Gelson Merisio no alvo de Carlos Moisés: “ato de populismo, não pela Saúde”

Quando o assunto é Saúde, em especial a batalha judicial que garantiu a Santa Catarina a possibilidade de investir somente 12% – conforme prevê a Constituição Federal – não mais 15% – de acordo com uma emenda à Constituição Estadual derrubada no STF (Supremo Tribunal Federal) – o tom do governador Carlos Moisés (PSL) sobe.

Gelson Merisio e Carlos Moisés recebem orientação de assessores durante debate na RICTV – Marco Santiago/ND

Questionado em entrevista aos jornais do interior, Moisés disse que o STF “só corrigiu uma ilegalidade sabida”. Alfinetando o adversário no segundo turno, Gelson Merisio (PSD), completou que a proposta foi “um ato de populismo, não pela Saúde”. Foi Merisio, enquanto deputado estadual, o proponente da emenda constitucional. “Todo mundo sabia que era uma regra natimorta”.

“A mensagem que o governo passa é de que saúde não é prioridade”, diz Gelson Merisio

As críticas foram além. “Esses mesmos governos que disseram que se preocupavam com a Saúde e quiseram colocar 15%, não honraram esses compromissos. Se tivessem aplicado 12% em Saúde, não teríamos a herança de R$ 1 bilhão de dívida”, acusou.

Para Moisés, “houve um desvio de finalidade”: “ao invés de pagar fornecedor, preferiram deixar o dinheiro com os prefeitos, fazer uma média aqui, ali”, completou. O atual governador disse que a conta ficou para ele pagar. “Como eu aprendi com a minha mãe e com o meu pai que eu não posso dar calote, vou pagar primeiro a dívida desses governos anteriores”, encerrou.

  • Nas contas do governo, investir bem 12% pode ser melhor do que investir mal 15%. Há quem tenha dúvidas, como o deputado Neodi Saretta (PT), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa. “Essa conta não vai fechar”, disse. “Se isso for implementado, será o cidadão, que precisa de medicamentos, consultas, exames e cirurgias, quem vai pagar”, completou.
  • O exemplo usado pelo governo é que, uma licitação para compra de oxigênio hospitalar, reduziu na metade o preço, somente retirando um intermediário. De R$ 24 milhões por ano, passou para R$ 12 milhões. “Não estou culpando A, B ou C, mas quando você compra a mesma coisa pela metade do preço, alguma coisa havia de errado”, disse Carlos Moisés.

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