Fabio Gadotti

Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.

“Não vamos deixar a prefeitura parar”, afirma o vice João Batista Nunes

Atualizado

Ainda sob o impacto da Operação Chabu, deflagrada na terça-feira (18), o vice João Batista Nunes (PSDB) está tocando a administração municipal enquanto estiver em vigor a decisão que afastou por 30 dias o prefeito Gean Loureiro (sem partido). Nesta entrevista, ele fala sobre a detenção de Gean e sobre os possíveis reflexos políticos do episódio, entre outros assuntos. “Não vamos deixar a prefeitura parar”, diz.

Vice-prefeito de Florianópolis, João Batista Nunes – Divulgação/ND

Como o senhor recebeu, na terça-feira, a notícia da prisão do prefeito Gean Loureiro (sem partido) e qual foi o primeiro impacto?
João Batista Nunes – Recebi de uma forma muito institucional, pelo superintendente da Polícia Federal. Achei muito louvável a iniciativa dele me comunicar, não sei se é praxe, sobre o que estava acontecendo. E ele me falou que seria uma ação muito discreta por parte da PF. E realmente isso aconteceu. Claro que fui pego de surpresa, como a cidade toda. Foi um dia difícil demais. Trata-se de uma liderança da cidade que tem feito um trabalho maravilhoso. Foi um dia muito triste, mas que terminou em glória, com a liberdade dele.

O senhor passou o dia todo na prefeitura?
João Batista Nunes – Sim, no meu gabinete, tomando a situação de tudo, tendo em vista a falta de comunicação sobre os fatos. Não tínhamos confirmação do que se tratava corretamente. Depois é que ficamos sabendo do depoimento do prefeito. Tentamos manter a rotina do gabinete, da cidade, mas certamente não foi um dia fácil para ninguém.

Enquanto permanecer o afastamento do titular, que a defesa de Gean Loureiro está tentando reverter, como o senhor vai tocar a prefeitura?
João Batista Nunes – Com uma agenda positiva. Alguns assuntos que são mais do domínio do prefeito nós vamos respeitar o tempo dele.

Logo que o prefeito foi liberado pela PF, na terça-feira à noite, vocês conversaram. O que falaram?
João Batista Nunes – Fiz um relato sobre o comunicado feito pela PF e ele me pediu para tocar a cidade. Vejo com bastante otimismo, tanto é que estou no meu gabinete, a possibilidade dele voltar ao cargo o mais rápido possível. Foi importantíssima a liberação dele no mesmo dia e hoje (quarta) o Diogo Pítsica está em Porto Alegre para resolver isso. Nem ocupei o espaço dele, porque a cadeira é dele.

Na entrevista coletiva ao sair da PF, Gean Loureiro disse que confia na Justiça e na PF. O senhor compartilha desta opinião?
João Batista Nunes – Se a gente não acreditar na Justiça, que conforme a Constituição é nosso norte na manutenção da legalidade, em quem vamos acreditar? Confio na Justiça, nas instituições e nas pessoas. Temos que dar esse crédito às pessoas. É lamentável que, baseados nos fatos relatados pelo prefeito, uma ação que pode acabar com a carreira política de uma pessoa. Isso mostra que a classe política está sendo colocada na vala comum, mas que o Brasil tem lideranças que precisam ser valorizadas e protegidas.

Qual será o reflexo desse episódio para a próxima campanha municipal?
João Batista Nunes – Não tenho dúvida que Gean Loureiro vai sair mais forte do que já estava, porque recebi várias mensagens de apoio encaminhadas por pessoas de diversos partidos, inclusive de oposição. Os poderes devem respeitar a Constituição, que dá as diretrizes gerais para todos. Parece que algumas instituições não querem entender isso.

O que o senhor achou da repercussão na Câmara?
João Batista Nunes – Achei muito madura e consciente, me surpreendeu positivamente o posicionamento dos partidos de esquerda e dos vereadores da base.

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