Jardim Estar, no agora e no verde: Os ambientes da CASACOR / Santa Catarina

Embelezando a parte frontal da casa principal, espaço de Ana Trevisan conecta ambientes com a natureza, em meio à arte e a tons lúdicos e inspiradores

Jardim Estar, por Ana Trevisan - Foto/Mariana Boro
Jardim Estar, por Ana Trevisan – Foto/Mariana Boro/ ACasaa

Este ano, a profissional Ana Trevisan veio para a CASACOR / Santa Catarina com um desafio: criar um ambiente em uma área inclinada de 300 m², conhecida como talude, que muitas vezes é considerada um problema nas edificações. “Assim surgiu nosso espaço, o Jardim Estar, que conecta as edificações externas à entrada da construção principal. Para este trabalho trouxemos toda bagagem e expertise do nosso escritório, focado em projetos de áreas externas, para a concepção e criação do espaço. Buscamos inspirações em jardins de taludes onde a permanência e a experimentação fizesse parte do ambiente externo”, conta Ana.

A expert conta que o ponto de partida para a integração dos ambientes da mostra foi criação de uma escada ampla com patamares irregulares e moldada no local. “Para tanto, trouxemos uma referência da arquitetura modernista: o concreto bruto, que em sua forma nua e crua (sem pintura nem revestimento) enaltece a beleza do imperfeito, na essência da sua forma”, diz.

“Acreditamos que, mesmo sendo um espaço inclinado de passagem, o local poderia ser um belo convite ao passeio. Por isso, em um dos degraus criamos um prolongamento que forma um banco, convidando as pessoas para uma pausa: Estar, relaxar, sentar e apreciar os sons, movimentos, cores e texturas do jardim”, observa.

Composição vegetal apurada

A vegetação entrou de forma orgânica, invadindo os degraus. A escolha de espécies vegetais tropicais para composição dos canteiros levou em consideração as indicações para projetos desenvolvidos em áreas inclinadas. “Exploramos a composição vegetal de mesmas famílias ou por similaridade no aspecto (Fórmios, Liríopes, Dianellas, Cicas e Dracenas), trabalhando as alturas, texturas e contrastes das cores das folhagens: verde, variegata e rubro”, explica Ana Trevisan.

No jardim também está a paleta de azuis nos pufes, no balanço e na obra de arte que, combinados com os tons utilizados nas plantas, trazem uma proposta contemporânea. O posicionamento das plantas em canteiros de linhas curvas permeia a escada e as bordas do espaço. “Destaque para as espécies adultas de Cycas circinallis, com beleza elegante e escultural, que ganhou atenção especial, formando um conjunto de 9 indivíduos com troncos simples e duplos”, observa a profissional.

Arte no jardim

 Marta Berger criou a escultura “Abstração de um olhar” que dá as boas-vindas aos visitantes. Uma criação tridimensional e com movimento, confeccionada em módulos de compensado naval. A peça é uma desconstrução da paisagem, inspirada nas curvas, insinuando a baía de Santo Antônio, na agua do mar, na areia, nos morros verdes e no céu.

“Gostamos muito de trazer artistas para compor o espaço: Andrey F., poeta, escritor, compositor e cantor, criou uma série de poesias concretas que emocionam e relatam a essência do Jardim Estar. Estas estarão presentes nos cards de divulgação e nas nossas redes sociais”, conta Ana Trevisan.  

O projeto de Camila Petersen e Fábio Yokomiz, “Somos Parte da Paisagem” traz, na forma de lambe-lambe aplicada nos degraus da escada, histórias reais que se conectam com o bairro de Santo Antônio de Lisboa, provocando um olhar sensível e afetivo sobre o local. Essa ação nos lembra de que a cidade é feita primordialmente de pessoas e de suas histórias, sejam elas bonitas, trágicas, engraçadas ou por vezes, banais.

Recanto com balanço para ver a paisagem

“Na parte superior planejamos o espaço embaixo das únicas árvores que já estavam presentes antes da nossa intervenção: dois exemplares de Espatodeas (Spathodea campanulata). Um recanto aconchegante onde o balanço em madeira relembra a infância e os pufes convidam para a permanência. O charme, ou cereja do bolo, fica com as casinhas de passarinho.

O projeto luminotécnico destaca a escada, onde foram acoplados aos degraus perfis metálicos associados às fitas de LED resistentes à umidade, para indicação e iluminação da passagem. Para o restante do Jardim foi criada uma luz agradável aos visitantes com o cuidado de não causar danos à vegetação. “O objetivo foi minimizar o posicionamento de fachos concentrados que interferem na vida das plantas e prejudicam seu desenvolvimento”, explica Ana.

Na circulação foram dispostos balizadores com 80 cm de altura, para que estes iluminem de cima e por igual, orientando o caminho. Nas árvores maiores foram posicionados up-lights para destaque das copas, possibilitando também uma sensação de monumentalidade.

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Arquitetura e Decoração