Gean Loureiro teria pedido que Romanna Remor mantivesse mulher de investigado em cargo

Atualizado

Além dos alertas do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre movimentações financeiras supostamente suspeitas feitas pelo prefeito afastado Gean Loureiro (MDB), trocas de mensagens para a manutenção da mulher de um dos envolvidos na Operação Chabu em cargo público também são narradas no despacho do desembargador federal Leandro Paulsen, do TRF-4 (Tribunal Regional Federal), que embasou o pedido de prisão do prefeito de Florianópolis na terça-feira (18).

Gean Loureiro – Anderson Coelho/ND

Pedido de emprego para mulher de envolvido

Outro ponto narrado no despacho do desembargador Leandro Paulsen trata de um pedido que o prefeito afastado Gean Loureiro (MDB) teria feito à então secretária de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação, Romanna Remor (MDB), para que mantivesse no cargo de consultora jurídica da pasta a mulher de um dos alcançados pela operação, o policial rodoviário federal Marcelo Roberto Paiva Winter, já solto. O pedido teria sido feito pelo empresário José Augusto Alves, que ainda está preso.

“O marido dela é responsável por um órgão muito importante para nós. Daí explico pessoalmente. Nossa segurança. Não é questão política! Mas muito importante para a poítica”, teria dito Gean a Romanna, por meio de mensagem de texto, anexada ao processo. A mensagem foi obtida em perícia no telefone celular de José Augusto Alves, realizada em agosto de 2018.

Romanna Remor toma posse como secretária – Julio Cavalheiro/Secom/ND

Na época dos fatos, o policial rodoviário Winter estava lotado no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), “órgão a partir do qual vazaram alguns dos dados sob sigilo mencionados no inquérito policial”, de acordo com o despacho do desembargador federal.

Conforme o Portal da Transparência do Executivo, a servidora está lotada na Secretaria de Assistência Social desde 20 de maio de 2015.

CONTRAPONTOS

O prefeito Gean Loureiro confirma que pediu à então secretária estadual Romanna Remor a manutenção da servidora. “Recebo dezenas de pedidos de empregos por dia, pelos mais diversos motivos. Como conhecia o José Augusto, e a referência era de uma servidora técnica, não me neguei em solicitar a possibilidade da manutenção da servidora. Era um período de transição entre os governos Raimundo Colombo e Eduardo Moreira, e vinha muita gente pedir para continuar nos cargos”, disse Gean. O prefeito confirmou que foi questionado sobre isso durante o depoimento dessa terça-feira, e que isso “ficou claro para o delegado”.

Gean disse, também, que o empresário chegou a mencionar que tratava-se de uma mulher de um agente da segurança, “mas não deu detalhes de qual órgão e o prefeito não teve mais informação sobre o assunto”, informou a assessoria do prefeito.

Sem sucesso, a coluna tenta contato com Romanna Remor desde terça-feira. À rádio Som Maior, de Criciúma, domicílio eleitoral da ex-secretária, Romanna deu explicações. Disse que “fui surpreendida” com a operação, em que prestou depoimento na manhã de terça. Romanna confirmou que decidiu manter a servidora por questões técnicas, antes mesmo do pedido do prefeito Gean. Questionada pela polícia se conhecia o marido da servidora, disse que não.

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