Ah, esses anúncios

Não sou muito de acreditar em anúncios. Mas às vezes, confesso, pelas vantagens apregoadas, fico tentado a adquirir um produto. Sabe como é, a carne é fraca.

Esses tempos, encontrei numa revista o seguinte anúncio: “Todas as pessoas são iguais. Ratosol faz a diferença.” A ilustração mostrava o feliz usuário de Ratosol cercado de belas garotas, tomando seu uisquinho num iate. E, melhor ainda, sem nenhum rato, ratazana ou camundongo para atrapalhar. Quem não deseja uma coisa dessas?

Resolvi comprar um spray para experimentar. Depois de três dias as coisas começaram a acontecer. De tardinha, bateram à porta. Era uma tremenda gata, dessas que aparecem na capa das revistas para homens. Ela já foi perguntando: o senhor tem Ratosol em casa?  Resposta afirmativa. Então me olhou sedutora: não vai me convidar para entrar?

Incrível, as belas mulheres parece que vinham pelo cheiro. Vi que o produto não atraia somente os ratos para eliminá-los (isso era secundário), o que valia mesmo eram os “efeitos colaterais”, como sugerido no anúncio.

No outro dia, adivinhe leitor, atendi ao telefonema de um famoso apresentador de TV. Em vez de responder alô, disse “Ratosol” e ganhei um cruzeiro às ilhas gregas. Mais tarde veio o melhor, uma proposta para escrever e publicar minhas memórias.

O livro deu pouco trabalho, consegui encaixar no papel todos os emocionantes lances de minha vida, em menos de um dia – descontadas as horas de academia, caminhadas, refeições, descanso e novelas –, mas vendeu mais do que latinha de cerveja no verão. Aliás, todas as edições se esgotaram no exterior, por isso os leitores brasileiros não chegaram a conhecer essa estupenda obra.

O jatinho, ganhei em uma aposta com o dono da TAM. Ele garantia que eu não possuía em casa o spray de Ratosol. Certamente achou que eu não tinha classe suficiente para pertencer ao maravilhoso mundo de Ratosol. Ah é? Então vamos apostar, falei. Meu iate (nessas alturas, eu já havia comprado o iate) contra seu jato particular. Não preciso dizer o que aconteceu.

Minha desgraça foi acreditar em outro anúncio: “Nadavit, para o homem que tem tudo”. Eu tinha tudo, então o anúncio era mesmo para mim. Comprei o produto. De repente comecei a perder tudo o que possuía, carros, iates, mansões, empresas e até as “gatinhas” que sempre juraram que me queriam, não pelo dinheiro, mas por minha beleza interior. Fiquei a zero, mas, acredite, o produto é bom.

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