Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.

Pauta da reunião de Bolsonaro com militares foi STF, Moro e coronavírus

Atualizado

A reunião do presidente Jair Bolsonaro com a cúpula das Forças Armadas e ministros militares do Planalto, no sábado – conforme a Coluna publicou em primeira mão no site – foi papo de compadres, mas Bolsonaro incluiu improvisadamente três temas à mesa: saída de Sérgio Moro da Justiça; STF e a investigação de manifestações; e combate a coronavírus.

O maior pedido aos chefes do Exército, Marinha e Aeronáutica, diante de um clima beligerante entre os Três Poderes, foi a garantia da lei e ordem para evitar novamente um eventual cenário de convulsão popular de 2013, durante o Governo Dilma Rousseff, que parou o País. Seguindo a Constituição, claro.

Mas o presidente deixou o povo tenso – e precisa explicar – o que quis dizer com “Chegamos ao nosso limite, não tem mais conversa”.

É balela pura qualquer informe além dessas pautas, principalmente invenção de que trama-se um golpe – o que a oposição sempre alardeia para incendiar o País.

Um golpe é ilógico para os militares, conscientes de seu dever e da consolidação da democracia; sabem que não têm estrutura, nem dinheiro, nem tropa, nem bala no coldre.

O vice-presidente, General Mourão, não participou da reunião. Está muito brabo com bolsonaristas que o chamam de índio golpista e índio traíra. Como se quisesse o cargo.

O comportamento institucional e republicano do vice Mourão é exemplar. Não faz sombra no chefe; sabe que é ali é único lugar do mundo onde um Capitão manda mais.

Sobrou até

“Na crise atual, precisamos de um jornalismo livre a serviço de todas as pessoas, especialmente daquelas que não têm voz; um jornalismo engajado na busca da verdade e que abra caminhos de comunhão e de paz”, postou no Twitter da Santa Sé o Papa Francisco, em alusão à agressão de dois fotógrafos em frente ao Palácio do Planalto.

Mas defensores de Bolsonaro não perdoram Sua Santidade. Um internauta respondeu “blá blá blá blá”; outro escreveu: “O senhor não representa os católicos”. “Então, agora você fala pelos católicos?”, retrucou uma mulher. Para citar apenas três exemplos.

Orlando Brito e Dida Sampaio foram os mais agredidos. Conta Brito – 55 anos de fotojornalismo em Brasília – que foi acudir Dida (levou socos na barriga e empurrões): quebraram meus óculos, me bateram, tentaram quebrar minha máquina.

Sem rodas

A Conab está sem veículos para entregar 74.252 cestas básicas a aldeias indígenas e a quilombolas País adentro. Promove amanhã leilão de frete para escolher transportadora.

Gilmar x Janot

Ainda tramita no STF o inquérito que investiga se o ex-PGR Rodrigo Janot realmente tentou matar o ministro Gilmar Mendes, conforme Janot citou em entrevista a jornal na ocasião do lançamento de suas memórias no cargo. Está sob sigilo desde setembro.

Destravando

A MP 960 prorrogou por um ano prazos que suspenderam pagamentos de impostos federais sobre matérias primas de produtos para exportação. É o regime especial de drawback . O Governo tem ajudado. A economia mundial é quem não poupa ninguém.

Pelo campo

O deputado federal Laércio Oliveira (Progressistas-SE) acredita que uma saída da crise é agregar tecnologia ao agronegócio. Mas alerta para a vulnerabilidade do País, que pode sofrer com interrupção prolongada do suprimento de fertilizantes.

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