Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.

PSL racha de vez e Patriota vira opção para Bolsonaro

O PSL, partido (por ora) do presidente Jair Bolsonaro, rachou de vez no Congresso Nacional após ele falar que o comandante da legenda, Luciano Bivar, está “queimado pra caramba”. Ontem, o Palácio recebeu lista com nome de quase 40 dos 53 deputados do PSL que estão fechados com Bolsonaro – e saem com ele assim que a ‘janela’ de verão permitir.

A tensão é tão grande que, no fim do dia, a mando da cúpula do PSL, a deputada bolsonarista Alê Silva foi excluída da Comissão de Fiscalização e Tributação durante a sessão. Revoltada, desancou o partido: “Só quer dinheiro!”, e completou que, sem Bolsonaro, o PSL não passaria “nem na cláusula de barreira” da regra do TSE. Bivar não se pronunciou até o fechamento da Coluna.

É cada dia mais latente a ida de Bolsonaro – e um séquito de congressistas, deputados estaduais, prefeitos e vereadores – para o Partido Patriota.

Como o racha é notório, não há tempo para articulação. Opção de esperar a criação de um partido (ideia do bolsonarista Luciano Hang, da Havan) está descartada.

No site do PSL só existe um artigo de Bivar falando de Bolsonaro. Cita um capitão e parlamentar com 30 anos de exercício “jamais envolvido em corrupção”.

Cerco socialista

O que estava nas entrelinhas tornou-se transparente em Pernambuco. O secretário de Desenvolvimento Social e presidente do PSB estadual, Sileno Guedes, admite que tem cooptado vereadores e líderes dos 185 municípios para se filiarem ao partido socialista com vistas às eleições de 2022. O objetivo é manter o poder e não deixar espaços para a oposição. Hoje, o PSB tem 70 prefeitos e 43 vices no Estado berço da cúpula da legenda.

Em baixa

A crise interna do PSL provocou estagnação no número de filiações à legenda nos últimos meses. Levantamento feito pela Coluna em dados do TSE mostra que, entre março e abril, começo da gestão Bolsonaro, houve um salto de 240.983 para 271.700 filiados ao partido que tem hoje a segunda maior bancada da Câmara.

De abril a agosto, período no qual vieram à tona vários episódios da guerra interna no PSL, o número de filiados estacionou na faixa de 271 mil. Caso se confirme a saída de Bolsonaro, a tendência é de o partido perder deputados na Câmara e eleitores filiados.

Faroeste elegante

O ex-PGR Rodrigo Janot tem circulado com escolta de dois discretos agentes federais armados. O desafeto Gilmar Mendes, ministro do STF, também reforçou a segurança.

Cochilo

Deve-se a mais um cochilo do Governo no Senado a convocação do ministro Turismo, Marcelo Álvaro (PSL), para prestar esclarecimentos sobre o indiciamento pela Polícia Federal no caso das candidaturas ‘laranja’ em Minas. Senadores do PSL e governistas estavam ausentes da Comissão de Fiscalização e Transparência.

É pouco

Auditoria do Tribunal de Constas da União aponta escassez de pessoal para as atividades de fiscalização agropecuária federal do Ministério da Agricultura. Conforme o Plano de Defesa Agropecuária, auditado pelo TCU, o quadro atual é formado por cerca de 3 mil auditores-fiscais, 6 mil fiscais estaduais, além de 40 mil profissionais privados entre engenheiros agrônomos e médicos veterinários.

Brumadinho

O relatório da CPI da Câmara que apura o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) vai pedir o indiciamento da direção da mineradora e da TüvSüd, a consultoria responsável por atestar a segurança do empreendimento. Até agora foram identificadas 251 vítimas fatais do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão.

A apresentação do parecer do relator, Rogério Correia (PT-MG), está prevista para o dia 29 de outubro e a votação para 5 de novembro. Outra CPI, da Assembleia Legislativa de Minas, que também investigou a tragédia, pediu o indiciamento de 11 funcionários da Vale, entre dirigentes e funcionários, e de dois auditores da TüvSüd.

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