Intolerância do Escola Sem Partido se expande em SC

Na linha geral do retrocesso político que vive o Brasil desde 2016, certo movimento Escola Sem Partido – cujos integrantes não enchem uma Kombi – pretende aprovar na Câmara de Florianópolis um projeto de lei que implanta a censura e a perseguição a professores da rede municipal. Há um projeto semelhante em análise na Assembleia Legislativa com o mesmo objetivo. Lamentavelmente, parlamentares que deveriam zelar pela liberdade dos cidadãos se empenham em acolher iniciativas do gênero, que põem em risco o próprio conceito de educação. 

Marlene de Fáveri, doutora e professora de história na Udesc, já foi vítima da intolerância de uma aluna, que se indignou por receber aulas sobre feminismo (quando a professora se dedica justamente a pesquisas sobre gênero), ingressando com uma ação judicial. A questão é que ações desse tipo revelam o lado cada vez mais obscuro e perverso de facções de extrema-direita, respaldadas por alguns partidos políticos e seguidores de personagens obtusos, como o deputado federal Jair Bolsonaro. Na entrega da reivindicação política à Câmara de Florianópolis, um dos integrantes do Escola Sem Partido exibia o nome de Bolsonaro na camiseta que vestia.

Essa minora de fanáticos não encontra qualquer respaldo popular. Eles usam e abusam das redes sociais para disseminar ideias equivocadas e mentiras sobre o papel do educador em sala de aula ou em atividades de pesquisa e extensão. São os mesmos tipos que, durante períodos da história, invadiram livrarias e queimaram livros (houve um caso em Florianópolis, em 1964; como houve também histórias semelhantes na Alemanha, durante o nazismo, Itália e Espanha, durante o fascismo). À falta do que fazer para melhorar o país, esse grupo dedica-se a perturbar as instituições de ensino e os professores, como já fez, na prática, o vereador Fernando Holiday, em São Paulo, invadindo escolas para “fiscalizar” o que chamou de “doutrinação ideológica”. Recentemente, numa universidade de São Paulo, policiais militares invadiram uma reunião acadêmica com o mesmo objetivo: intimidar os professores e ameaçar a liberdade de cátedra.

Não há nada mais estúpido do que isso. Tão estúpido que já surgem movimentos de contraposição à intolerância do Escola Sem Partido e do Movimento Brasil Livre. Nas redes sociais, por exemplo, espalha-se o avatar “Escola Sem Mordaça”, como resposta à escalada fascistóide.

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