Drika Evarini

adrieli.evarini@ndmais.com.br Opinião, novidades, contratações e bastidores do esporte joinvilense e muito mais. Apaixonada por futebol, basquete, futsal e tudo que envolve o mundo do esporte, está sempre atenta a tudo que acontece dentro e fora dos campos e das quadras.


Luka Doncic: o ‘Niño Maravilla’ que se transformou no talento geracional que assombra a NBA

Esloveno de 23 anos foi moldado para decisões e prova, ano após ano, o quão errados estavam os times que o “deixaram passar” no draft de 2018

Uma reunião de talentos que poucas vezes os fãs de basquete tiveram a oportunidade de ver e apreciar em um único jogador. Em um jovem, precoce, talentoso e frio jogador. Frio no bom sentido, no ótimo sentido, ao menos para quem torce por ele – para os adversários, nem tanto. Com apenas 23 anos, Luka Doncic é um fenômeno, uma aberração que esperamos ansiosamente para entrar em quadra noite após noite, um verdadeiro acontecimento daqueles que não se repetem com a facilidade e a naturalidade que ele tem nas quadras da NBA.

Luka Doncic foi “preterido” no draft de 2018 e eliminou, com requintes de crueldade, o Phoenix Suns, dono daquela primeira escolha – Foto: NBA/DivulgaçãoLuka Doncic foi “preterido” no draft de 2018 e eliminou, com requintes de crueldade, o Phoenix Suns, dono daquela primeira escolha – Foto: NBA/Divulgação

O esloveno nascido em Ljubljana, no dia 28 de fevereiro de 1999, tem uma carreira profissional que iniciou aos 16 anos, mas com a genialidade de gente grande. E ele se torna cada vez mais grande, tão grande a ponto de, aos 23 anos, todos nós, amantes do basquete, projetarmos seu nome cravado na história como um dos maiores da NBA, mas essa história que ainda tem muitos capítulos para serem escritos começou lá em 2014, na Europa, quando ele ainda era um adolescente.

“El Niño Maravilla” foi o apelido que Doncic recebeu e não foi à toa. Doncic se tornou o jogador mais jovem a estrear pelo poderoso Real Madrid e, de cara, deixou torcedores, imprensa, treinadores e adversários boquiabertos. A facilidade, naturalidade, inteligência, visão de jogo e talento fizeram com que todos se rendessem, embasbacados com o talento do jovem esloveno.

Em dezembro de 2014 teve médias de mais de 35 pontos e 7.5 rebotes, com aproveitamento superior a 80% de FG em um torneio amistoso com a seleção da Eslovênia. Nessa mesma competição Sub-16, ele anotou assombrosos 45 pontos contra a Polônia e 34 pontos em 15 minutos de quadra contra a Romênia.

Rapidamente, Doncic foi incorporado em times mais velhos e, aos 16 anos, foi eleito para o time ideal de um dos campeonatos que disputou com o Real Madrid Sub-18. Também aos 18, esteve em 67 jogos pela Euroliga e ACB. Um ano depois, foi eleito MVP das duas competições e foi inscrito para o draft da NBA.

Ao mesmo tempo que encantava o basquete europeu com o Real Madrid em ginásios lotados, com torcedores se espremendo, com bandeirões, batucadas e sinalizadores lembrando o famoso “clima de Libertadores”, Doncic enchia os olhos do mundo, tanto que foi apontado como provável primeira escolha do draft de 2018.

No entanto, a NBA tem, em sua história, muitas escolhas duvidosas e Luka Doncic não foi o número 1 daquele draft. Essa é daquelas escolhas que passe o tempo que passar, ficará marcada na história – e não na parte honrosa da história. Fato é que parece que o destino o queria em Dallas e Doncic foi apenas o terceiro nome naquela noite. Phoenix Suns e Sacramento Kings o deixaram passar.

Vale lembrar que, um mês antes do draft, o Phoenix Suns contratou Igor Kokoskov como técnico. Ele havia acabado de ser campeão do EuroBasket com a Eslovênia, treinando Luka Doncic. À época, os indícios eram claros: o Suns vai draftar o “garoto maravilha”. Não o fez. Kokoskov foi demitido e hoje é assistente técnico do Dallas Mavericks. O troco, de Doncic e de Kokoskov, veio nesta temporada.

