Drika Evarini

adrieli.evarini@ndmais.com.br Opinião, novidades, contratações e bastidores do esporte joinvilense e muito mais. Apaixonada por futebol, basquete, futsal e tudo que envolve o mundo do esporte, está sempre atenta a tudo que acontece dentro e fora dos campos e das quadras.


Técnico da seleção feminina de basquete: ‘Joinville transformou minha carreira’

Técnico da Seleção Brasileira e do Petro Luanda, de Angola, venceu tudo com o Flamengo, mas foi em Joinville que iniciou a carreira no NBB e “alavancou” trajetória

Multicampeão nacional, internacional, técnico da Seleção Brasileira Feminina, treinador na Angola e eleito o técnico do ano da BAL (Basketball Africa League), Liga chancelada pela NBA. A trajetória de José Neto no basquete é de vitórias, mas a palavra que define a história é reconstrução. E foi em Joinville, em 2011, que as portas começaram a se abrir para o treinador que acumula títulos e conquistas pessoais e profissionais.

técnico da seleção brasileira, José Neto ergue troféu José Neto, treinador da seleção feminina, foi eleito o técnico do ano da Basketball Africa League – Foto: The BAL/Divulgação/ND

“Joinville representa transformação para mim, transformou minha carreira. Foi dali que eu tive oportunidade de ir para o Flamengo e que tudo mudou”, fala.

José Neto desembarcou em Joinville em um momento delicado do basquete e da própria vida pessoal, mas a passagem dele pela cidade alavancou a carreira de quem já havia iniciado em 1992, passado por clubes e seleções de base.

Na memória, momentos marcantes de um projeto que estava em reconstrução após a saída de Alberto Bial, jogadores consagrados e patrocinadores. “Eu lembro muito que quando eu cheguei, nós íamos jogar no Cau Hansen, antes era no Ivan Rodrigues e sempre lotava, mas porque era menor, quando eles falaram que o jogo seria no Cau Hansen eu entrei e falei: como vamos encher esse negócio aqui?”, lembra. Não só encheu como um telão teve que ser instalado do lado de fora em um dos jogos épicos contra o Pinheiros.

De Joinville, José Neto foi para o Flamengo, onde conquistou tudo que poderia, NBB, Carioca, Liga das Américas, Copa Intercontinental, tudo. Mas, Joinville ficou marcada na memória e na história do treinador. “Vou ser bem sincero que se não fosse o Flamengo eu não sei se sairia de Joinville. Eu estava muito feliz, foi uma cidade que me acolheu muito, me deu uma oportunidade, tenho muita gratidão por Joinville, da maneira como me acolheram”, diz.

A ida ao Flamengo era inevitável, afinal, é uma equipe gigante do basquete e onde José Neto sabia que a “briga” por títulos seria real. E foi exatamente esse desafio que o motivou, mais um momento de transformação em sua trajetória. “Fui muito mais com a ideia de fazer um desafio para mim mesmo, sempre quis ter um time que disputava títulos, eu queria ver minha capacidade. E fizemos toda essa trajetória”, lembra. Em 2020, ele recebeu uma homenagem e tanto: foi o eleito o maior treinador da história do NBB.

Do Brasil, José Neto embarcou em mais uma aventura: o basquete no Japão. Depois de vencer tudo que poderia com o Flamengo, o treinador aceitou o desafio de pisar em um terreno pouco convencional para a modalidade treinando o Levanga Hokkaido e, do país asiático, o aprendizado que foi fundamental em 2019, quando assumiu a Seleção Brasileira Feminina.

Depois de treinar a Seleção Masculina, José Neto aceitou o desafio de ser o treinador da Seleção Feminina principal - CBB/Divulgação/ND
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Depois de treinar a Seleção Masculina, José Neto aceitou o desafio de ser o treinador da Seleção Feminina principal - CBB/Divulgação/ND
Apesar da não classificação para o Mundial, José Neto destaca a evolução do trabalho estrutural da Seleção - CBB/Divulgação/ND
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Apesar da não classificação para o Mundial, José Neto destaca a evolução do trabalho estrutural da Seleção - CBB/Divulgação/ND
Atualmente, José Neto treina a Seleção Brasileira e o Petro Luanda, de Angola - CBB/Divulgação/ND
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Atualmente, José Neto treina a Seleção Brasileira e o Petro Luanda, de Angola - CBB/Divulgação/ND

“Eu cheguei ao Japão querendo fazer do meu jeito e é um erro. Eu quis impor algumas coisas que não faz parte da maneira deles e foi um grande erro. Deu errado naquele momento, mas acabou me dando a oportunidade de aprender e não cometi esse mesmo erro quando fui para o feminino”, admite.

