Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Estabilidade

Atualizado

É estranho, mas indesmentível: quem muito pensa não vive, sofre, tem medo. O muito pensar leva-nos a ponderar, cada vez mais, sobre os imponderáveis da vida ou, pior, sobre o vazio absoluto da vida diante da finitude anunciada… Vem daí, com certeza, que os humanos, desde que saíram da caverna (será que saíram?) buscam pela estabilidade. Estabilidade é sinônimo de garantia, certeza. Claro que há os que buscam a estabilidade “mercantil”, a do salário garantido e da quase impossível demissão, casos que precisam ser definitivamente revistos no Brasil. Abolidos…

Num passado remoto, vigaristas, em nome de religiões inventadas, quiseram transformar o casamento num vínculo de estabilidade inaceitável. Pretenderam fazer do casamento um laço indissolúvel. Impossível esse laço, os humanos mudam ao passar do tempo, o que ontem nos encantou, hoje bem que pode nos desapontar. E assim no vice-versa. Entendo, todavia, o esforço humano para desejar a estabilidade. Infelizmente, a única estabilidade na vida é o prazo de validade, esse um dia expira, para ricos e pobres, bons e maus…

O que me traz até você, leitora, leitor, é o resultado de uma pesquisa feita em 134 países, Brasil no meio, e que trata de estabilidade no trabalho, no emprego. A pesquisa é da Randstad, da Holanda.

Os brasileiros querem, por maioria, vale refeição, vale transporte, auxílio-educação (o que é isso mesmo?) reconhecimento, recompensas e estabilidade no emprego. Malandros. Então, vamos lá. As empresas têm que pagar um salário e… Tudo o mais é bonomia, “prêmios”, não obrigações. Elogios vêm do silêncio da empresa. Quando o funcionário está bem, ninguém o chama à sala da direção. Quanto vai mal, o funcionário não escapa… Então, se você não tem sido chamado, curta o momento, seu trabalho está bom. É a regra. Recompensas? Só em programas de variedades na TV. A recompensa é o contrato de trabalho. E a estabilidade pretendida vai resultar da qualificação do funcionário, sua excelsitude no fazer o que lhe é de dever. Engajamento, ética, boa educação, pontualidade, asseio, roupas e aparência limpas, isso gera “estabilidade”. Mas veja bem, “estabilidade” entre aspas. Fora disso, qualquer estabilidade no trabalho é artimanha espúria, privilégio e indecência diante dos trabalhadores “comuns”, sem qualquer estabilidade. Certo? Acho muito bom.

COLCHÃO

Um garotão vendia colchões num Canal de Vendas na TV e num dado momento ele disse que – “De dia a gente briga, de noite resolvemos tudo…”. Resolvemos o quê? O que ele insinuava? Claro, era uma brincadeira dele, mas… Se a briga foi séria não há colchão/reconciliação que faça uma mulher fazer sexo de entrega total à noite. Já os homens, broncos, fazem e se refestelam. A recuperação emocional da mulher é muito mais lenta… Não sabem disso, os fraldinhas?

 FALTA DIZER

 

Você sabia que os americanos não costumam ensinar seus filhos a lavar louça ou limpar o chão da casa? Eles se valem de jovens “estrangeiros” que vão para os States fazer intercâmbio. Sei disso há décadas. Mas os tansos por aqui não contam o que seus filhos fazem por lá quando vão fazer os tais intercâmbios. Terceiro-mundistas!

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