Aqui não é assim

“Aproveite, vai levar muito tempo para você comer algo parecido”.  A fala é de personagem no filme “Orquídea Selvagem” ao servir um sanduichinho mecrefe  à outra personagem que está de partida para o Brasil. Poderia ser apenas ignorância, mas, considerando que a dona da fala é diretora de uma multinacional, é mentalidade colonialista, mesmo. A moça que comeu o sanduíche descobriu por sua conta que a comida brasileira é muito melhor do que qualquer “junk food”. Descobriu muitas coisas a mais, especialmente certas qualidades de Mickey Rourke, jovem à época…

O acontecido com nadadores americanos durante a Olimpíada mostra que essa mentalidade ainda persiste em certos meios. São jovens e, por mais responsabilidade que tenham, podem cometer erros; não que esteja certo fazê-lo, mas pode-se usar menos severidade nos julgamentos. O que fizeram depois, não pode ser desculpado: criar uma situação, dizer que sofreram um assalto, dar publicidade a isso, demonstra muita estreiteza de caráter, muito descaso para com o país que os recebeu com carinho, muita falta de visão de mundo. Mostra o quanto há de princípios colonialistas na educação que receberam. Não passou por suas cabeças que eram hóspedes do Brasil e representavam os EUA, e que, por isso, seus atos não eram apenas particulares. A primeira reação da imprensa internacional foi patética. Depois, tentou juntar as penas espalhadas ao vento.

Há um pôster de Ronald e Nancy Reagan com uma frase emblemática: “Nós podemos tudo, pois nós somos americanos”.  Um amigo republicano até tentou convencer-me que isso era equivalente ao “Yes, we can”, de Obama, mas não conseguiu.

A gozação da goleira da seleção americana, posando com repelentes,  toda coberta e dizendo-se “Pronta para ir à Olimpíada no Rio”, mereceu a gozação de quem não deve ser provocado: a galera num estádio de futebol; bastava tocar na bola para o público explodir: “Zica”. Já, com Phelps, foi totalmente ao contrário: foi ovacionado o tempo inteiro. Postura, apenas.

Romeo, nosso genro, nascido e criado em Nova York e brasileiro de coração e de paixão, quando não quer fazer algo ou não quer que seja feito de um ou outro modo, dá uma justificativa básica: “Aqui não é assim”, referindo-se aos EUA. Pena que não tenha tido a oportunidade de explicar aos atletas americanos que aqui, no Brasil, não é assim como alguns pensam; aí deu no que deu.

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