Wedekin volta a criticar operação que prendeu reitor

Atualizado

 O ex-senador Nelson Wedekin voltou a criticar, com veemência, a Operação Ouvidos Moucos, que prendeu no dia 14/9 o reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, e seis outras pessoas ligadas à instituição. “Exagero, desproporção, injustiça”, são palavras de Wedekin, advogado que atuou voluntariamente na defesa de presos políticos durante a ditadura civil-militar implantada em 1964. “Submeteram Cancellier e mais seis cidadãos a um constrangimento imediato e brutal”, acusa o ex-senador.

Confira a íntegra da mensagem recebida pela coluna na noite desta quinta-feira, 21/9:

Tanto mais nos aprofundamos sobre a prisão de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o reitor da UFSC, tanto mais avulta o exagero, a desproporção, e portanto, a injustiça do ato.

Diz a Polícia Federal que as prisões temporárias de Cancellier e de outras seis pessoas eram para evitar constrangimento ou assédio a professores e servidores. O argumento foi abraçado com o mesmo sem cuidado pelo Ministério Público e pela juíza que decretou a prisão.

Estamos então em que para evitar suposto, possível, hipotético, incerto e duvidoso constrangimento, submeteram Cancellier e mais seis cidadãos a um constrangimento imediato e brutal. Ou uma prisão, do modo como se deu, mesmo sem culpa formada, não é um constrangimento tão profundo que nunca se esquece e apaga?

Para evitar uma doença que não aconteceu, que talvez viesse a acontecer (constrangimento de professores e servidores), os senhores facultativos deram um remédio que era a própria doença (constrangimento infinitamente mais cruel de Cancellier e dos demais presos ) que se queria combater. E a que constrangimento Cancellier poderia submeter professores e servidores? Diminuir-lhes o salário? Demiti-los? Dar uma porrada na mesa? Mandá-los à cadeia, como aconteceu com ele?

Nenhum dos responsáveis pela operação pensou na desproporção entre a gravidade dos supostos delitos com a magnitude de uma operação que mobilizou 105 agentes federais. Ninguém, dos responsáveis, tinha ideia de que todo o custoso aparato equivalia a um prévio linchamento moral dos envolvidos. Ou a ideia era essa mesma, provocar constrangimento e humilhação? 

Nelson Wedekin

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