Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.

Governo Bolsonaro recorre a militares como padrão de gestão

Com a entrada do general Walter Braga Netto no comando da Casa Civil, no lugar de Onyx Lorenzoni, o Palácio do Planalto torna-se uma Casa de comando militar.

A Secretaria-Geral da Presidência, antes ocupada por Gustavo Bebianno, é chefiada pelo major Jorge Oliveira; a Secretaria de Governo está sob o comando do general Luiz Eduardo Ramos e o general Heleno chefia o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Os militares estão à frente de mais de um terço dos ministérios do governo Bolsonaro. O maior desafio do Planalto – e o temor dos congressistas – é a jinga para articulação.

O ministro Osmar Terra, médico e deputado federal com bom trânsito, não pediu para deixar o comando da Cidadania (ações sociais e Bolsa Família). Foi forçado a sair.

A saída sob pressão de Terra tem a ver com a blindagem de Onyx. Ele precisa do cargo no primeiro escalão para não cair, no plenário, na lupa da PF por eventual caixa 2.

Enquanto isso, a ‘base’ no Congresso é um desastre. O Governo de Jair Bolsonaro é recordista em MPs derrubadas no plenário. A ‘base’ bate cabeça desde o início de 2019.

Carteirinha

Possível nova derrota do Governo: a Medida Provisória que criou a carteirinha estudantil gratuita perderá a validade no dia 16. A chamada MP da Liberdade Estudantil pretendia acabar com o monopólio de entidades estudantis que emitem o documento.

A proposta chegou ao Congresso em setembro passado e, por falta de articulação dos governistas, a comissão especial para discutir o texto sequer foi instalada.

A oposição apresentou mais de 100 emendas para alterar a MP, a maioria do PT e PCdoB – que controlam as entidades que emitem a carteirinha paga. Mais de 27 mil documentos foram emitidos gratuitamente desde a assinatura da MP.

Insultos

O desfile impune de Hans River após seu depoimento à CPI das Fake News, há dias, seria outro (com algema) se o Congresso tivesse aprovado o projeto de lei 226/06 – que estabelecia pena de até 3 anos para quem mentisse. O Congresso o arquivou em 2011, cinco anos depois da CPI dos Correios em 2006 quando a proposta nasceu.

Numa atitude canalha e sem provas, Hans River insinuou que uma repórter da Folha de S.Paulo ofereceu sexo em troca de informações. Agora, com a repercussão negativa da impunidade, deputados querem novo PL para enquadrar esse tipo de ato.

Zonzo no ringue

O PSB de Pernambuco – onde a cúpula nacional se concentra – levou soco e está cambaleante após denúncias do irmão de Eduardo Campos, Tonca. Silêncio é a ordem.

Arremeteu

Criticado pelos gastos com viagens em 2019, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), desistiu do tour nos Estados Unidos que faria a partir de hoje com uma comitiva de senadores. Além de encontros com parlamentares americanos, a agenda previa reuniões com empresários e entrevista a uma emissora de TV.

Duas horas depois de divulgar detalhes da viagem, a assessoria confirmou que o presidente desistiu: “Permanece em Brasília para concluir a escolha dos membros da comissão mista da Reforma Tributária”.

Compliance

Maior processadora de proteína animal do mundo, a brasileira JBS luta para recuperar sua imagem após o camburão da PF levar seus proprietários.

O grupo reforçou ações de Compliance em 2019. Foram 45 mil horas de treinamento para colaboradores, sendo 37 mil sobre o Código de Conduta e Ética com mais de 115 mil pessoas – mais de 98% dos colaboradores da JBS no Brasil.

A respeito do tema anticorrupção, foram mais de 8 mil horas, para mais de 16 mil colaboradores, principalmente alta liderança e posições administrativas.

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