Depois de ter passado pelas categorias de base da seleção masculina, José Neto foi convidado para outro grande desafio: a Seleção Feminina. E desde 2019, o trabalho tem sido intenso e desafiador. Com uma lacuna de vitórias, resultados expressivos e gestão responsável para disseminação do esporte desde a base com estrutura para fomentar e potencializar os talentos do país, José Neto assumiu a responsabilidade com carta branca e autonomia para trabalhar.

“Uma das coisas que eu coloquei para aceitar, sabendo da maneira que estava e que seria difícil ter um resultado internacional expressivo rápido era autonomia para que eu pudesse fazer a gestão e eles honraram muito o que prometeram, permitiram que eu trabalhasse da maneira que eu quisesse”, conta.

Ainda que as classificações para Olimpíadas e Mundial ainda não tenham se tornado realidade, o treinador ressalta a importância das ações que foram implementadas a fim de estruturar novamente a seleção. “É uma engrenagem isso, não é só o lado esportivo, são vários aspectos, investimento, administrativo, tudo tem que evoluir”, salienta.

Em paralelo, outro desafio na vida do técnico: o basquete angolano. Há duas temporadas no Petro Luanda, José Neto coleciona conquistas importantes em um continente que tem o basquete como modalidade popular. Não é à toa que, além de inúmeros projetos, a NBA chancela a competição no continente. A BAL é um produto da NBA e, neste ano, além de levar o time à final, José Neto conquistou um título “pessoal”. Foi eleito o técnico do ano depois de ter colocado o time entre os quatro no primeiro ano e conquistar o vice na segunda temporada.

José Neto chegou ao continente logo após a primeira pausa devido à pandemia da Covid-19 e, além do Petro Luanda, também treinou a seleção angolana em duas janelas da FIBA (Federação Internacional de Basquete), classificando a Angola para o AfroBasket.

Para um treinador brasileiro, trabalhar fora do país já significa quebrar algumas barreiras, conquistar um prêmio de técnico do ano, ainda mais e, nessa trajetória, José Neto tem, ainda, a experiência de participar da Summer League da NBA com o Brooklyn Nets, oportunidade que surgiu após a ida para Angola.

Ele já havia tido o contato com a maior Liga do mundo em quatro jogos que o Flamengo fez com franquias americanas, mas a experiência de mergulhar no trabalho desenvolvido na NBA marcou a carreira e trouxe aprendizados.

“É um daqueles sonhos que você não sabe se está realizando ou se continua a sonhar. Fazer parte da rotina, do dia a dia, da estrutura, saber como eles lidam com as situações. Vi muita coisa que aplico aqui, no feminino, em tudo”, conta.

José Neto é um dos poucos treinadores que transita entre o basquete feminino e masculino e a diferença de estrutura e visibilidade é latente. Um dos pontos que evidenciam o abismo que ainda existe está, justamente, no Mundial.

O treinador chama a atenção para o número de equipes no masculino e no feminino. Atualmente, são 32 seleções no masculino e apenas 12 no feminino, número que cresceu de um lado e diminuiu de outro. Antes, eram 24 e 16, respectivamente.

Entrevista José Neto – Vídeo: Drika Evarini/ND

“O que nós temos que tratar de fazer é diminuir essa diferença e para mim fica complicado, fica sem justificativa porque eu vejo um mundial de handebol com 32 equipes femininas e a cada dois anos porque no basquete só pode ter 12? Isso faz com que a modalidade, em alguns países, acabe não sendo importantes. Você precisa dar essa visibilidade, parte da questão da gestão”, ressalta.

Na NBA, maior liga do mundo, ele também tem suas preferências e o ND+ não deixou escapar. Melhor de todos os tempos? Melhor da atualidade? Campeão da temporada? Assim como em toda sua carreira, José Neto não titubeou em responder e matar a curiosidade da galera.

José Neto tem 51 anos e três décadas são dedicadas ao basquete. Experiência, desafios e transformação, a palavra que define sua carreira e os projetos que assume.

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