Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.

Presidente Rubens Angelotti, da FCF, abre o seu coração: “É uma dor que estamos sofrendo”

Presidente da FCF Rubens Angelotti – Foto: Divulgação

O dirigente Rubens Angelotti, presidente da FCF (Federação Catarinense de Futebol) é uma pessoa do bem que herdou uma entidade marcada por uma gestão personalista de quase três décadas do ex-presidente Delfim. Tem um jeito diferente de administra: aparece pouco, tem a fala baixa e calma. É um presidente avesso do anterior. Por isso, Angelotti sabe que inevitavelmente sempre é comparado com o jeito de agir do ex-presidente Delfim. É o preço a ser pago nessa situação. Após um contato na tarde desta quarta (10), o presidente Rubinho abriu o seu coração. Ele não esconde o seu “sentimento depressivo” por causa da parada do futebol e das vidas que estão sendo perdidas por causa do coronavírus. “É um sentimento de impotência” ciente de que muitas ações não dependem apenas da sua caneta e de que no futebol “centenas de pessoas estão no entorno de cada clube e a soma disso tudo atinge milhares de dependentes direta ou indiretamente”. Perguntei para o presidente se a possibilidade do retorno do futebol no dia 8 julho amenizaria a sua aflição. A resposta não foi lá muito otimista “apenas ameniza a carga de responsabilidade”.

O que representa este momento para o presidente da Federação Catarinense de Futebol?

Não há dúvida de que o sentimento de impotência, diante de uma situação tão grave me causou um forte sentimento depressivo. Já estive na administração de um clube e sei que as dificuldades diárias que devem ser vencidas, atormentam os dirigentes. Imagina superar uma carga para a qual você não tem resposta, não tem perspectivas de uma solução.

Qual a ligação direta da pandemia com o futebol catarinense?

O futebol abrange muito mais do que um simples jogo, uma disputa comum entre dois times. Centenas de pessoas estão no entorno de cada clube e a soma disso tudo atinge milhares de dependentes direta ou indiretamente. Mas a comparação de tudo isso é menor quando diariamente a gente se depara com o problema social e de saúde que a pandemia estava causando e continua a causar. Por mais sólido que seja o futebol catarinense, todos nós ficamos impotentes diante desse problema. E isso nos causa uma ansiedade muito grande que chega a ser atormentadora.

A volta do campeonato elimina esta aflição?

O retorno do nosso campeonato não diminui muito menos elimina esta aflição. Apenas ameniza a carga da responsabilidade que temos sobre um problema insolúvel. Espero que a volta do futebol coincida com a diminuição do sacrifício que esta pandemia está impondo a todos nós e atingindo milhares de brasileiros de forma fatal.
Que mesmo fora dos estádios os torcedores reencontrem momentos de alegria e motivos para amenizar a dor que estamos sofrendo.

Rubens Angelotti, Presidente da Federação Catarinense de Futebol

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