O fim da greve e a ponte infinita

Decidi aceitar o convite do Notícias do Dia Vale e, a partir de hoje, vou publicar aqui neste espaço algumas reflexões sobre os principais assuntos de Itajaí e região que são notícia também no nosso Jornal do Meio Dia. Sejam bem-vindos e boa leitura!

Fim da greve!

Neste sábado os servidores municipais devem ir às ruas para agradecer o apoio da cidade ao movimento que acabou com o aumento de 10% nos salários de todo o funcionalismo público em Itajaí. Não há dúvida que o fim da greve e o aumento dos salários são positivos para todos, mas há um porém. Da forma como foi concedido, ele acaba aumentando o abismo que existe entre funcionários que já ganham além da conta e aqueles que deveriam receber muito mais do que recebem hoje em dia.

Matemática básica

Não é preciso ser um gênio da matemática, um Pitágoras, para fazer as contas. Quem ganhava R$ 10 mil, vai ganhar R$ 11 mil. E quem ganhava R$ 1 mil, vai ganhar R$ 1,1 mil. Ou seja, a diferença, que antes era de R$ 9 mil passou pra R$ 9,9 mil entre essas duas categorias hipotéticas. Então, por que não dar um aumento menor a quem já ganha muito e, com essa economia, conceder um aumento maior a quem ganha pouco, reduzindo a diferença entre os salários na administração pública? Afinal de contas, professor, servente, assessor, fiscal, agente, ou seja lá qual for a função ou cargo, todos são importantes para o município e merecem uma boa remuneração.

Divulgação

Acordo entre prefeitura e sindicato concedeu 10% de aumento para todos os servidores

Cartão alimentação

A mesma lógica deveria ter sido usada para o cartão alimentação. Em vez de universalizá-lo, o ideal seria manter o benefício apenas para aqueles que ganham menos e conceder uma aumento significativo no valor, que atualmente é muito baixo.

Serviço de boa qualidade

Sempre lembrando o seguinte: da mesma forma que sou a favor da boa remuneração, cobro um serviço público de boa qualidade, um atendimento “Padrão FIFA”. Pois quem paga a conta – que não é baixa, com a atual carga tributária do País – tem que receber uma contrapartida decente.

Ponte pra quem?

A Câmara de Vereadores de Itajaí fará audiência pública para discutir segundo acesso entre Itajaí e Navegantes. Fala-se muito numa ponte sobre o rio Itajaí-açu. Mas desde já é preciso ficar claro o seguinte – o segundo acesso tem que beneficiar os pedestres. Não se pode pensar numa ponte infinita que só vai ser usada por automóveis e que vai manter inalterada a situação dos pedestres e ciclistas que pagam o ferry-boat todo dia.

Passe livre no ferry-boat

Ou se pensa numa proposta de engenharia que ligue os dois centros da cidade com o menor trajeto possível – quem sabe com uma estrutura móvel e flutuante – ou então essa ponte megalomaníaca teria que vir acompanhada de um ferry-boat subsidiado pelas duas cidades ou pelo governo do Estado para garantir a travessia gratuita para os pedestres.

Na contramão

Simplesmente, construir uma ponte ou um túnel não resolve o problema. É preciso pensar nos pedestres e ciclistas ou vamos pela contramão do desenvolvimento sustentável, favorecendo o transporte individual e poluente e deixando de lado aqueles que estão dispostos a caminhar e usar as bicicletas.

Mais Conteúdo