A história de O Estado, que é parte da história de SC

Capa livro que será lançado na Capital nesta quarta-feira - Divulgação
Capa livro que será lançado na Capital nesta quarta-feira – Divulgação

No Tralharia, às 18h30 de quarta-feira (31/5), a jornalista e professora Leani Budde lança seu livro “Jornal O Estado – Da Glória à Decadência” (1915-2009), um dos estudos mais densos da história de O Estado. O jornal é parte da história da cidade, da paisagem urbana e humana de Florianópolis. Foi, até a década de 1980, referência obrigatória em qualquer círculo social, político, cultural ou econômico. Quando Zininho fala no Rancho do Amor à Ilha sobre a “ilha da velha figueira / onde em tarde fagueira / vou ler meu jornal” ele diz um pouco de O Estado e da sua importância para aquela província (o hino é de 1965).
Gerações e gerações de florianopolitanos assinaram e leram O Estado. O jornal tinha um vínculo muito estreito com sua gente, com as causas da terra. Embora com maior circulação na Grande Florianópolis, O Estado chegava aos mais distantes municípios catarinenses, mesmo nuns tempos em que as estradas eram precárias. Teve pelo menos oito sucursais espalhadas pelo território estadual, cobrindo todas as regiões: Itajaí, Blumenau, Tubarão, Criciúma, Lages, Rio do Sul, Joinville, Chapecó. Em cada sucursal pelo menos um ou dois repórteres, gerente comercial e de assinaturas, secretária, automóvel.
Era uma estrutura gigantesca, que começou a se esvair na década de 1980. Até 1986 o jornal reinava sozinho em Florianópolis, tendo concorrentes fortes apenas em Blumenau (Jornal de Santa Catarina) e Joinville (A Notícia). A chegada do Diário Catarinense (RBS) naquele ano, em outro formato (tablóide) e com uma estratégia empresarial predadora, começou a mudar esse panorama. O Estado continuou sendo um jornal analógico até 1996, quando foi implantada a total informatização de seus processos. Foi um longo tempo perdido – 10 anos, entre a chegada do DC informatizado e a presença dos computadores em todas as áreas do “mais antigo”. Tempo precioso, que fez a diferança em favor da concorrência. Entre 1996 e 2000 O Estanho definhou lentamente. Entre 2000 e 2009 manteve o que se chama de “circulação técnica”, ou seja, apenas o essencial para se manter vivo, até que a empresa não resistiu mais, envolvida em dívidas trabalhistas e previdenciárias impagáveis.
Acompanhei 10 anos dessa história, fui repórter, editor, chefe de redação, colunista, editor-chefe. Devo muito a O Estado, a grandes mestres com quem convivi: Toninho Kowalsky, Sérgio Lopes, Cesar Valente, Laudelino José Sardá, Luiz Henrique Tancredo, Mário Pereira. E a dezenas de colegas com quem  aprendi muito.

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