Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.

ENTREVISTA: Tullo Cavallazzi, advogado. Assunto: Clube Empresa.

Tullo Cavalazzi acredita que a crise pode acelerara transformação da gestão dos clubes brasileiros – Foto: divugação/ND

O advogado Tullo Cavallazzi é Presidente da Comissão do Direito Desportivo da OAB Nacional. Como mediador de recentes debates sobre o assunto, Tullo opina com autoridade sobre esse tema e aponta que, apesar de não o único caminho, o clube-empresa merece atenção de todas as partes envolvidas e interessadas.

O clube-empresa é o caminho correto a ser trilhado pelo futebol brasileiro?  

O clube-empresa é um dos caminhos. Temos clubes administrados na forma de associação civil que tem gestão profissionalizada, governança e bons resultados. Todavia, encontram gargalos para o recebimento de investimento ou recebem tratamento tributário desigual. É neste momento que o clube empresa aparece como alternativa de solução.

Das experiências internacionais sobre esse modelo internacional, o que de positivo e o que de negativo deve ser destacado?

De positivo destaca-se o aumento de clubes gerado pela possibilidade de que eles sejam gerenciados como empresa. O Brasil hoje tem pouco mais de 700 clubes de futebol. Esse número poderá ser muito maior. De negativo vejo o excesso de profissionalismo sobre a paixão, havendo clube de “donos” e sem torcida.

A crise decorrente da pandemia pode acelerar essa discussão e implantação?

Sem dúvida a crise pode acelerar. Primeiramente porque a situação financeira dos clubes ficou ainda mais agravada e os projetos em trâmite, neste ponto, trazem soluções tributárias e trabalhistas. Depois porque a pandemia poderia garantir aos projetos a tramitação legislativa de urgência.

Duas propostas diferentes no congresso caminham para uma espécie de conciliação. Como o Sr. avalia esse movimento?

Exatamente. As duas correntes jurídicas de discussão parecem ter se alinhado nos últimos dias. O modelo se Sociedade Anônima do Futebol – SAF, proposta pelo Senador Rodrigo Pacheco poderia figurar como um dos modelos societários propostos no Projeto de Lei do Deputado Pedro Paulo, que é mais amplo. Assim um seria absorvido pelo outro e a aprovação em conjunto resolveria a questão.

O Sr. não tem medo essa ideia aqui no Brasil – por emendas, ou por lobbys – mude a essência e crie algo inviável de implantação?

De fato, esse era um dos receios de parte dos críticos. Mas, o histórico legislativo brasileiro é este: permite ampla participação e às vezes desfigura a essência. Todavia, neste caso, as mudanças propostas são opcionais, ou seja, irã aderir aqueles que optarem voluntariamente. Logo, isso ameniza eventuais imprecisões e pelo menos inaugura uma nova página no Futebol que ao longo dos anos passará a ser aperfeiçoada.

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