A final “inglória” no Leste coloca Boston Celtics e Miami Heat frente a frente

Depois de derrubar os dois favoritos à Estearn Conference Finals, Celtics e Heat farão verdadeiro “jogo de xadrez” para chegar à grande final da NBA

Contrariando projeções, estatísticas e os discursos de “a final do Leste já está definida, será Bucks e Raptors”, Boston Celtics e Miami Heat venceram dentro de quadra, calaram os críticos fora dela e começam, nesta terça-feira (15), a batalha da grande final da Conferência Leste. A “final inglória”.

Na temporada regular, Celtics e Heat duelaram durante meses pela seed 3 – Foto: NBA/Divulgação

De um lado, o Miami Heat não precisou de muito esforço para despachar a franquia de melhor campanha do Leste na temporada regular e mandar embora o MVP Giannis Antetokounmpo. Com um assombroso 4 a 1 na série, a equipe comandada pelo treinador Erik Spoelstra abriu a porta da bolha para o Milwaukee Bucks retomar o caminho de Wisconsin.

Já do outro, não faltou emoção. Na batalha entre o maior e o atual campeão, prevaleceu a história do Celtics, mas não sem antes levar o torcedor celta à exaustão. Depois de abrir 2 a 0 na série e ver o Raptors renascer com uma bola trabalhada restando 0.5 no cronômetro, o Celtics carimbou a passagem para a final em um emocionante jogo 7.

Desacreditado durante a temporada regular, o Heat é a equipe que menos perdeu nos playoffs, com apenas um revés. Liderado por Jimmy Butler dentro de quadra, o time tem no coach Spoelstra o mapa para o pote de ouro no fim do arco íris. Já são dois títulos (2012 e 2013) e dois vices (2011 e 2014) na conta do coach que quer levar o Miami às finais da NBA após seis anos.

Nem o peso de ser a franquia mais vitoriosa da NBA fez com que colocassem o Boston entre os favoritos a qualquer êxito nesta temporada. Depois da saída conturbada de Kyrie Irving parecia que as coisas demorariam mais para voltar aos “trilhos”, mas a chegada do apaziguador Kemba Walker, o salto de Jayson Tatum e Jaylen Brown, a “alma celta” pulsante de Marcus Smart, a grata surpresa estampada em Daniel Theis e a inteligência de Brad Stevens fizeram a falta de confiança se transformar em resultado jogo após jogo e cabe ao coletivo desse time a missão de levar o Celtics ao título após 12 anos de jejum.

Equilíbrio deve ser a palavra de ordem em uma série com duas equipes com um jogo coletivo muito forte e peças que podem desequilibrar em momentos de intensidade. Contrariando uma das principais desconfianças, a defesa, o Celtics chega para a final do Leste com a melhor eficiência defensiva dos playoffs: 101,9 pontos sofridos por 100 posses de bola. Além disso, é a equipe que menos cedeu pontos na linha do perímetro, com uma média de 11,1 pontos e um aproveitamento de apenas 30,5% para seus adversários. A forte defesa celta surpreendeu até mesmo seus torcedores que tinham, entre as carências, o setor defensivo.

Matchups equilibrados devem tornar a série um verdadeiro jogo de xadrez para Brad Stevens e Erik Spoelstra – Foto: NBA/Divulgação

Já o Heat, além de ser o terceiro em eficiência defensiva, é o quarto em eficiência ofensiva, com 112,9 pontos marcados a cada 100 posses. Logo atrás da franquia de Boston, o Heat é a segunda equipe que menos sofreu bolas de três pontos, com uma média de 11,3 pontos e limitando o aproveitamento adversário a 34,8% no perímetro.

O equilíbrio não se limita aos números, mas aos matchups que devem colocar, frente a frente, jogadores muito consistentes e semelhantes. Os embates que começam no garrafão entre Theis e Adebayo se espalham por toda a quadra. Enquanto Adebayo quase faturou o MIP, Theis se agigantou na série contra o Raptors e foi parte fundamental na construção da vitória na série.

Goran Dragic e Kemba Walker promete ser outro embate interessante. Nos playoffs, Dragic vem com médias importantes para as pretensões da franquia da Flórida: 21,1 pontos, 4,7 assistências e 45,8% de aproveitamento nos arremessos de quadra. Em seu primeiro playoff com o Celtics, Kemba vem oscilando durante as partidas e foi castigado com uma forte defesa do Raptors. Apesar disso, a personalidade altruísta, de liderança e de tranquilidade para assumir a responsabilidade no momento certo o fizeram chegar à final com 19,6 pontos de média, 5,3 assistências e 45,1% nos arremessos de quadra.

