Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.

Deputados do Rio criam frente para segurar os royalties do petróleo

Atualizado

Deputados federais e senadores do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo acabam de criar uma frente para segurar os royalties de exploração de petróleo nas bacias confrontantes com seus Estados – e que fortalecem, e muito, seus caixas.

Por pressão de prefeitos, há dias, o ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, pautou para dia 20 de novembro a análise da liminar concedida pela ministra Cármen Lúcia na ADI 4.917, de autoria do Governo do Rio, que barra a redistribuição bilionária dos royalties desde março de 2013 para todos os municípios do País, e não com foco para os “Estados produtores”, como a lei anterior.

Caso o plenário derrube a ADI, o Estado do Rio, já falido, quebra de vez, argumentam parlamentares.

O Rio, que recebe hoje R$ 13 bilhões por ano, pode ter queda para R$ 6 bilhões/ano, afirma deputado Wladimir Garotinho (PSD), um dos idealizadores da Frente.

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) abraçou a causa e já pediu audiências da Frente com Dias Toffoli e o presidente da Agência Nacional do Petróleo, Décio Oddone.

Cármen Lúcia concedeu a liminar após a aprovação no Congresso da Lei dos Royalties do Petróleo (12.734/12). Isso salvou o caixa dos três Estados estes anos, em bilhões.

Os prefeitos de outros Estados, muitos com cidades também à beira da falência, seguem com os pires nas mãos. E têm esperança de conseguir essa grana extra para 2020.

Previdência explica

O Centrão (PR, PRB, PSD, SD) não venceu (ainda), mas avançou bem no campo de batalha com o Governo. Vem aí uma minirreforma ministerial para o segundo semestre – os ‘neoaliados’ querem para já. O PR, de Valdemar da Costa Neto, vai levar a Secretaria de Esporte (antigo ministério), hoje no bojo do ministro da Cidadania.

PSL na AGLO

Se nada mudar nessa tensão de Brasília, o PSL do Rio de Janeiro vai ganhar espaço e ficará com o comando da Agência do Legado Olímpico (AGLO). O indicado para o cargo é um coronel. A priori, a agência, que se encerraria este ano, deve ganhar sobrevida, por lei, com prorrogação de sua existência por mais dois anos.

Tá feia a coisa

A dívida previdenciária de 500 empresas soma, atualmente, R$ 98 bilhões. A lista, atualizada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional inclui, no topo, a JBS S/A e bancos privados. Os 20 maiores devedores, juntos, somam R$ 25,4 bilhões.

Enquanto o calote aumenta a cada ano, o índice de recuperação segue tímido. No ano passado foram recuperados apenas R$ 5 bilhões. O saldo devedor previdenciário supera os R$ 504 bilhões e representa 23% do estoque total da Dívida Ativa da União.

Há um mês, o Governo enviou à Câmara Federal um projeto (PL 1.646/2019) que estabelece medidas de combate ao devedor contumaz. A proposta, no entanto, nem começou a tramitar.

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