Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Boca fechada

– “Cala-te e ter-te-ão por sábio”, sentenciou o rei Salomão, o da Bíblia. Outra frase magnífica e na mesma linha peguei-a lendo Baltazar Grácian, jesuíta espanhol, 1601-1659. Grácian foi direto: – “Fala, se queres que te conheça”. Essa frase gerou a base da psicanálise freudiana.

Lembrei-me dessas frases ao ouvir ontem um sujeito dizer a um amigo, por pura brincadeira, uma frase que de há muito eu não ouvia. O sujeito se aproximou de um amigo e esse amigo de imediato disse a ele: – “Ô fulano, onde compraste essa camisa tinha para homem”? Era uma camisa listrada, nada de mais. Uma piada/brincadeira.

Fazia tempo que eu não ouvia esse “gracejo”. E esse gracejo me fez pensar. Tudo bem, brincadeira entre amigos, mas… Bem que podia ser evitada, afinal, se o sujeito chegava com uma camisa nova não era momento para ouvir que a camisa não lhe assentara bem… Pessoas sensíveis, educadas, não brincam com o que bem pode ser coisa séria para os outros. E isso também me faz lembrar de mulheres insensíveis que fazem observações às amigas e que bem as podem ofender. Vou dar como exemplo o que já ouvi “algumas” vezes, e até hoje não sei o que leva alguém a fazer tal observação. Uma colega de trabalho, por exemplo, vai sair de férias. E diz às amigas que vai tentar uma dieta e dar uma repaginada no looking. Dá um beijinho em cada colega e some. Entra em férias.

Passados os 30 dias de férias, mais magra e de cabelo cortadinho, ela volta. Ao entrar na sala de trabalho, lá estão as colegas. Uma delas salta da cadeira, abre os braços para o reencontro e a boca para dizer uma refinada insensibilidade, uma estupidez mesmo: – “Guria, o que fizeram com o teu cabelo”? Uma sonora desaprovação ao cabelo da colega que voltava.

Melhor teria sido seguir Salomão, o rei: – “Cala-te e ter-te-ão por sábia”! Ou seguir Baltazar Grácian: – “Fala, se queres que te conheça”. Se não for para dizermos algo agradável às pessoas em nossos encontros sociais, manter a boca fechada é virtude singular. Virtude de bem poucos, infelizmente.

EDUCAÇÃO

A mãe era uma mulher visivelmente pobre… Ia por uma calçada e levava dois filhos, um menino e uma menina. O guri segurava um boneco do Homem Aranha. E a menina levava uma boneca. Por que o aprendiz de mandrião não levava a boneca e a guria o Homem Aranha? Estúpidos “condicionamentos” diferenciais entre guris e gurias. Aí começa o roteiro dos futuros feminicídios… Aí.

FALTA DIZER

Claro que não quero o mal dos meus amigos livreiros ou donos de livrarias, é óbvio. Mas você algum dia ficou sabendo de jovens que foram a uma livraria roubar livros? Nem a pau, Juvenal. Mas vão a supermercados roubar chocolates, doces, iogurtes, frutas; comem, bebem e saem sem pagar. Numa boa! Por que esses vagabundos, de todas as classes, não vão ler um livro? Levá-los para a salinha dos fundos da “minha” delegacia, vão aprender a ler… Maquiavel. Sairiam “doces”.

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