Papo cabeça com Eduardo Guerini

Morador de Florianópolis desde 1979, Eduardo Guerini é professor de ciência política da Univali desde 2000. Cursou mestrado em gestão de políticas públicas e sociologia política. Atualmente orienta pesquisas nas áreas da Dinâmica Institucional de Políticas Públicas, Criptoeconomia, Sociologia do Crime, Economia Política da Corrupção e Corrupção Institucional. Atento observador da cena política, avalia a campanha que recém começou no rádio e na televisão e percebe, como tantos eleitores mais críticos, a falta de programas objetivos, centrados em soluções viáveis.

É fato que mais jovens participam da política?

A participação de jovens na política é expressão da demografia brasileira. Somos um país jovem, com massa de eleitores jovens que é majoritária nos últimos pleitos municipais, estadual e federal. A sensação que os jovens estão ausentes da política é configuração de uma nova geração que se formou longe dos movimentos pela ampliação de direitos civis, sociais e políticos. O que podemos ver são gerações mais jovens participando ativamente da política partidária – como se fosse um direito habitual, pais políticos, filhos políticos. São gerações que passaram a governar a política no cenário local, regional e nacional, que em última instância resulta da elitização da participação política. 

Está difícil separar o joio do trigo quanto à qualidade da política?

A rejeição da opinião pública ao processo político brasileiro e seus representantes resulta de uma pedagógica relação de enganação/traição e pilhagem das ideologias pelos partidos políticos. Quando partidos que outrora se diziam inovadores, com ampla raiz na comunidade, vinculados aos anseios populares traíram a “esperança” dos seus eleitores e militantes, nada mais coerente que a rejeição categórica da população. O exemplo simbólico deste processo de desgaste é o julgamento do escandaloso processo de corrupção ativa ou passiva de figuras políticas que defendiam a “ética na política”, ou seja, o sistema político brasileiro se degenerou quando se submete ao controle do financiamento privado da campanha. 

Como você avalia a campanha deste ano no rádio e TV?

A avaliação preliminar dos programas em Santa Catarina demonstrou uma vez mais o artificialismo das propostas, a falta de um diagnóstico preciso sobre a realidade, assim como, a viabilidade de muitas propostas assinaladas nos programas das candidaturas. O resultado é que a midiatização das campanhas eleitorais, no primeiro olhar, demonstra que candidatos e partidos apostaram no padrão novelesco e teatral neste início de horário eleitoral.

Quais as grandes questões que devem ser enfrentadas pelo futuro prefeito de Florianópolis?

Tratar a capital do Estado com a importância de uma metrópole que abandonou o planejamento urbano, daí a gravidade da desordem em todos os setores nevrálgicos produzidos pelo adensamento urbano e conurbação regional. A ausência de uma gestão metropolitana resultou da miopia provinciana dos gestores e lideranças políticas, avidez imobiliária e turística que transformou a capital do Estado em centro de problemas de mobilidade urbana, gestão do transporte público, saneamento básico, tratamento dos resíduos sólidos, geração de emprego e renda, gestão ambiental, segurança pública. O prefeito eleito de Florianópolis terá que ser o articulador político da gestão metropolitana.

É preciso para isso mudar as relações políticas?

Nossa cidade é uma província com sonhos cosmopolitas, e problemas suburbanos. O prefeito eleito de Florianópolis terá que ser o articulador político da gestão metropolitana e gestor dos problemas potencializados pelo crescimento urbano desordenado. Será um maestro de crises na sinfonia dissonante para a implantação definitiva da região metropolitana.

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Então, então

O comendador Roberto Laus chocou-se na sexta-feira (24) com a figura eloquente de Içuriti Pereira, que lhe perguntou de bate pronto: “Na época em que comandavas o Programa Companheiros das Américas, mandaste kids catarinenses para o milionário Bud Oddsen Jr., nos States?”. O comendador quieto, Içuriti alfinetou mais um pouco: “Se mandaste, por que não recebeste uma quota da herança também?”. E Laus: “Eu, hein? Isso é coisa ‘macabra’”.

Sensação

Têm sido diárias as operações da Polícia Militar no acesso ao centro de Florianópolis pelo bairro da Prainha. Automóveis e motocicletas são fiscalizados com rigor pelos policiais. Na sexta-feira (24), contei 10 motos apreendidas e depositadas na carroceria de um caminhão. Sensação de segurança é isso aí.

Doutor

José Sebastião Nunes, presidente do CRA (Conselho Regional de Administração) de Santa Catarina, recebeu na quinta-feira (23) à noite o título de Doutor Honoris Causa do Cento Universitário Facvest, em Lages. José é irmão do vice-prefeito de Florianópolis, João Batista Nunes, de tradicional família do Córrego Grande.

Presença

Neste domingo (26) termina o 19º Salão do Imóvel e Construfair/SC, no Centro Sul, o maior evento do gênero em Santa Catarina. O Grupo RIC está presente desde o primeiro dia (21), com estande em que são divulgados os produtos de seus veículos, inclusive o Clube do Imóvel, suplemento do Notícias do Dia voltado ao mercado da construção civil, que circula todas as sextas-feiras e já ganhou o Top de Marketing da ADVB.

Carlos Damião

Patrimônio

Tem 82 anos e funciona: ponte Bulcão Viana, em Tijucas

Patrimônio

Em tempos de imobilidade urbana e discussões sobre quarta ligação entre Ilha e Continente, é sempre curioso lembrar que há municípios da região que conservam equipamentos urbanos históricos, como a ponte Bulcão Viana, em Tijucas, construída em 1930, com restos de material da ponte Hercílio Luz. Ela fazia parte da estrada velha entre a Capital e o litoral Norte até a década de 1960. Só tem uma pista, de madeira (trilho), que está sendo reformada pela prefeitura. E é um dos mais belos patrimônios históricos da Grande Florianópolis.

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