Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.

As chances que o futebol brasileiro perde nas crises para evoluir, crescer

O futebol brasileiro perde grandes oportunidades em momentos de crise para mudar, se reavaliar e encontrar o caminho de seus dias melhores. Insiste em bater na mesma tecla, em dar murro em ponta de faca. Não aproveita os momentos de agonia para se reencontrar com seriedade e com profissionalismo.

Na maioria das vezes nenhuma das partes envolvidas cede o mínimo espaço que seja. Os lados preferem brincar de cabo-de –guerra.

Em momentos recentes o futebol pentacampeão do mundo perdeu duas oportunidades. A primeira foi após a derrota de 7 x 1 para a Alemanha na Copa do mundo de 2014 realizada aqui no Brasil. Ali se perdeu uma chance de ouro para reavaliar tudo o que estava sendo feito; repensar as formas, os formatos e o calendário. Que nada, duas semanas depois a CBF anunciava o nome do Dunga como o treinador da chamada “renovação”. Claro que não deu certo, e o futebol da Europa agradece até hoje.

A outra grande oportunidade foi no ano passado com o trabalho realizado pelo treinador Jorge Jesus no Flamengo. Ao invés de “copiar” os pontos positivos do português com o seu futebol ofensivo e alegre, a maioria dos times optou pelos treinadores de “pranchetas” e ultrapassados. E quem apostou na onda dos treinadores estrangeiros, contratou, “lavou as mãos” e sentou na cadeira esperando o milagre no gramado como se soma do trabalho não fosse o resultado a de toda a equipe: planejamento financeiro; funcionários, base, elenco e comissão técnica qualificada. Ou seja, “tu vieste de fora, agora te vira”. Não é assim que funciona. O trabalho do Mister Jorge Jesus no Flamengo não caiu do céu, é o resultado de um planejamento de alguns anos no time carioca. O mérito é que o treinador Português entendeu o recado da equipe e estava no lugar certo na hora certa.

No atual momento, com o futebol parado por causa da pandemia do coronavírus, não se viu ou não se leu em lugar nenhum ideias e propostas como por exemplo, adequar o calendário do futebol brasileiro com o calendário europeu. Também não se leu nada sobre novas ideias de como repensar os campeonatos estaduais – que insistem em serem deficitários – e a ampliação do calendário dos campeonatos brasileiros com horários mais dignos e acessíveis para os torcedores.

Pelo contrário, o que se vê são os lados puxando para si a razão. Atletas propensos a não cederam, dirigentes idem, rede de TV que detêm a transmissão do evento, muito menos. Cada por si, e o futebol brasileiro – com seus craques e o passado de glória – chegando atrasado no mundo da bola e chutando de bico para as arquibancadas.

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