Altair Magagnin

Informações e análises sobre a política catarinense, com prioridade para conteúdos exclusivos e inéditos. Notícias e opiniões contextualizadas com os bastidores do poder.

Mario Cesar Flores: militar ético, intelectual e lutador ativo pela democracia

Atualizado

Militar ético, com alta capacidade intelectual, de refinadas análises sobre o Brasil, e um lutador ativo pela democracia, Mario Cesar Flores é definido como um dos maiores estrategistas que já passaram pelas Forças Armadas, um estadista. Catarinense de Itajaí, o almirante de esquadra morreu nesta quinta-feira (1º).

Mario Cesar Flores – Reprodução/ND

Despedida

O corpo será velado nesta sexta-feira (2), das 9h às 12h, no Primeiro Distrito Naval do Rio de Janeiro. Serão prestadas honras militares. O sepultamento será as 13h, no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, também no Rio.

Repercussões

“Consegue exercitar simultaneamente os papeis de analista e estadista, pois, sem qualquer mandato ou exercício da atividade pública, mas revivendo responsavelmente suas experiências de Ministro de Estado por duas vezes e servidor público pela vida inteira, consegue discutir a realidade brasileira com essas duas visões. Registra os fatos, criticando-os com severidade e, ao mesmo tempo, relaciona-os com as contingências que só quem as conhece em profundidade é capaz de evoca-las.”

Jorge Konder Bornhausen, ex-senador e ex-governador de Santa Catarina

“É um militar ético e, antes de tudo, um brasileiro consciente da sua responsabilidade como pensador e analista do Brasil em todas as áreas. Foi um ativo lutador pela democracia ao longo de toda a sua vida.”

Mário José Gonzaga Petrelli, presidente emérito do Grupo RIC

“Para os militares, é um dos grandes estrategistas que já passaram pelas Forças Armadas. Para o mundo acadêmico, um militar com alta capacidade intelectual e um democrata. Para o mundo político, muito de tudo isso.”

Murilo Flores, ex-secretário de Estado e filho

A história

Mario Cesar Flores nasceu em 27 de fevereiro de 1931, em Itajaí, filho de Agostinho de Aquino Flores e Gertrudes Malburg Flores. Foi casado com Doris Xavier Flores e teve três filhos: Mario Cesar, Murilo e Maurício.

Ingressou na Escola Naval em 14 de março de 1947. Passou para a reserva em 25 de novembro de 1990, após doze anos de oficial-general, no cargo de Ministro da Marinha. Era Almirante-de-Esquadra reformado.

Cursou primário e secundário em Blumenau, Florianópolis e no Rio de Janeiro, já na Escola Naval. Fez especializações no Brasil e nos Estados Unidos.

Ocupou diversos cargos e funções na Marinha, entre eles, foi adido naval na Argentina e Uruguai; subchefe de Estratégia do Estado-Maior da Armada; comandante da Força de Apoio da Esquadra; comandante-em-chefe da Esquadra; diretor da Escola de Guerra Naval e de Ensino da Marinha; diretor-geral do Material da Marinha; chefe do Estado-Maior da Armada e ministro da Marinha, entre 15 de março de 1990 e 8 de outubro de 1992.

Também foi ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, entre 22 de outubro de 1992 e 31 de dezembro de 1994; membro do Conselho da República, entre 1998 e 2001, entre outros cargos. Pelos trabalhos militares, recebeu inúmeras condecorações e homenagens.

Intelectual, publicava regularmente artigos em revistas e jornais sobre política nacional e internacional, estratégia e defesa, administração pública e assuntos socioeconômicos. Também escreveu livro os livros Panorama do Poder Marítimo Brasileiro (1971); As Forças Armadas na Constituição (1992); Bases para uma Política Militar (1992); Reflexões e Estratégias – Repensando a Defesa Nacional (2002); e Reflexões Políticas – Uma visão da saga brasileira (2012).

Mais conteúdo sobre

Mais conteúdo