Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

É sábio esperar?

Atualizado

Você vai ficar esperando? Não acredite no provérbio que diz que “Quem espera sempre alcança”. Quem disse isso pela primeira vez quis dizer que é bom não se precipitar, mas… Esperar lutando, suando, fazendo indispensavelmente o que deve ser feito para que cheguemos ao pote com que sonhamos. Mas não é o que mais vejo…

Não me canso de escutar pessoas dizendo que se vão realizar quando… Quando me formar, quando me casar, quando tiver minha casa própria, quando meus filhos forem independentes, quando eu for para uma cidade maior, quando eu ganhar mais, quando, quando, quando…

Essas pessoas não se dão conta de que falam numa voz passiva e que esperam pelo futuro para serem felizes. Essas pessoas, por decisão própria, só serão felizes quando tiverem isso, quando forem aquilo… Um jogo de dados sobre a possível felicidade futura.

Desculpe-me a linguagem de para-choque de caminhão, mas viver esperando pela felicidade é estupidez refinada; ou viabilizamos essa felicidade no aqui e agora ou vamos cavar mais funda a fossa do futuro que nos está a esperar…

Quantas e quantas pessoas chegam aos adiantados da vida, olham para trás e suspiram o irremediável: – Ah, como fui burra! – Ah, como me arrependo! – Ah, se eu pudesse voltar atrás… É tarde, muito tarde. “Esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer…”. Não foi assim que cantou Geraldo Vandré?

Muitas pessoas já disseram a si mesmas que quando tiverem um tempinho vão começar a caminhar, daquelas caminhadas psicoterápicas e saudáveis para a saúde psicofísica… Outras já se prometeram que tão logo possam vão deixar disso ou daquilo, ações que não produzem saúde nem bem-estar, ações que não valem a pena, mas… Pelo condicionamento das repetições, tudo fica na frágil promessa de um dia vou fazer, um dia… E nada feito até agora.

Digo tudo isso, leitora, leitor, porque andei por, estes dias,  conversando mais demoradamente com pessoas que andam com a corda no pescoço, no próprio pescoço ou no pescoço de alguém  muito próximo. Todas se arrependendo de felicidades que foram postergadas por elas mesmas ou por esse alguém próximo. É tarde. Bem-estar e felicidade não se deixa para amanhã.

CARTA

Peguei ontem uma revista velha, dos meus arquivos, dentro dela reencontrei uma frase sublinhada da carta de uma leitora. Ela pedia um conselho. – “Ele foi embora e eu estou sofrendo muito, o que faço”? Nem reli a resposta, a resposta é simples: “Deixa de ser burra, toma um bom banho, põe tua melhor roupa, respira fundo e sai para a vida… Acharás um “paraíso”, com certeza”. Primeiro passo: deixar de ser burra.

FALTA DIZER

Dizem que o peixe morre pela boca, quem hoje mais morre pela boca é o povo brasileiro. Ouça esta manchete: – “Liberação de agrotóxicos no Brasil é a maior em 14 anos”. Venenos que estavam na gaveta há anos e anos foram liberados… Claro que isso envolve pesados interesses “financeiros” de todos os tipos. E o povo? O povo que morra! É o que “eles” pensam?

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