Detalhes do inquérito da Chabu podem sustentar relação com hackeamento na Lava Jato

Atualizado

Do inquérito assinado pelo delegado Daniel Carvalho Brasil Nascimento, da Polícia Federal, é possível extrair elementos que colocariam de pé a suspeita que os investigados na Operação Chabu tenham relação com a invasão de celulares dos integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato. A informação foi revelada pela revista “IstoÉ”, que noticiou a que a organização criminosa supostamente atuante em Santa Catarina poderia estar envolvida na operação de hackeamento de telefones dos procuradores do Paraná, cujo teor foi divulgado pelo site The Intercept Brasil.

Na página 111 do inquérito da Operação Chabu, a PF cita que “vestígios digitais levam, por dedução, a corroboração da premissa investigativa inicial indicando a atuação de organização criminosa especializada em obter informações sigilosas e embaraçar investigações policiais utilizando-se de fontes humanas inseridas no aparato de persecução criminal, até indícios da utilização de mecanismos de intrusão”.

TUDO SOBRE A OPERAÇÃO CHABU

Traduzindo, além dos suspeitos de vazarem informações, também podem ter sido usadas formas de acesso a telefones e computadores de eventuais alvos.

Empresário teria recebido mensagem sobre dispositivo – Reprodução/ND

A PF encontrou no celular do empresário José Augusto Alves referência a um software que “permite o monitoramento de telas por meio de screenshots [capturas de tela] sem a ciência do usuário”, conforme a polícia.

PF explica a ferramenta – Reprodução/ND

Além da referência a esse dispositivo, outro ponto liga a Operação Chabu à Operação Lava Jato. Entre os documentos apreendidos junto aos investigados, foram encontrados conteúdos relacionados a três fases da Operação Bidone, que alcançou o doleiro Alberto Youssef.

Também foram feitas capturas de tela, ao que tudo indica, conforme a PF, do delegado Marcio Anselmo, integrante da força-tarefa da Lava Jato.

Captura teria sido feita da tela de delegado – Reprodução/ND

“Salienta-se que ainda não foi possível verificar como foram produzidos tais screenshots [capturas de tela]. As diligências continuam em andamento”, escreveu a PF no inquérito da Operação Chabu. Ou seja, talvez o esquema descoberto em Santa Catarina possa ter ultrapassado os limites do Estado, mas ainda é preciso investigar mais. É o que a polícia está fazendo.

Conexão SC, Rússia e Emirados Árabes

Conforme a publicação da revista “IstoÉ” sobre a invasão dos telefones dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato, “pistas estão sendo seguidas no Brasil e no exterior”. “Em investigações preliminares, os agentes da Polícia Federal já identificaram conexões no Brasil, em especial em Santa Catarina, e no exterior, com o suposto envolvimento de agentes na Rússia e até em Dubai, nos Emirados Árabes”, acrescentou a publicação. Segundo fontes ouvidas pela revista, “a PF pode estar perto de alcançar os responsáveis pelo hackeamento ilegal”.

Mais conteúdo sobre

Mais Conteúdo