Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

A arte de pensar claramente para perceber que felicidade é hoje ou… nunca!

Você já sabe que faz tempo que apelidei a Psicologia de “bruxa má”, e o fiz porque ela de fato nada tem de fada madrinha.  Bruxa má mesmo, ela só nos puxa máscaras e nos faz ver no espelho da vida os nossos equívocos e os motivos de nossos desatinos. O melhor dos seres humanos é um desatinado, é destino humano vivermos em erros…

Felicidade, por exemplo, é um assunto aborrecido e elástico. Aborrecido porque é inútil, a felicidade não é deste mundo, está na Bíblia… O que chamamos de felicidade não passa de momentos de anestesia cerebral, entramos num transe de momentos e dizemos que estamos felizes. Minutos depois já voltamos ao nosso emburrecimento habitual…

Tenho um amigo, jornalista, que me provoca sempre que pode. De uma feita, disse a ele que estava disposto a começar a jogar na Mega-Sena, afinal, estava cansado de ser pobre… Falei isso e ele não teve pejo, simplesmente me disse que eu podia ganhar todo o dinheiro do Banco do Vaticano que de nada me adiantaria, que eu ia continuar como sou, sentado num canto, lendo e recortando jornais, falando sozinho (na verdade fazendo comentários), o mesmo de sempre, enfim…

Pois ontem me lembrei desse meu amigo. Estava lendo o livro “A Arte de Pensar Claramente”, de Rolf Dobelli, e à página 135 fiquei sabendo de uma pesquisa do psicólogo americano Dan Gilbert, da Universidade de Harvard, pesquisa que nos derruba expectativas diante da luta pela felicidade.

O psicólogo estudou a vida de pessoas que ganharam muito dinheiro em loterias, prêmios acima dos 10 milhões de dólares. E qual a surpresa? A “surpresa” é que a felicidade dos vencedores na loteria não dura mais que três meses. Depois desse tempinho, os até então felizes voltavam a ser o que eram antes do prêmio, os mesmos, sem tirar nem pôr.

Esse tipo de pesquisa foi feito em muitas instâncias, situações onde pensamos morar a felicidade. A propósito, e a felicidade de dois recém-casados quanto tempo vai durar? Ora, três meses… A paixão não vai longe, ela é preguiçosa. Os humanos não suportam felicidade longeva… É o que parece. Mais uma vez, é melhor então vivermos intensamente o agora, deixando o amanhã ao seu tempo. Felicidade é hoje ou… decepções.

HORROR

Ouça esta manchete do site UOL – “Filha de… assume Botox aos 18 anos”. A guriazinha, 18 anos, é filha de uma mulher que já foi famosinha… Tem cabimento, 18 anos e a cara recheada de Botox? O que ela está buscando? E o que fará quando tiver 30 anos? Já sei, estará depressiva, entupindo-se de comprimidos para dormir e somando três, quatro “casamentos” com machinhos iguais a ela. Coitadinha da “órfã”.

FALTA DIZER

Com a Psicologia não se brinca, ela é bruxa má, já disse. Se na sua empresa alguém colocou uma placa – “tantos dias sem acidentes” – mande o obtuso tirá-la. Esse tipo de placa provoca tensão e eleva os riscos de novos acidentes. Aquilo que muito evitamos, sob pressão, atraímos… Paz é a melhor segurança no trabalho.

 

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