Fábio Machado

Rotina, contratações e análise dos jogos dos clubes catarinenses. A história do futebol no Estado é resgatada com postagens que relembram os títulos e jogadores que marcaram Santa Catarina.

Uma reflexão sobre o sincero desabafo do treinador Hemerson Maria: “Tô de saco cheio!”

Hemerson Maria, técnico do Figueirense – Anderson Coelho/ND

O treinador Hemerson Maria desabafou, abriu o seu coração após o empate em um a um do Figueirense diante do Londrina na noite desta sexta(19). Ele estava sem conceder entrevista desde a conquista da Recopa Catarinense diante do Brusque no último dia 4 de julho no Scarpelli. De lá pra cá, bons resultados em campo e crises externas (e internas com greves de jogadores). Ontem Maria falou tudo o que estava acumulado durante esse tempo sem coletivas no clube.

Sobre o resultado, o treinador minimizou os dois pontos perdidos, ao garantir que a batalha pela acesso continua e que o Londrina é um confronto direto, assim como é o Paraná, adversário da próxima terça. Novamente o treinador voltou a convocar o torcedor. Analisou as modificações táticas e garantiu que tentou criar oportunidades para tentar a virada na partida. Mas no fim reconheceu que

faltou mais finalização e mais inspiração para conquistar a vitória

Sobre o jogo, o que aconteceu no gramado  e diante do seu desabafo Hemerson Maria foi ousado e disse

o menos importante foi o resultado

Aqui ele deu a tônica do seu desabafo completando

Tô de saco cheio

Evidente que aqui a sua declaração tem que ser entendida com o mesmo pensamento que tem a maioria dos torcedores e esse colunista. Saco cheio de falar, comentar sobre as situações políticas e administrativas do clube. Há muito tempo, que as notícias correm em paralelo, ofuscando as jogadas em campo, os gols, os dribles.

Eu aprendi com a minha família desde cedo o sentimento de partilha(…) Vamos precisar do presidente até o mais humilde funcionário. É complicado você ver um funcionário com salário atrasado e não estar se comovendo.

Ufa… Aqui uma pausa. Visivelmente emocionado o treinador lembrou da sua infância e do seu avô que acolheu uma família sem recursos que teve o seu barraco alagado pelas águas da chuva. Relembrou um fato, um acontecimento que marcou a sua infância. Segue…

Alguns meninos estão há meses sem receber ajuda de custo. Alguns não tinham dinheiro para comprar uma pasta de dente. A situação estava crítica.

Um Hemerson Maria solidário, até porque ele já passou pela base do clube, como jogador e treinador. Sabe e conhece a realidade.

O presidente Cláudio Honigmann vem trabalhando muito para sanear o clube. O tenho que receber do Figueirense 65% de um salário, direito de imagem e mais um salário que venceu. E não é motivo para estar paralisando. Mas estou vendo a situação dos outros.

Novamente o treinador expõe a crise interna e no entanto dá um crédito ao presidente Cláudio Honigmann.

Nem tudo é humildade. Eu sou campeão brasileiro, eu tenho mercado. Eu não recebi nenhum nem dois convites para sair. Eu tive uma proposta para ganhar 500 mil dólares no mercado árabe. Mas eu não posso abandonar o clube que me deu formação.

Aqui  ele se valorizou. Mas não foi por arrogância (o Hemerson Maria está muito longe disso que o conhece sabe disso), mas sim, a intenção é mostrar o seu comprometimento com o projeto do clube.

Tem o Conselho Deliberativo, tem o Conselho Consultivo, o Conselho não sei o quê…e as pessoas tem ficar fiscalizando. Se eles viessem aqui iriam ver a situação desses funcionários, que mesmo assim são dedicados e tem o sorriso no rosto.

Aqui uma “pegada” nos poderes constituídos do clube. Omissão do Conselho Deliberativo por ter “deixado a coisa correr frouxo”.

Reino dividido não prospera. Não adianta o presidente Cláudio estar trabalhando e eles por fora minando. E vice-versa. Não adianta.

Passa….

Sou treinador profissional desde 2012. E quando o atleta faz uma reivindicação ele faz para si. A gente quer receber o nosso salário com dignidade. Que o Figueirense decida e se una. Atrapalha o resultado do jogo, treinamos dois jogos a menos.

Aqui uma alerta: o treinador Hemerson Maria deixa claro que não tem como as questões externas não deixarem de influenciar com o que acontece no gramado, por mais que o grupo esteja unido. Repito: um alerta do treinador.

Queremos uma solução definitiva para que o Figueirense possa se recuperar o espaço que ele perdeu no cenário nacional Nós temos uma nação por trás.

Aqui não carece de nenhuma explicação. Uma nação de alvinegros acompanha atônita os acontecimentos.

Quando eu sair daqui quero que as pessoas sintam a minha falta.

Hummmm.  Não, não!

O clube está agonizando e suplicando. O clube está agonizando por uma ajuda  e um apoio. Que alguém venha e resgate esse clube aqui.( …) Tem que ser resgatada a dignidade do Figueirense.

Que venha alguém e resgate o clube?

Falam tanto em notáveis, em notáveis  (aqui Hemerson bateu forte na mesa). Notável é o torcedor do Figueirense. Notáveis são os funcionários do Figueirense.

Mais uma vez valorizando os funcionários, o torcedor e um recado claro e direto ( ou seria um apelo?).

CONCLUSÃO: Um desabafo autêntico de um profissional autêntico, honesto e dedicado. Sem meias-palavras e direta. A sensação é de que o Hemerson Maria precisava falar e falar. Até porque, ele vem sendo diante do grupo (e também diante do seu torcedor) uma espécie de “avalista moral” do projeto que visa o retorno da equipe para à série A. E como tal, sente toda a pressão, toda a carga emocional. Hemerson Maria treinador foi ontem na entrevista coletiva o  Hemerson Maria menino criado na Procasa com dificuldades e carências. Lugar onde “sempre teve partilha” e onde ele formou o seu caráter.

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