Ao “Estadão”, Moisés diz que Bolsonaro deveria “se preocupar com coisas mais importantes”

Atualizado

Eleito na onda que levou Jair Bolsonaro ao Planalto, em 2018, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), disse, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, que, em vez de gastar energia com temas menores, Bolsonaro deveria “se preocupar com coisas mais importantes”. Como exemplo, citou o auxílio financeiro aos Estados e a revisão do pacto federativo, uma das promessas de campanha do presidente. “Pauta de governo é pauta relevante”, afirmou. Moisés atendeu por telefone o jornalista Ricardo Galhardo na quinta-feira. A seguir, o conteúdo disponibilizado pela “Agência Estado”.

Jair Bolsonaro e Carlos Moisés – Flavio Tin/ND

Durante a campanha o senhor disse que não é um “mini-Bolsonaro”. O que difere o senhor do presidente?

Foi a minha primeira entrevista depois que anunciei a candidatura. Alguns colegas disseram: “Puxa vida, perdemos a eleição, você tem de grudar sua imagem na do Bolsonaro”. Acontece que todos nós temos diferenças. Eu nunca fui político, Bolsonaro já era um político com 28 anos (de mandatos), tinha experiência no Legislativo, sempre foi muito ligado, a vida toda, à política. Também não defendo com unhas e dentes… Há algumas pessoas que têm ojeriza à defesa de minorias. Mas, se você é de extrema-direita, pode estar criando uma minoria.

E na prática administrativa?

Não entendo que um governador, por exemplo, deva se envolver em questões de menor relevância.

Por exemplo?

Um exemplo é a questão do homeschooling (ensino residencial). É visível que esse não é um programa de governo para a Educação. Não sou contra homeschooling, mas não entendo que deva ser a bandeira de um chefe de Poder. O grande problema da educação brasileira não é essa pequena parcela que quer educar os filhos em casa, são as escolas sem laboratório, tecnologia e internet, com os telhados caindo, são as crianças em estado de vulnerabilidade que não conseguem chegar à aula, é a falta de transporte público e de estrutura rodoviária.

Isso vale para outras áreas?

Eu entendo que as pautas de um estadista têm de ser aquelas que atendam à grande maioria das demandas por ações do Estado. Pauta de governo é pauta relevante.

Aumentar o limite de pontos para suspensão da carteira de motorista, por exemplo, é pauta de estadista?

Eu acho que não. O governo tem de se preocupar com coisas mais importantes como, por exemplo, o auxílio financeiro aos Estados. Estamos vendo no fórum dos governadores que os Estados não têm como pagar suas contas.

Como o senhor avalia estes primeiros cinco meses do governo Bolsonaro na economia?

O governo fez as propostas. Talvez não tenha caminhado rapidamente como a gente queria, esperava, já no primeiro semestre fazer todas as mudanças. Houve dificuldades políticas de encaminhamento. Mas o governo está fazendo a parte dele. Penso que logo depois que a nova Previdência for aprovada, o governo deve encaminhar a reforma tributária. Mas o auxílio aos Estados não pode esperar nem ser condicionado a que estas reformas aconteçam. Tem de ser concomitante.

O senhor vetou um projeto de lei que permitia a servidores trans usar o nome social no serviço público por razões ideológicas?

De forma alguma. Vetei o projeto por razões técnicas e, dez dias depois, refiz outro muito mais completo do que o anterior, por meio de decreto do Executivo. A militância de extrema-direita às vezes não entende como a gente pensa. Recebi as Mães pela Diversidade aqui no gabinete, postei uma foto na minha rede social com a bandeira da diversidade e sempre entendi o problema que elas enfrentam quanto à violência contra os filhos. Depois recebi o MST. Até me perguntaram se era “fake news”. Em Santa Catarina, temos 20 mil famílias assentadas. Eles existem. Não são uma ficção. Um estadista tem de governar para todas as pessoas.

Houve alguma reação?

Acabei de participar de um evento do Ministério Público Federal sobre inclusão, acolhimento e interiorização dos imigrantes. A política da xenofobia muitas vezes é plantada por gente que se diz de extrema-direita. A gente sabe que nosso Estado não pode ser xenófobo, ele é resultado da mistura de povos, por isso ele é bom. Mas, às vezes, as pessoas cobram da gente como se uma ideologia de extrema-direita fosse prevalecer na ação de governo

Por que o senhor desistiu de nomear dois técnicos para o segundo escalão que fizeram postagens críticas a Bolsonaro?

