Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Buracos da vida

Atualizado

Estava meio sem graça e decidi buscar uma inspiração, um entusiasmo qualquer… Fui aos meus arquivos temáticos procurar alguma história de efervescer. O diacho é que um tema que nos inspire pode também nos irritar, a linha entre motivar e irritar é muito frágil.  Não raro, acabamos descobrindo que somos uns frouxos.

De pronto, dei de cara com esta manchete: – “Homem de 101 anos é resgatado de escombros”. A reportagem contava de um idoso que ficou “uma semana” embaixo de casa destruída após tremores de terra no Nepal.

Veja bem, um homem de 101 anos ficou embaixo de escombros por uma semana, sem comer nem beber. Saiu sacudindo a poeira, descoberto pelos bombeiros. A notícia é de 2015, mas vale para a eternidade.

Outra manchete: – “Milagre no Paquistão – mulher de 40 anos é resgatada dos escombros de sua casa 63 dias após o terremoto”. Ouviste bem, leitora? 63 dias debaixo da terra, sem comer nem beber…

Mais uma história, esta é brasileira. – “Garoto é resgatado com vida após nove dias em um buraco”. Foi em Belo Horizonte. O piá, de 13 anos, corria atrás de uma pandorga quando caiu num buraco desconhecido pela comunidade. Foi encontrado por acaso. Saiu faceiro… Nove dias.

Outra. Jovem americano, Cameron… 15 anos, não sabe como, desmaiou sobre os trilhos de um trem. Perdeu um braço, as duas pernas e ficou todo lanhado. Desistiu da vida? Nada, reagiu e voltou ao skate, ao surfe, à natação e às corridas de 100 metros rasos, onde corre em 11 segundos. Tente, leitor, correr 100 metros rasos em 11 segundos, tente…

De que servem estes exemplos? Servem para nos diplomarmos como frouxos. – Ah, não posso isso, não posso aquilo, não tenho jeito para isso, não tenho sorte, não vou aprender… E vamos amontoando desculpas para não agir, não crescer… De repente, a vida dá-nos um contravapor e vamos nos descobrir: – Pô, não é que eu consegui? Sim, conseguiste, mas só depois de quebrar as unhas. Por que não antes? Se um velhinho fica uma semana sem comer nem beber e sai inteiro de um soterramento, por que os dengosos da mamãe não conseguem segurar uma dieta por um dia que seja? Pífios. Falta-lhes um buraco na vida. Ou um teto sobre a cabeça.

BOIS

Se alguém aqui no Estado resolver voltar ao passado, e em nome de uma cultura estúpida, criar um moinho de farinha com um boi no trabalho escravo, que enfiemos o pé na porta e acabemos com tudo. Só o que faltava, em nome de uma boçalidade, permitir-se que um animal indefeso fique com os olhos tampados por horas e horas andando em círculos para fazer farinha… Só o que faltava. Pé na porta!

FALTA DIZER

De um site de jornalismo: – “10 estratégias para manter a barriga definida”. E o que se ganha com isso? Por que não: “10 dicas para manter a cabeça alinhada”? Os idiotas veem a “beleza” no espelho, e são “horrorosos” por dentro, em suas cabeças. Dá no que anda por aí…

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