Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Chuva e Sol

Atualizado

Vivemos procurando desculpas para os nossos amuos ou fracassos na vida. Acabei de ver um quadro no Balanço Geral, da Ric/TV Record, onde um cidadão falava sobre “Mudanças de tempo podem influenciar no humor”. Aquela história de alguém abrir a janela pela manhã, ver o dia sombrio, a chuva fina e o frio fustigando a todos pelas calçadas… E a pessoa, atrás da janela, dizer: – “Ai, que dia horroroso, meu Deus ter que sair com um tempo desses, que desgraça é ser pobre…” E a partir desse momento o dia fica um horror para essa pessoa. Ou, então, de outro modo, a pessoa abre a janela vê um baita sol lá fora, a temperatura está lá em cima, dando praia mesmo, e diz: – “Ah, que beleza de dia, meu Deus vou aproveitar, vou dar umas voltas, vou à praia, vou me divertir…”!

Você já ouviu dessas frases, pois não? E aposto que também já exclamou dessas frases, claro que sim, diachos!

Mas não é bem assim. Um dia não é bom nem ruim. Nós é que estamos com a crista baixa, emburrados com nós mesmos, chateados por alguma coisa, consciente ou inconsciente, e jogamos no frio ou na chuva as nossas encrencas existenciais. Uma pessoa perde um amigo, perde um familiar num “lindo dia de sol”… Esse dia será lindo? Ou, de outro modo, faz chuva e frio, mas a pessoa acaba de ganhar aumento de salário no trabalho, está saindo de férias para uma viagem de lua-de-mel e vai reencontrar amigos em Paris… Será que essa pessoa vai notar que o sol está escondido entre nuvens? Vai nada. Costumamos jogar nas condições do tempo ou em qualquer coisa as nossas decepções e frustrações na vida. É duro ter que admitir que nossas encrencas vêm de nós mesmos, quando não vêm dos instransponíveis da vida. As condições do tempo por si sós não nos abatem, mas… Podem ajudar, isso sim. Ajudar, mas não determinar.

O mais são desculpas de que nos valemos para não ver, no espelho do banheiro, quem de fato nos chateia a vida, nós mesmos.

ORGASMOS

Agora, ouça esta manchete de um jornal de São Paulo: – “Crescem cursos que ensinam as mulheres como ter orgasmo”. Pode isso? Orgasmo é como espirrar, vem naturalmente… Para as mulheres, o orgasmo é o resultado de uma entrega, de uma vontade, não havendo essa entrega, essa vontade, não haverá orgasmo. Bom não insistir, mas… Quantas mulheres fingem sentir o que não sentem no sexo? E “eles” nem desconfiam… Ninguém ama sem orgasmos…

FALTA DIZER

Erros da imprensa. O primeiro é não dar o nome de bandidos de menor idade. Ah, mas a lei proíbe! A lei é o interesse público, fim de conversa. E a outra questão é a “deificação” de bandidos: fotos, descrição de seus crimes, reincidências do sujeito, tudo que lhes “incensa” a vaidade e lhes confere “respeito” nas comunidades e entre parceiros. A imprensa tem que “desconhecer” os bandidos, citá-los uma única vez e nada mais. Bah, como perco tempo!

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