As defesas também devem trabalhar no limite, com defensores de elite como Marcus Smart, Jayson Tatum, Jaylen Brown, Jimmy Butler, Jae Crowder e Andre Iguodala.

Com duas equipes tão consistentes e que jogam coletivamente, os escapes devem ser as principais forças de cada time. Pelo lado celta, o talento de Jayson Tatum poderá fazer a diferença em uma série que promete muito equilíbrio. O jovem ala, que foi o principal nome da disputa contra o Raptors terá uma motivação extra: a chegada do filho Deuce. Tatum vem com média de 25,3 pontos e mais de 10 rebotes nestes playoffs. Ao seu lado, quem deve brilhar é Jaylen Brown. A dupla Jay Jay já esteve na final da Conferência em 2017, quando Tatum era rookie e Brown segundo anista. De lá para cá muita coisa mudou e a evolução da dupla na qual o Celtics aposta seus próximos banners é assustadora. A garra e o aparentemente ilimitado potencial defensivo de Marcus Smart somado a liderança de Kemba Walker e às “surpresas” Daniel Theis, Robert Williams e Grant Williams podem levar o Celtics adiante.

Dentro de quadra, um reforço pode ser o ponto de desequilíbrio da série: o retorno de Gordon Hayward. O camisa 20 retornou à bolha, foi visto aquecendo no jogo 7 e, segundo Brad Stevens, vem se sentindo bem e mostrando evolução nos treinos. A expectativa é que ele retorne em algum momento dessa final e essa volta pode mudar o rumo da série. Hayward é um playmaker de excelência e a maneira como desacelera o ataque celta pode quebrar a forte defesa que o Heat deve montar para cima da franquia de Boston.

O Heat tem armas potentes para chegar à final da NBA. Um Jimmy Butler que mostrou ser líder dentro e fora de quadra impulsiona jovens talentos como o de Tyler Herro e Duncan Robinson, atiradores de elite. Além disso, Bam Adebayo não era considerado um dos favoritos ao MIP à toa. O pivô domina o garrafão do Heat e, além de ser um ótimo defensor contribui, e muito, para o sucesso do Miami.

Outro ponto que deve pesar a favor é a qualidade dos bancários e é neste quesito que o Heat “ganha de lavada” do Celtics. Sem profundidade e apostando todas as fichas nos seus titulares e em poucas peças de rotação, os celtas têm, do outro lado, um banco mais profundo e que contribui defensivamente e ofensivamente. Não à toa, o tempo de quadra é muito mais limitado no lado de Miami. A lei do ex também pode dar as caras na série e os protagonistas podem ser Jae Crowder e Kelly Olynyk, que já se vestiram de verde.

Mas, afinal, com elencos tão equilibrados, estatísticas semelhantes e estilos de jogo tão parecidos, o que poderá, de fato, fazer a balança pender para um dos lados?

A resposta pode estar ao lado da quadra: dois dos técnicos mais inteligentes e estrategistas da Liga. Brad Stevens e Erik Spoelstra demonstraram, até agora, como a boa visão de seu jogo e do adversário pode potencializar os ajustes durante e entre as partidas e este jogo de xadrez ajustando as falhas e atacando as fragilidades adversárias deve ser o ponto alto dessa disputa que promete colocar o coração do torcedor do Miami Heat à prova pela primeira vez e testar a saúde do torcedor celta. Novamente.

Palpites ND Esportes

Drika Evarini: Boston Celtics 4 x 3 Miami Heat

Diogo de Souza: Boston Celtics 4 x 3 Miami Heat

Marcos Jordão: Boston Celtics 4 x 3 Miami Heat

Ian Sell: Boston Celtics 4 x 1 Miami Heat

Agenda de jogos

Terça-feira (15), às 19h30 – Miami Heat x Boston Celtics

Quinta-feira (17), às 20h – Miami Heat x Boston Celtics

Sábado (19), às 21h30 – Boston Celtics x Miami Heat

Segunda-feira (21), horário a definir – Boston Celtics x Miami Heat

Quarta-feira (23), horário a definir – Miami Heat x Boston Celtics*

Sexta-feira (25), horário a definir – Boston Celtics x Miami Heat*

Domingo (27), horário a definir – Miami Heat x Boston Celtics*

*Jogo ocorre caso necessário

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