiadores.

Em Itapema, todos os profissionais estão focados no tema “A Casa Original”, mas, agora, com um olhar e uma reflexão sobre a casa do futuro que vem aí. Provavelmente, será entre setembro e outubro. Em Floripa, apesar de já termos anunciado o endereço, ainda não abrimos para comercialização. O que já sabemos é que deverá ocorrer no verão de 2021.

Graziela de Caroli (centro), gerente de franquias da Casacor, com os diretores da mostra em Santa Catarina, Francis e Luiz Bernardo – Foto: Carlos Alves/Divulgação/NDGraziela de Caroli (centro), gerente de franquias da Casacor, com os diretores da mostra em Santa Catarina, Francis e Luiz Bernardo – Foto: Carlos Alves/Divulgação/ND

Quais foram os fatores que pesaram mais nas decisões?

Estamos vivendo um mundo totalmente novo. Há ainda muitas incertezas, mas estamos em linha direta com a direção da marca e os demais franqueados, pesquisando soluções que se façam necessárias para oferecermos uma mostra que seja segura e eficiente.

Foi cogitada a hipótese de as obras serem executadas da mesma forma para tour virtual e permanecerem montadas por mais um tempo até que fosse possível a visitação presencial?

Não. A Casacor tem como missão uma mostra que proporcione a experiência física. Nosso negócio faz o marketing experimental. Um tour virtual será um complemento para atingir pessoas que eventualmente não possam visitar. A visita à mostra em todas as suas edições tem sido uma experiência imperdível e insubstituível.

Serão quantos ambientes em Itapema?

Com a pandemia, acabamos redimensionando a mostra. Teremos de 20 a 25 ambientes. Ocorrerá no prédio Le Premier e será, provavelmente, “la premier” Casacor 2020 do Brasil.

Foto: Carlos Alves/Divulgação/NDFoto: Carlos Alves/Divulgação/ND

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