Memória de Florianópolis – Conselheiro Mafra, a rua mais desterrense do Centro

Carlos Damião/ND

Uma via graciosa: apesar do nome atual, será sempre a antiga Rua do Comércio
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A data de construção no alto do casarão, esquina com a Álvaro de Carvalho: 1850
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Simples e bela, a Igreja Nossa Senhora do Parto (1861), espremida entre prédios

Se há uma rua central em Florianópolis que “respira” o século 19 – e conserva sinais de Desterro, com muitas edificações remanescentes daquele período –, essa rua é a Conselheiro Mafra. Teve vários nomes ao longo do tempo: Rua Augusta, do Príncipe, também Rua do Comércio e Altino Corrêa. E apesar do nome oficial, continua sendo a Rua do Comércio, com dezenas de estabelecimentos de todos os tipos, de sex shop e inferninhos a hotéis ordinários, grandes magazines, butiques, restaurantes, lanchonetes, farmácias, botequins, entre outros.

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Praticante contumaz da flânerie, que é o passeio urbano de observação feito a pé, consumi horas fotografando, anotando e admirando as belas construções históricas da Conselheiro Mafra, quase todas extremamente bem conservadas. Dois casarões, na mesma quadra, entre as ruas Jerônimo Coelho e Álvaro de Carvalho, registram no alto da fachada as datas de suas construções – 1850 e 1851. Imagino que sejam os mais antigos preservados na via, remetendo à configuração original de Desterro (o nome da cidade foi alterado para Florianópolis em 1894). Não identifiquei a data, mas o “Velho Pardieiro”, que foi sede do jornal O Estado até os anos 1970, deve ser também do período anterior a 1894.

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Há mais dois casarões com as datas inscritas no alto: 1910, quase na esquina com a Rua Sete de Setembro, e 1912, no trecho entre as ruas Deodoro e Trajano. Ambos servem a atividades comerciais tradicionais.

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Obviamente relacionei nas anotações os prédios do Mercado Público (ala Norte construída em 1899) e da Alfândega (1877). São belíssimos edifícios públicos, tombados pelo patrimônio histórico, assim como a Igreja de Nossa Senhora do Parto (1861), no trecho entre as ruas Bento Gonçalves e Padre Roma, um lindo templo “espremido” entre construções modernas.

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Contei todas as edificações que têm algum valor histórico, estilo e características de originalidade. No total, 50, de pequenas casas, com pouco mais de 50 metros quadrados, aos prédios suntuosos do final do século 19, entre as ruas Deodoro e Trajano, incluindo a primeira sede do Grupo Hoepcke, que está sendo restaurada e ganhará nova funcionalidade interna.

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A lamentar o estado deplorável do piso e de algumas calçadas, com aspecto sujo e irregular, e a iluminação precária que desvaloriza essa rua autenticamente colonial… Alguns prédios também estão deteriorados, inclusive um casarão em ruínas há mais de 20 anos, na esquina com a Rua Bento Gonçalves.

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Dentro do propósito de revitalização do centro histórico – outra lenda urbana que se arrasta há anos – a Conselheiro Mafra, por si, é o melhor exemplo de como a Capital foi Desterro, tornou-se Florianópolis e continua ostentando os bons ares desterrenses. Percorrê-la, em toda a extensão, é um verdadeiro mergulho na História, sendo possível constatar, evidentemente, o quanto aproveitamos mal (ou não valorizamos) o nosso passado.

Equívoco

Por incrível que pareça, há formadores de opinião que desdenham das operações da Polícia Federal, como a Moeda Verde e a Ave de Rapina, atribuindo a essas ações o caráter de “pirotecnia”. Na verdade, a PF e o Ministério Público Federal são instituições que têm atuado em defesa da cidadania, da ética, da moralidade e da responsabilidade pública.

Ecossistema

“Folheando o jornal. Ave de Rapina com Águas Limpas e Moeda Verde dá um ecossistema, é ou não é?”. Sicilia Vechi, nas redes sociais.

Preconceito

Já não bastassem todas as humilhações a que somos submetidos durante a temporada de veraneio, há quem defenda que devemos pagar ingresso para frequentar nossas praias. Está errado. Não se pode reservar espaços públicos na areia em nome da “modernidade” turística, porque em outros países isso funciona etc. Privatizar pedaços das praias, para que os abonados possam se refestelar longe da pobreza, é mais uma agressão aos nossos costumes e à cidadania.

Tom entre nós

“Mulheres de Tom – Homenagem a Tom Jobim” é o espetáculo deste sábado (13) no Divino Gastroclub, em Sâo José, a partir das 20h. No palco, Leonora Damerau, Isabela Fialho Lemos, Spiri Batista, Luciane Daux e Regiani Parisi Freitas (da Banda Sabor Brasil), Denise de Castro (piano), Neno Moura (bateria), Silvia Beraldo (sax e flauta), Osvaldo Pomar (percussão) e Tie Pereira (baixo acústico).

Perda

Morreu em Blumenau na sexta-feira (12), aos 65 anos, uma das colunistas sociais mais destacadas do Estado, que atuou durante 28 anos no Jornal de Santa Catarina, Neuza Manske Hoemke. Tive o privilégio de trabalhar com ela durante mais de seis anos: sempre educada, elegante e comprometida com as causas blumenauenses. Ela representou, para o Vale do Itajaí, o que Zury Machado significou para a Grande Florianópolis.

Exemplo

RICTV Record Meio Oeste estreia neste sábado, durante o Jornal do Meio-Dia, o programa Proerd na TV. O Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) está consolidado nas escolas catarinenses, com participação de instrutores da Polícia Militar. A intenção da emissora do Grupo RIC é dar maior visibilidade ao projeto social. A atração, com cinco minutos, será exibida todos os sábados.

 

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