Fabio Gadotti

Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.

“As decisões têm que ser técnicas, vou continuar nessa linha”, afirma Gean Loureiro

Cinquenta e um dias depois do primeiro decreto municipal, que proibiu eventos ao ar livre com mais de 250 pessoas ao ar livre e com mais de 100 em locais f

echados, o prefeito Gean Loureiro (DEM) afirma que vai continuar pautando as ações com base em dados técnicos e científicos.

“As decisões sobre restrições não podem levar em conta pressões de segmentos”, afirma o prefeito, ao comentar sobre o pedido do comércio para que o poder público libere o transporte coletivo.

Gean Loureiro em live na semana passada para falar sobre ações de combate à pandemia – Foto: Divulgação/ND

Qual o balanço desse primeiro mês e meio de enfrentamento à pandemia?
Florianópolis foi uma das primeiras cidades do Brasil a adotar medidas de distanciamento social, em 13 de março. Em conjunto com isso, compramos equipamentos de proteção individual, adquirimos testes suficientes, implantamos o Alô Saúde – que proporcionou atendimento por telefone -, todas ações que permitiram que a mortalidade pudesse ser a menor entre as capitais. Foram medidas acertadas. Eu não me preocupo com a popularidade, e sim com a responsabilidade. Ainda temos um desafio pela frente, a situação não está resolvida. Temos que controlar a Covid-19.

A Capital ainda não tem a geolocalização para monitorar a adesão ao isolamento social. Como está fazendo para ter um percentual aproximado?
Já fizemos uma solicitação às empresas de telefonia para inclusão de Florianópolis nesse sistema. Para termos o percentual, estamos avaliando dois critérios: por amostragem do uso da máscara, que é a melhor proteção individual, e pelo percentual de ambientes fiscalizados que cumprem as normas sanitárias. Cruzamos esses dois números para avaliar o comportamento da população. Um índice bom permite flexibilização das normas de segurança. Precisamos de um comprometimento e envolvimento total da população. Em grande parte, ela está colaborando.

Qual sua opinião sobre a pressão do setor empresarial para liberação do transporte coletivo?
As decisões sobre as restrições não podem levar em conta pressões de segmentos. Elas têm que ser técnicas. A prefeitura está trabalhando para definir a forma de utilização do transporte urbano com menor risco à sociedade logo que o sistema for liberado pelo Estado. Não adianta começar a liberar e daqui a pouco termos uma curva de contágio crescente que leve a fechar tudo novamente. A saúde e a economia estão do mesmo lado. Se não levarmos em conta dados científicos, podemos ter um lockdown, gerando uma crise sem precedentes. O empresariado me conhece, aliás estou sendo aliado do setor nesse momento. Com os cuidados, estou garantindo, talvez, que não precise fechar tudo de novo no futuro. Quem comanda as decisões é um coletivo social, não um segmento.

A condução do município segue da mesma forma?
A prefeitura está agindo corretamente no combate ao coronavírus. Vou continuar nessa linha, trazendo informações técnicas à população, com uma boa comunicação e serenidade. E sem disputa política e partidária.

O discurso contraditório de autoridades, em diversos níveis, não confunde a população?
Sim, mas estou seguindo a posição técnica do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde. Não estou levando em conta a posição dos agentes políticos, e sim dados científicos.

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