Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.

Apoio e carinho para os nossos craques do passado

Em artigo recente publicado na revista Placar, o ex-jogador Paulo Cezar Caju, alertou para um assunto incômodo: a situação de craques do passado, principalmente jogadores dos anos 60, 70 e 80 que estão abandonados ou que não conseguiram assimilar as suas aposentadorias do futebol, muitos deles sucumbindo aos vícios e ao abandono familiar e social.

Para ilustrar a sua argumentação, um vídeo que circulou nas redes sociais com o ex-lateral esquerdo Marco Antônio visivelmente bêbado e esfarrapado chocou os torcedores que viram esse atleta atuar em campo com muita maestria vestindo a camisa de grandes clubes e Seleção Brasileira conquistando 5 títulos cariocas, 1 brasileiro e, na Copa do México se consagrou como campeão   do mundo.

Lembrando que o PC Caju – companheiro do Marco Antônio na conquista do tri no México em 1970 – levanta esse assunto com propriedade, pois o próprio teve problemas com o vício das drogas. Com coragem, assumiu esse problema publicamente, e depois, passou a dar o seu testemunho da luta pessoal com o problema, virando um porta-voz da classe dos atletas nesta situação.

Salvo aqui algum engano de percepção, a nova geração parece mais bem preparada para lidar com essa situação. Quando surge alguma notícia de um jogador atual com esse problema o fato é tratado como exceção, e não como regra.  Afinal, é uma geração que ganha muito mais que os atletas das décadas passadas. Muitos deles oriundos de escolinhas de futebol onde existe as exigências de instrução escolar básica que servem depois para o ingresso em outra carreira após as aposentadorias nos gramados. Sem contar que são atletas que tem à disposição assessores no trato com a imprensa; agentes e advogados nas relações com o clube e apoio de “coaching” financeiro para realizar investimentos assegurando um futuro mais tranquilo.

Situação bem diferente do amadorismo nas relações entre atletas e dirigentes do passado, muito bem descrita pelo escritor Ruy Castro no livro “Estrela Solitária”, biografia do ídolo Mané Garrincha e que ajuda explicar um pouco essa triste sina dos ídolos após pendurarem as chuteiras. O próprio Mané foi um exemplo dessa situação – um jogador que arrastou multidões e que morreu pobre e só.

Se o presente é mais promissor para os nossos jogadores (vivas!), o passado tem sido feliz apenas nos gritos vindos das arquibancadas perdidas no tempo. Com a classe que o Paulo Cezar Caju tocava na bola, hoje ele toca no essencial – esses craques precisam de apoio e de carinho.

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