Colega de Ana Campagnolo, Jessé Lopes causa polêmica com publicação sobre “beijaço gay”

Atualizado

Uma publicação feita pelo deputado estadual eleito Jessé Lopes (PSL) causou polêmica nas redes sociais. Na sexta-feira (26), Lopes postou uma enquete no Facebook questionando os seguidores se seriam favoráveis ou contrários a uma lei que proíba o beijo, em público, entre pessoas do mesmo sexo no Brasil.

Jessé Lopes - Reprodução/ND
Jessé Lopes – Reprodução/ND

Lopes contextualizou que seria realizado um “beijaço gay” na frente da casa de Jair Bolsonaro (PSL), no domingo (28), dia do segundo turno. O deputado disse também que, na Rússia, existe uma lei que proíbe beijos entre homossexuais publicamente, “no intuito de preservar a inocência das crianças”. Por fim, a pergunta: “você seria a favor de uma lei como esta no Brasil?”.

Print da enquete, que foi deletada - Reprodução/ND
Print da enquete, que foi deletada – Reprodução/ND

Depois de reações contra a proposta, a enquete foi tirada do ar. De acordo com comentários nas próprias redes sociais de Lopes, o resultado teria sido contrario à iniciativa. Na terça-feira (30), Lopes retomou o assunto nas redes sociais. Disse que é a favor da “liberdade individual dos cidadãos”. Veja o post a seguir.

Na tarde desta quarta-feira (31), Lopes concedeu entrevista à coluna. O deputado manifestou apoio à colega Ana Caroline Campagnolo, que também se envolveu em polêmicas nas redes sociais. Leia a íntegra a seguir.

Essa enquete realmente é verdadeira ou é fake news?

É verdade. Eu fiz essa enquete em repúdio a um evento que ser seria realizado na frente da casa do [Jair] Bolsonaro, beijaço gay, eles denominaram dessa forma. Eu fiz uma nota e falei, são pessoas que querem ter respeito sem se dar o respeito. Outra coisa. Eu quis fazer um contraponto dentro das convicções deles. Geralmente, são pessoas que têm viés ideológico mais à esquerda e defendem países como a Rússia, que tem um socialismo mais velado. Lá, eles têm uma lei onde é proibido o beijo gay, homossexual, em público. Em respeito às crianças, que supostamente possam ver. Eu fiz uma enquete. Eu não dei a minha opinião, não disse se sou a favor ou contra. Eu queria que eles se contradissessem, queria ver votarem contra algo de um país que eles defendem. Esse foi o meu objetivo. Depois da eleição, o pessoal começou a usar aquilo ali, alteraram tudo. Falaram que eu já fiz um projeto para isso. Isso não é verdade. Inclusive, se me perguntar, eu digo que sou contra esse projeto. Eu até seria a favor se fosse para todos os gêneros, até por respeito. Mas, não vai de encontro com a minha ideologia, que é pregar a liberdade individual das pessoas. 

Essa enquete saiu do ar ou o senhor apagou?

Eu apaguei, porque criou uma polêmica desnecessária. Para evitar mais constrangimento, eu apaguei. Até fiz uma retratação nas minhas páginas também. 

O senhor poderia dizer o resultado dessa enquete?

Eu não me lembro. No último print, o “não” [contra o projeto] estava ganhando. Até porque, existiu uma invasão no meu Facebook. Algum site famoso ou página famosa coordenou uma ação em cima da minha enquete, que deu mais de 10 mil votos. Até invadir o “sim” [a favor do projeto] estava ganhando. Depois virou, imagina. Até porque, é uma enquete, não tem nada oficial. 

Além desse assunto, quais serão as outras bandeiras do senhor na Assembleia?

Esse assunto não é uma bandeira minha. Não vou defender isso na Assembleia. Vou defender a questão da Escola sem Partido, escola militarizada, moralidade, ética, honestidade, conservadorismo e defesa da família. 

Uma pauta de costumes.

Isso. Hoje, o Estado precisa ser enxugado, diminuir os custos. Não adianta fazer pautas em que precisa ficar angariando recursos, sendo que a gente precisa diminuir os custos do Estado. É claro que isso direciona os valores para a Saúde, Educação, nós vamos tirar gastos desnecessários e direcionar para esses lados. Com certeza, serei um defensor da Saúde e Educação. Mas, a minha bandeira principal são essas. 

O senhor citou o projeto Escola sem Partido. Sua colega Ana Caroline Campagnolo também teve uma postagem polêmica? Como o senhor está vendo essa questão dela? Essa vai ser a tônica da bancada do PSL?

Nem todos ali pensam como eu e Ana. Nós somos mais ideológicos. Os outros são mais governamentais, vamos dizer assim. Mas, a gente se solidariza com essa parte ideológica, Escola sem Partido é sim uma pauta nossa, pretendemos lutar por isso. Eu me simpatizo com as causas dela. Do jeito que ela direcionou, talvez tenha sido um erro, um desajuste na hora de falar, mas a vigilância em cima de professores doutrinadores tem que ocorrer, sim, por parte dos alunos. 

O senhor acha que também pode ter cometido um erro com a sua postagem? Vai mudar o tom?

Talvez foi um erro por não ter sido mais claro. Mas, a intenção, em nenhum momento, foi afrontar ninguém.

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