Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.

Marcos Aurélio de Ávila e Moraci Sant’Anna: a lição do discípulo com o mestre.

Marcos Aurélio de Ávila e Moraci Sant’Anna. A lição do discípulo com o mestre – Foto: Acervo pessoal/divugação

O preparador físico Marcos Aurélio de Ávila com passagens aqui no futebol do estado pelo Figueirense, onde foi campeão estadual em 1999, Avaí e Joinville e no futebol do exterior atuando no Chunnam Dragons, da Coréia do Sul, com 2 livros publicados sobe o futebol e preparação física e hoje atuando com jovens atletas em escolinha, relata para a coluna uma passagem muito enriquecedora e interessante lá no início da sua carreira. Recém-formado em educação física pela UDESC no ano de 1993, Marcos Aurélio de Ávila foi fazer um estágio no ano seguinte no estádio do Morumbi no então poderoso São Paulo – clube bicampeão do mundo – onde atuava o preparador físico Moraci Sant’Anna e o mestre e inesquecível treinador Telê Santana. Pouco tempo depois, Ávila reencontrou com o Moraci aqui em Florianópolis, nos campos de treinamento do Costão do Santinho onde a Seleção Brasileira se preparava para o último amistoso, na Ressacada diante da Islândia antes da viagem para a Copa do Estados Unidos. (Nesse jogo o Brasil venceu por 3 x 0 e Ronaldinho Fenômeno marcou o seu primeiro gol com a camisa amarela da seleção). Na concentração da seleção no norte da ilha, o jovem preparador físico teve o privilégio de ter contato com o treinador Carlos Alberto Parreira e Zagalo. Uma verdadeira aula prática. Nessa ocasião, o discípulo Ávila perguntou ao Moraci como era trabalhar com o “casca grossa” Romário. A resposta já era esperada: “difícil” já que Romário teria respondido o seguinte: “Professor, esse negócio de correr em treino não é muito comigo”. Mas Moraci depois relatou que foi usando da experiência para convencer o baixinho a treinar: “Você precisa, lá nos EUA vai ser muito quente, tem a possibilidade de você ser a estrela, o artilheiro da competição”. Bom, o resultado dessa história toda é que a Seleção Brasileira conquistou o tetracampeonato e o rebelde Romário correu muito, virando a grande estrela da competição. O então iniciante Marcos Aurélio de Ávila aprendeu uma grande lição para a sua carreira de preparador físico no relacionamento com os atletas – seja ele novato ou experiência: não bater de frente, contornar e, acima de tudo, respeitar. “O que fica de mensagem e o motivo para relembra esta história, talvez nunca contada em público e para o torcedor entender como e importante a forma de comandar um grupo ou um atleta. Eu mesmo usei muito está forma; sem bater de frente, com psicologia e domando as feras. Mostrando conhecimentos e conscientizando.  O que muitos hoje chamam de gestão de pessoas. Não é Sr. Tite? Isto nós já fazíamos há 25 anos” finaliza o professor de educação física Marcos Aurélio de Ávila, relembrando um momento muito instrutivo lá do início da sua carreira e compartilhando aqui com os leitores e leitoras diários desta coluna.

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