Catarinense há 28 anos em presidência de federação é exemplo de coronelismo no patronato

Um Brasil decente passa, entre outras questões, por uma revisão no modelo sindical, tanto de trabalhadores quanto dos patrões. Uma reportagem publicada na edição de domingo do jornal “Folha de S.Paulo” conclui que há um coronelismo junto à representação do patronato. Um sistema envelhecido, com baixa rotatividade e diversidade, cada vez mais político, e sobre o qual pairam suspeitas de nepotismo, desvio de recursos e corrupção.

Presidente da FAESC, José Zeferino Pedrozo - Divulgação
Presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo – Divulgação

Só para se ter uma ideia, um mesmo homem preside uma federação há 43 anos. Fábio de Salles Meirelles assumiu a presidência da Faesp (Federação da Agricultura de São Paulo), em 1975, quando o general Ernesto Geisel presidia o Brasil. Meirelles não é o único a se perpetuar no poder. Catarinense de Campos Novos, José Zeferino Pedrozo foi citado entre os coronéis do patronato. Há 28 anos ele preside a Faesc (Federação da Agricultura de Santa Catarina).

O levantamento da “Folha” alcançou 99 confederações e federações patronais de agricultura, indústria, comércio e transportes de todo o país. É uma amostragem daquilo que se reproduz nos sindicatos dos patrões, que ultrapassam 5,2 mil em todo o Brasil.

Não é raro o sistema patronal ser usado como um trampolim eleitoral, a exemplo do que também ocorre nos sindicatos de trabalhadores. Outra questão, mesmo que mudem as pessoas no poder, uma prática corriqueira é a perpetuação de um mesmo grupo político no comando das instituições.

Um dos motivos de tanto apego ao poder sindical é financeiro. A principal fonte de recursos é o Sistema S, que reúne entidades como Sesi, Senai, Senac, Senat. O repasse no ano passado alcançou a incrível marca de R$ 16,4 bilhões. É urgente a implementação de mecanismos que possam renovar essas entidades, permitindo alternância de poder e afastando qualquer tipo de suspeita de uso deturpado das suas atribuições e prerrogativas. É preciso um envolvimento não só com a pauta corporativista, mas com as questões macro, ajudando a construir um novo país.

  • O presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, foi procurado na tarde de domingo pela coluna. A assessoria informou que ele estava em um local sem sinal de celular. Pedrozo também não respondeu aos jornalistas da “Folha”.

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