Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.

CRÔNICA: O clássico Figueirense e Avaí é um jogo pintado com as tintas da emoção!

Neste final de semana teremos mais um confronto entre Figueirense e Avaí. Não é um jogo qualquer. Não é apenas mais uma partida no calendário dessas duas equipes. É muito mais do que isso. É o clássico da capital dos catarinenses, do nosso futebol. É o clássico manezinho.

É o Leão da Ilha atravessando a ponte para enfrentar o Alvinegro do bairro Estreito.

A definição da palavra “clássico” está à disposição nos dicionários para quem desejar pesquisar o seu significado. Mas, em se tratando desse duelo que logo, logo chegará ao seu centenário, é conveniente que o “Aurélio” seja dispensado para que possamos entender e ver o jogo Figueirense e Avaí com as qualidades da emoção.

E a emoção dos torcedores e torcedoras que perdem o sono uma noite antes da partida, a emoção de quem começa a roer as unhas ou sente uma palpitação diferente do coração. Somente assim, com emoção, é possível definir a palavra “clássico” se referindo ao encontro dos dois times mais vezes do campeão do estado: Figueirense e Avaí.

Emoção que vem desde os anos 1920.

Lá desde o primeiro confronto vencido pelo Figueirense e muito contestado pelos avaianos da época. A emoção de ver os alvinegros Calico e seus irmãos vencerem vários clássicos no Adolfo Konder nos anos 30, a emoção de quem assistiu o Avaí arrasador dos anos 40 com Adolfinho, Nizeta e Saulzinho golear o alvinegro pelo inacreditável placar de 11 a 2. A dupla que mesmo com jejum de títulos dos anos 50 viu a rivalidade crescer a cada dia.

A emoção dos alvinegros com a sua nova casa,  o estádio Orlando Scarpelli nos anos 60. A emoção da briga pela primeira vaga ao campeonato nacional em 1973, sendo que dois anos antes, um clássico terminou com vinte e dois jogadores expulsos.

Querem mesmo tentar entender o clássico Figueirense e Avaí com as tintas de emoção?

Pergunte para um torcedor ou torcedora do Avaí, para que relembre o drible do Zenon que deixou dois zagueiros do Figueirense caídos e na sequência lançou para a cabeçada fatal do atacante Juti na final de 1975 no Scarpelli? Pergunte!

Você vai ver um sorriso aberto, de orelha a orelha. Agora pergunte para um torcedor ou torcedora do Figueirense para que relembre em detalhes sobre os dois gols do atacante Genilson na conquista do estadual de 1999 diante do Avaí? Você vai esse torcedor ou torcedora ir ao êxtase e suspirar.

Para fechar, converse com torcedores mais jovens sobre os detalhes da final do estadual de 2012 vencido pelo Avaí: três a zero na Ressacada com show do saudoso Cléber Santana e dois a um no Scarpelli para festa ficar completa?

Você vai perceber que para entender o clássico basta acompanhar as emoções envolvidas. Apenas isso, sinta a emoção.

Clássico é tão importante que para muitos torcedores e torcedoras, se a sua equipe não perder para o principal rival, o ano já está ganho. Nem precisa ganhar o estadual ou aspirar algo mais no brasileiro. É como se fosse um campeonato dentro do campeonato. Jogo que projeta heróis e faz jogadores serem taxados de vilões para sempre: um jogo diferente.

Com expectativa diferente e com clima diferente. O clássico deste domingo entre Figueirense e Avaí no estádio Orlando Scarpelli só vai terminar, quando novamente a dupla entrarem campo novamente para um outro clássico mais a frente.

Nesse espaço de tempo, muitas discussões: foi pênalti, não foi -a bola entrou, a bola não entrou. Discussão sem fim.

Porque na ótima definição do manezinho (que não consultou o dicionário): “clássico é clássico, e vice-versa”.

Mais conteúdo sobre

Mais Conteúdo