Além deles, o Atlanta Hawks fez ainda pior. Até escolheu Luka, mas o enviou ao Dallas Mavericks em uma troca que rendeu Trae Young. Longe de mim questionar o talento alheio, mas certamente há arrependimentos pairando pelos lados de Phoenix, Sacramento e Atlanta a cada momento que Luka Doncic pisa em quadra.

Desde que colocou aquele boné na cabeça, pegou o rumo de Dallas e pisou em uma quadra da NBA, Luka Doncic faz história. Ele chegou a atuar, em seu primeiro ano, ao lado do lendário Dirk Nowitzki, que se despedia da NBA. “Rejeitado” como primeira escolha muito por não ser o norte-americano que a NBA queria para ser sua estrela naquele ano, Luka Doncic mostrou o erro em quadra e debutou na Liga com médias de 21.2 pontos, oito triple-doubles e o prêmio de Rookie Of The Year.

No segundo ano, o armador subiu sua média de triple-doubles para 17 na temporada e liderou o Mavs levando o time aos playoffs, além de ser eleito All Star. Doncic terminou a temporada com médias de 28.8 pontos, 9.4 rebotes e 8.8 assistências. Em seu segundo ano na Liga.

Na atual temporada, mais uma vez o esloveno assombra os amantes do basquete. Quinto na votação para o prêmio de MVP, aos 23 anos, Doncic não apenas levou o Mavs novamente aos playoffs, como quebrou um jejum da franquia, que não vencia uma série de pós-temporada há 11 anos. E ele fez mais. Levou o time à final do Oeste após uma série novamente assombrosa contra um Phoenix Suns tido, por muitos, como favorito. Luka Doncic despachou o time de melhor campanha em toda a NBA na temporada regular sendo melhor em todos os fundamentos. Absolutamente todos.

Doncic liderou todas as estatísticas na série contra o Phoenix Suns, time de melhor campanha na temporada regular – Foto: NBA/DivulgaçãoDoncic liderou todas as estatísticas na série contra o Phoenix Suns, time de melhor campanha na temporada regular – Foto: NBA/Divulgação

Na série de sete jogos, Luka Doncic somou 228 pontos contra 164 do maior pontuador do Suns, Devin Booker. Foram 69 rebotes contra 57 de Deandre Ayton, 49 assistências contra 40 de Chris Paul e 15 steals contra 9 de Mikal Bridges, o melhor defensor do Suns e segundo na votação para DPOY.

Luka Doncic dominou completamente a série e, no jogo 7, sacramentou sua superioridade e deixou ainda mais claro ao mundo sua grandeza. No intervalo de jogo, Luka Doncic tinha 27 pontos, os mesmos 27 pontos que o Phoenix Suns, inteiro.

Luka Doncic é um acontecimento e tem carregado o Dallas Mavericks por mares revoltos. Desde que chegou, o esloveno não tem tido um elenco de apoio capaz de tornar sua vida menos atribulada. Apesar de, em um jogo ou outro, os “coadjuvantes” conseguirem contribuir, o Mavericks é, em sua essência, Luka Doncic e companhia e, ainda assim, escalou até a final da Conferência Oeste contra todas as probabilidades e apostas. O talento do armador é geracional e não há como discutir isso.

Os números falam por si, as estatísticas entregam o que ele faz em quadra e, mais do que números frios, seu talento para controlar a bola, para dar fluidez ao jogo, para montar ações de ataque, para movimentar a bola e encontrar passes em espaços improváveis, sua visão de jogo e de movimentação ofensiva e defensiva, tudo isso faz de Luka Doncic um nome que está acima, bem acima de quem esteve, naquele 21 de junho de 2018, à sua frente.

A discussão em torno de Luka Doncic não é mais sobre o que ele pode ser na NBA, sobre seu futuro. Ele já é. Ele já faz. Agora, o que todos esperam é para saber quando. Quando Doncic receberá seu MVP. Quando será campeão. E, no que depender do esloveno que foi criado em quadras sob pressão sem sentir em nada o peso dela, não vai demorar muito, afinal, Doncic é precoce. Desde sempre.

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