Memória de Florianópolis: três prédios que marcaram a modernização da cidade completam 60 anos

Acervo/Carlos Damião/ND

Secretaria da Fazenda – acima do palácio –, em cartão postal da década de 1960
Divulgação Secom/ND

O magnífico Palácio da Agronômica, construído para ser residência oficial dos governadores
Acervo Carlos Damião

Planta original da Maternidade Carmela Dutra, obra do governo inaugurada em 1955

Pelo menos três prédios públicos importantes de Florianópolis completam 60 anos de inauguração em 2015. Não por coincidência, as três edificações foram construídas pelo governador Irineu Bornhausen, um político que tinha forte espírito modernizador e empreendedor: foi comerciante e banqueiro, ligou-se à UDN porque foi o partido escolhido pela família de sua mulher, Marieta Konder, filha de Marcos Konder (sênior) e irmã de Adolpho Konder, tornando-se um importante líder dessa sigla (e depois da Arena) até sua morte, em 1974.

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Um dos prédios é o Palácio das Secretarias, depois sede da Secretaria da Fazenda e hoje parcialmente ocupado pela prefeitura de Florianópolis. Sua imponência na área central de Florianópolis chama a atenção de todos, por causa dos traços modernistas que contrastam com o estilo colonial do Palácio Cruz e Sousa e com a Catedral Metropolitana, edificações vizinhas. Para ser construído, foi sacrificada uma quadra inteira de casarões coloniais. Ironicamente, aos 60 anos é patrimônio histórico da cidade, com suas linhas compactas, o mármore preto, as cores discretas, que lhe conferem um típico ar de austeridade de um prédio público.

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O segundo prédio construído por Irineu e que completa seis décadas é o Palácio da Agronômica, cujo nome foi equivocadamente alterado para Casa d’Agronômica pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira. O belo palácio – porque é um palácio, não uma casa –, seguiu características coloniais portuguesas, com pequenas intervenções do colonial espanhol. Foi projetado e construído para ser a residência oficial dos governadores, num ponto distante do Centro, na então Estação Agronômica, que era área rural da cidade. Até 1955, os governantes moravam no Palácio Rosado (Cruz e Sousa) ou em suas casas particulares. Aderbal Ramos da Silva, por exemplo, nasceu no palácio da Praça 15 em 1912 porque seu avô, Vidal Ramos, era o governador e abrigava sua mãe, Raquel, por causa das constantes viagens do pai, Pedro Silva, juiz de direito.

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Todos os governadores, de 1955 a 2015, moraram no Palácio da Agronômica, inclusive Irineu. E quem pensa que é apenas moradia, se engana: o espaço tem um gabinete de trabalho e uma ampla sala de reuniões.

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Antônio Carlos Konder Reis, que administrou o Estado entre 1971 e 1975 e durante 1994, foi o único governador solteiro, mas mesmo assim residiu na Agronômica. No primeiro governo, dividiu o palácio com a família de sua irmã Maria Pompéia Konder Reis Malburg, que cumpria, quando necessários, os rituais de primeira-dama.

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Para fechar, a Maternidade Carmela Dutra, primeira maternidade pública de Santa Catarina, foi inaugurada por Irineu no dia 3 de julho de 1955. Tem linhas modernistas, seguindo uma tendência que se ampliava na arquitetura brasileira na década de 1950. É um belo prédio, já não muito funcional, que sofre com a ação do tempo e precisa de constante manutenção. O ND publica um caderno especial neste fim de semana sobre os 60 anos da Carmela.

Cidade ímpar

“Palhoça é uma cidade ímpar. Dois anos atrás era Bariloche, hoje é Veneza”. Douglas Martins (douglasavai), sobre a enchente de quinta e sexta, exatos dois anos depois da neve no Cambirela.

Festa da…

Está confirmada para outubro deste ano a primeira edição da Festa Literária Catarinense, nos moldes da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), com muitos eventos relacionados à literatura, como lançamentos de livros, palestras, debates e oficinas. Quem está à frente do projeto é o empresário Valério Gomes Neto, da Pedra Branca Cidade Criativa. Ele foi à Flip deste ano e conversou com os organizadores, que vão prestar assessoria à festa de Santa Catarina, que vai ocorrer na Pedra Branca.

… literatura

Conversei com Valério Gomes Neto na quinta-feira (23), em Tijucas. Ele está muito entusiasmado com a ideia da Festa Literária como ampliação do conceito cultural da Pedra Branca Cidade Criativa. “A Festa vai entrar para o calendário do Estado, da mesma forma que a Flip entrou para o calendário cultural brasileiro”, me disse. São parceiros a Propague e o editor Nelson Rolim de Moura (Insular). Qualquer empresa pode apoiar o evento, com dedução no Imposto de Renda, via Lei Rouanet.

Chuva…

Florianópolis e Palhoça foram as cidades que mais sofreram as consequências da chuvarada de quinta e sexta-feira, dias 23 e 24. Ocupações irregulares, falta de drenagem adequada e muito lixo são as causas mais evidentes dos alagamentos. Biguaçu, conhecida no passado pelas enchentes constantes, não apresentou relatos significativos. E a razão é uma só: o sistema de macrodrenagem implantado na administração de José Castelo Deschamps e Ramon Wollinger.

…e caos

É muito fácil culpar os governos municipais pelas consequências das chuvas mais fortes. Li muitas reclamações nas redes sociais, gente descendo a lenha nos prefeitos, que pouco ou nada fazem para evitar os alagamentos. O que muitos não admitem é que invadiram áreas de preservação permanente ou de risco ambiental, que jogam lixo, entulhos, móveis, fogões nas ruas etc. A parte da culpa oficial está na omissão e na tolerância com invasores e depredadores da natureza.

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