Fabio Gadotti

Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.

“O crédito é muito importante nesse momento”, afirma presidente da Acif

Com cerca de 4 mil associados, a Associação Empresarial de Florianópolis completa 105 anos em meio à crise provocada pela pandemia da Covid-19. Uma das principais ações da entidade é dar suporte aos empreendedores, para evitar mais quebradeira e demissões. Rodrigo Rossoni conversou com a coluna sobre o panorama.

Rodrigo Rossoni, presidente da Acif – Foto: Renato Gama/Mercado

No aniversário de 105 anos da Acif, em meio à pandemia, a rede de proteção aos empresários está fazendo ainda mais diferença?
Sim. A Acif tem diversos papéis, mas especialmente nesse momento é o de poder abraçar causas, levantar bandeiras que o associado sozinho teria muita dificuldade de fazer. A entidade é formada, em grande parte, por micro e pequenas empresas. Com a reputação formada ao longo de 105 anos conseguimos formar essa rede com a união de todos e sermos ouvidos pelo poder público. Além disso, podemos contar uns com os outros e oferecer suporte que nem os governos estão fazendo, como linhas subsidiadas e acesso facilitado ao crédito. Nossa saúde financeira nos deu condições de suspender três mensalidades e oferecer um aporte de R$ 2 milhões ao Banco do Empreendedor para que a Prefeitura de Florianópolis pudesse criar uma linha juro zero especial ao microempreendor individual e micro. O crédito é muito importante nesse momento. O empresário está sendo obrigado a se endividar, porque as empresas estão fechadas e os governos não têm feito quase nada para dar socorro.

Qual a principal reivindicação do setor para evitar mais quebradeira e demissões?
É que decisões de quarentenas mais restritivas venham junto com um plano de apoio, suporte. Se criou essa ideia falsa de economia x saúde, mas não existe essa dicotomia. É uma coisa só. Nossa visão é que não adianta tomar uma decisão com base num único indicador. Temos apoiado as campanhas de uso de máscaras, para que as pessoas só saiam de casa quando necessário, mas o outro lado? Está faltando um plano completo, não essa fragmentação de respostas, sem diálogo e sem previsão sobre o que vai acontecer. Tem que ter um equilíbrio, não dá para pedir que todo mundo fique em casa e que se virem. A grande maioria das dos donos de negócios têm renda de até cinco salários mínimos, e emprega em média quatro ou cinco pessoas. São pessoas que vendem o almoço para pagar a janta. A maioria precisa dessa renda.

O ano de 2020 já está perdido?
As empresas estavam se preparando para um ano bom, sem dúvida nenhuma é um revés que não esperávamos. 2020 vai exigir, criatividade, inovação e resiliência para garantir que as empresas continuem sobrevivendo. Precisaremos de muita união e de muito esforço, especialmente aqui em Florianópolis com a perspectiva de mais medidas restritivas.  Mais de 2 mil empresas já fecharam as portas aqui em Florianópolis, com 48 mil desempregados. E isso ainda pode ser maior, pela margem de erro do levantamento do Sebrae/SC. Isso é uma tragédia na nossa cidade. O baque para Florianópolis vai ser ainda maior por causa do turismo, que vai sofrer muito. Estamos criando um plano de desenvolvimento da retomada, com a contratação de uma consultoria de renome nacional e a participação de especialistas em diversas áreas..

Você defende a retomada do transporte coletivo?
Aqui em Florianópolis está sendo mais fácil fechar do que pensar e planejar. Parece ser mais uma medida pensando na opinião pública. É possível o sistema funcionar com medidas sanitárias, que protejam as pessoas – com prioridade ao combate do coronavírus – mas que permita a circulação. Temos tido poucas informações precisas da prefeitura, e isso gera insegurança em vários aspectos. Precisamos buscar mais previsibilidade. Estamos lidando como se fosse possível controlar totalmente o contágio. Na prática, estamos postergando, porque isso é inevitável. Ou vamos trancar as pessoas em casa nos próximos dois anos? Precisamos aumentar o diálogo e que o poder público tome as decisões com base em mais fatores, incluindo o número de desempregados e de empresas que estão fechando.

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