Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.

Renan vira réu em ação que pede reconhecimento de neto no Rio

Atualizado

A vida do senador Renan Calheiros (MDB-AL) tem sido intensa nos últimos anos. Não bastasse a derrota recente para a presidência do Senado – que o deixou no baixo clero – e o escândalo de 2007 sobre pensão para uma filha que o apeou do comando da Casa, agora surge um suposto neto bastardo.

A dona de casa Palewa Tayssa Merçon Marafuz impetrou ação na 4ª Vara da Família do Rio de Janeiro cobrando declaração avoenga do senador, mostram documentos de posse da Coluna, no processo nº 14368-06.2019.8.19.0208. Palewa aponta que Tassyo Fernando dos Santos da Silva, pai de seu filho, seria bastardo de Renan. A ação cita como réus Tassyo e o senador, e pede teste de DNA.

Tassyo é pai de C.F.S.M., de 13 anos, que, segundo Palewa, é neto de Renan. Além disso, a reclamante anexou aos autos informações, com base em e-mails, de que Renan pode ter sido cliente de casas de câmbio de Tassyo, que movimentaram milhões.

Palewa diz que viveu apenas 2004 e 2005 com Tassyo, e que “várias vezes” viu Renan no apartamento do então companheiro, no Rio, onde o jovem operou câmbio. A pensão, hoje em R$ 500, tornou-se insuficiente para criar o garoto, diz a reclamante.

Tassyo, 36 anos, diz que a ação não tem fundamento, e que seu pai – citado na certidão de nascimento – é falecido. E que só fará o teste de DNA caso a Justiça determine. Cita ainda que Palewa responde a processos judiciais no Rio.

Tassyo admite que, antes de ele nascer, sua mãe participou de confraternizações no Rio, nas quais políticos se reuniram, entre eles Renan. Palewa indica que o suposto pai do ex-companheiro na sua certidão é invenção da mãe dele, Maria Avanilda dos Santos.

À Coluna, o senador Renan Calheiros se resumiu a dizer que reconhece três filhos com a esposa, e a filha menor com a jornalista Mônica Veloso. E que paga em dia a pensão.

Calça justa

As recentes declarações polêmicas do presidente Jair Bolsonaro causaram mal-estar dentro do Governo. Houve reações, reservadas, de integrantes nordestinos do alto escalão do Planalto e de ministérios após o presidente se referir aos governadores do Nordeste “de Paraíba”. A declaração sobre o pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, surpreendeu até setores da ala militar e gerou mais mal-estar.

Na última semana, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao Governo, emitira retificação de atestado de óbito de Fernando Santa Cruz. No documento, reconhece que a morte do estudante desaparecido na ditadura ocorreu “em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado Brasileiro”.

Portaria 666

O PSB encaminhou proposta ao Conselho Federal da OAB para que entre com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Portaria 666/19, do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que dispõe sobre deportação de estrangeiros. Segundo o deputado Gervásio Maia (PSB-PB), “não é da competência de Moro nem do Ministério da Justiça legislar sobre esse tipo de matéria, é inconstitucional, pois entra em conflito com a Lei Federal”.

Arranca-rabo

Com a segunda maior bancada na Câmara, três governadores e quatro senadores, o PSL, que ascendeu nas eleições de 2018 com a promessa de renovação, coleciona histórico de intrigas, racha e denúncias de corrupção eleitoral. Apesar de votar fechado em matérias de interesse do Planalto, o partido na Câmara é um dos que mais protagonizam divergências – reservadas ou públicas.

Em maio, as deputadas Joice Hasselmann e Carla Zambelli trocaram xingamentos em rede social. Agora, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), entrou com representação no comitê de ética do partido contra Alexandre Frota (PSL-SP). E o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, do PSL mineiro, segue no cargo sob investigação pelo suposto esquema de candidaturas “laranja”, alvo de todos da sua legenda.

Da democracia

O governador Flávio Dino, do Maranhão, vai conceder a Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, a Grã Cruz da Ordem dos Timbiras, maior honraria do Estado. Os dois foram alvos de críticas do presidente Jair Bolsonaro. O ofício está na mesa de Dino.

A Fatura

Deputados alinhados ao Planalto voltam a Brasília cm a fatura da reforma da Previdência aberta. Parte das emendas, promessa do Governo para obter os 379 votos pró-reforma, ainda não foi liberada e não há previsão de aprovação de Projetos de Lei que destinam recursos para obras ou projetos públicos nos estados dos parlamentares.

Impeachment

Mais um pedido de impeachment contra o presidente do STF, Ministro Dias Toffoli, foi protocolado no Senado. O documento é assinado pelos advogados Modesto Souza Barros Carvalhosa, Luís Carlos Crema e Laercio Laurelli. A nova petição se soma às outras 12, apresentadas só este ano, contra ministros da suprema Corte.

O pedido foi encaminhado para análise da Assessoria Técnica do Senado. Outra, apresentada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que também pede impeachment dos ministros Dias Toffoli e Alexandre Moraes, aguarda há três meses despacho da mesma Assessoria.

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