Não foi só esse o conteúdo das publicações. Havia, claramente, um apoio nosso ao governo Bolsonaro e, sendo do mesmo partido, explicitamente apoiando o governo, embora seja crítico de algumas ações. O meu corpo de funcionários tem de acreditar nisso também, nesse alinhamento com o governo federal.

Ao “Estadão”, Moisés diz que Bolsonaro deveria “se preocupar com coisas mais importantes”

Bolsonaro entra no palco - Flavio Tin/ND

Bolsonaro entra no palco - Flavio Tin/ND

Bolsonaro entra no palco - Flavio Tin/ND

Bolsonaro entra no palco - Flavio Tin/ND

Autoridades acompanham apresentações - Flavio Tin/ND

Autoridades acompanham apresentações - Flavio Tin/ND

Bolsonaro bate continência para alunos do Proerd - Flavio Tin/ND

Bolsonaro bate continência para alunos do Proerd - Flavio Tin/ND

Autoridades acompanham apresentações - Flavio Tin/ND

Autoridades acompanham apresentações - Flavio Tin/ND

Bolsonaro e Moisés conversam - Flavio Tin/ND

Bolsonaro e Moisés conversam - Flavio Tin/ND

Bolsonaro e Moisés conversam - Flavio Tin/ND

Bolsonaro e Moisés conversam - Flavio Tin/ND

Bolsonaro e Moisés conversam - Flavio Tin/ND

Bolsonaro e Moisés conversam - Flavio Tin/ND

Luciano Hang acompanha autoridades - Flavio Tin/ND

Luciano Hang acompanha autoridades - Flavio Tin/ND

Autoridades e religiosos fazem orações - Flavio Tin/ND

Autoridades e religiosos fazem orações - Flavio Tin/ND

Bolsonaro recebe placa - Flavio Tin/ND

Bolsonaro recebe placa - Flavio Tin/ND

Bolsonaro ergue placa - Flavio Tin/ND

Bolsonaro ergue placa - Flavio Tin/ND

Bolsonaro recebe placa - Flavio Tin/ND

Bolsonaro recebe placa - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

Bolsonaro presta homenagem a ex-combatente da 2ª Guerra Mundial - Flavio Tin/ND

02/05/2019 – Presidente: Bolsonaro veio a Santa Catarina para a abertura do Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú. Na primeira visita oficial de presidente depois de eleito no Estado. Os oito minutos de discurso foram usados para agradecer as autoridades presentes e por ter sobrevivido ao ataque durante a campanha. Em uma entrevista exclusiva para a RIC TV, o presidente falou sobre obras de infraestrutura, possibilidade de privatização de rodovias e crise na Venezuela. - Flavio Tin/ND

02/05/2019 – Presidente: Bolsonaro veio a Santa Catarina para a abertura do Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú. Na primeira visita oficial de presidente depois de eleito no Estado. Os oito minutos de discurso foram usados para agradecer as autoridades presentes e por ter sobrevivido ao ataque durante a campanha. Em uma entrevista exclusiva para a RIC TV, o presidente falou sobre obras de infraestrutura, possibilidade de privatização de rodovias e crise na Venezuela. - Flavio Tin/ND

Na mão esquerda de Bolsonaro, é possível ler

Na mão esquerda de Bolsonaro, é possível ler "Deus", "família" e "Brasil" - Flavio Tin/ND

Deputado federal Marco Feliciano - Flavio Tin/ND

Deputado federal Marco Feliciano - Flavio Tin/ND

Deputado federal Silas Câmara - Flavio Tin/ND

Deputado federal Silas Câmara - Flavio Tin/ND

Empresário Luciano Hang é ovacionado ao entrar no ginásio - Flavio Tin/ND

Empresário Luciano Hang é ovacionado ao entrar no ginásio - Flavio Tin/ND

Ambulantes venderam camisetas de apoio a Bolsonaro - Flavio Tin/ND

Ambulantes venderam camisetas de apoio a Bolsonaro - Flavio Tin/ND

Mais conteúdo sobre

Mais Conteúdo